Que os jogos de videogame muitas vezes são tidos como “para crianças” todo mundo já sabe. Mas o que isso representa e quais jogos as crianças realmente jogam? Essas duas perguntas irão pautar esse post, que talvez surpreenda alguns.

O que define um jogo como "para crianças"?

O que define um jogo como “para crianças”?

Dizer que um jogo de videogame é para crianças é, em primeiro lugar, um erro bastante grave, visto que a idade média de seus jogadores é superior a 25 anos. Em alguns países maior ate do que 30 anos. Se levarmos em conta a idade média de quem compra os jogos então essa média pode ser ainda mais elevada.

Além disso, isso é dito numa tentativa fracassada de diminuir algo. O adjetivo “para criança” remete a algo simples, ingênuo, bobo e até mesmo ruim (para um adulto). Tal afirmação é carregada de preconceito, basta olharmos para a importância dos jogos no desenvolvimento de qualquer indivíduo, são inúmeras pesquisas relacionadas a isso. Temos também a literatura infantil, por exemplo, que não se torna pior pelo fato de ser destinada a crianças. E não me refiro apenas a Harry Potter ou a Turma da Mônica, mas a toda uma gama variadíssima de livros, livretos e revistas voltadas ao público mais jovem, mas sem perder sua qualidade, contando também com áreas acadêmicas específicas para pesquisá-las.

Agora um fato curioso (que inclusive me fez pensar aqui na possibilidade de realizar uma pesquisa mais profunda a respeito), nós realmente sabemos o que as crianças estão a jogar atualmente?

Acredito que a essa altura todos saibam que trabalho com crianças, em um programa de educação não formal. Durante o dia de trabalho é bastante comum conversar com as crianças sobre os mais variados assuntos. Como eles sabem que gosto de videogames eu acabei virando uma referência para eles nesse assunto. De walking dead a Team Fortress 2 eles adoram contar suas proezas e novidades.

Até aí nada de novidade, mas um fato me chamou a atenção: a maioria esmagadora dos meninos tem como jogo favorito (ou pelo menos um dos grandes favoritos) Call of Duty, sendo o mais novo sempre o mais jogado. Eles sempre vem me contar que jogaram Black Ops 2 com grande empolgação. Eu mesmo nunca joguei, nem pretendo jogar num horizonte próximo, mas eles adoram. Pra quem não sabe CoD é um jogo de guerra, bem aos moldes americanos, sendo muitas vezes o terror dos pais e educadores e a diversão do pessoal do exército.

call_of_duty_black_ops_2-wide

Antes de ser criticado eu sei que se trata de um empirismo nada estruturado, mas sim de apenas algumas conversas com as crianças, mas isso não deixa de chamar minha atenção. Não sei exatamente o que pensam ou entendem sobre esse jogo (Call of duty em geral, sem nenhum episódio em específico) e, associando o início desse post, o quanto CoD é realmente simples de compreender (em termos ludológicos) visto que crianças bem novas conseguem jogá-lo sem dificuldade.

Seria CoD um jogo para crianças? Os produtores pensam nesse público quando estão criando o jogo? Afinal, o que é um jogo para crianças?

Atualmente não sei responder essas questões, mas esse é um blog questionador e não apenas “respondedor”. Pense bem antes de disparar que um jogo de videogame é feito apenas para crianças, pois isso pode esconder muito mais do que você imagina.

Gustavo Nogueira de Paula

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comentários
  1. Renato disse:

    Taí uma boa idéia para pesquisa: analisar o impacto de um jogo como esse sobre crianças. Considerando que as primeiras versões do CoD eram históricas, com o tema segunda guerra mundial e um dos efeitos de um jogo é tornar crianças mais amigáveis a um conteúdo ou tema de um jogo se essa experiência foi positiva na visão dos jogadores. Eu chutaria que um jogo como o CoD poderia eventualmente tornar os alunos mais amigáveis a tópicos de história abordados na temática do jogo, como a segunda guerra mundial, a guerra fria ou algo assim.

    Li um artigo interessante discute justamente as possibilidades de diferentes gêneros de jogos em termos de aprendizagem. http://pt.scribd.com/doc/102498333/ARGLES-David-FRAZER-Alex-WILLS-Gary-the-Same-But-Different-The-Educational-Affordances-of-Different-Gaming-Genres

    • Gustavo de Paula disse:

      Obrigado pelo comentário e pela sugestão de artigo, mas não consegui baixá-lo. Se puder envie a meu email, pro favor.
      E realmente faltam pesquisas nesse sentido, precisamos de pesquisadores que se arrisquem mais com os videogames. Dá pra ver que ideias não faltam!

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