História e estórias

Buenas,

Vendo a notícia de que Assassin’s Creed 3 se passará durante a guerra de independência dos Estados Unidos, me ocorreu de escrever sobre um assunto que é bastante comum nos meus momentos de ócio, devido a presença de varios historiadores nas rodas de jogo e cerveja: História nos games.

Imagem do próximo Assassin's creed vazada na internet

Não é de hoje que os jogos recriam situações ou períodos históricos, alguns até recriam “toda” história, como o caso de civilization. Contudo, com as novas gerações de consoles e o poder crescente de processamento dos computadores, está cada vez mais possível recontar momentos históricos com riqueza de detalhes nunca antes vista.

O cuidado com que os desenvolvedores de jogos estão criando as novas franquias chega a impressionar. Quem já viu as imagens de Assassin’s Creed entende do que falo. Não são meras adaptações, como fazem muitas novelas de época, são pesquisas densas em arquivos históricos, no intuito de recriar com minucia o ambiente em que se passa a trama.

Um exemplo que já chega quase a ser batido, de tão conhecido, mas que sempre merece destaque é Age of empires. Grandes personagens dos livros de história passam a ser controlados pelos jogadores, assim podemos conhecer onde viveram, as dificuldades que enfrentaram e por aí vai. Obviamente existe certa liberdade poética nisso tudo, mas não deixa de ser interessante. Se levarmos em conta ainda os editores de mapa (sem contar possíveis mods) podemos colocar os (alunos) jogadores para viver batalhas marcantes da humanidade. Eu disse “batalhas” porque Age of empires baseia boa parte de sua ação nisso, mas poderia ser busca por comida, ouro, carvão ou que mais a criatividade permitir.

Na terra e no mar os combates de age of empires sempre foram tão bonitos quanto divertidos

No Brasil temos alguns exemplos interessantes que aliam jogo e história, como o Capoeira Legends, em que você controla um negro capoeirista em busca de liberdade. Temos também o grupo da professora Lynn Alves da UNEB que criou o jogo Tríade, entre outros que agora me fogem a memória. E pensar que algumas semanas atrás tinha senador querendo complicar a produção de jogos no Brasil… melhor nem pensar nisso.

Mas obviamente eu não vou ficar aqui somente vendo o arco íris. Assim como toda história contada, existem pontos de vista diferentes em jogo (que trocadilho foi esse?). Os jogos de segunda guerra até podem ser considerados mais “fiéis” (por favor atenção para as aspas), afinal de contas o regime nazista realmente foi derrubado, porém os jogos de guerra moderna chegam a dar medo. Recriam-se cenários conhecidos das pessoas, utilzam-se de nomes, armas, símbolos, tudo tirado do “mundo real” para criarem enredos totalmente pró Estados Unidos, passando a idéia de uma “versão oficial” dos fatos. Jogadores menos experientes, ou pouco ligados em notícias podem comprar uma idéia no mínimo questionável.

O clássico mocinhos vs bandidos

Pra apimentar mais ainda isso tudo, existe a recriação de fatos históricos que incomodam as pessoas, como o caso da morte do ex presidente americano Kennedy. Nesse jogo independente o jogador controla o assassino do ex presidente e precisa ser preciso para dar o tiro certeiro no momento em que o carro está passando. Forte demais? Desnecessário? A família Kennedy se sentiu profundamente ofendida na época em que tiveram conhecimento do jogo. Por outro lado os produtores disseram que toda história tem no mínimo dois lados e esse era o lado do assassino e além disso queriam recriar a dor sentida na época do ocorrido, por isso um jogo tão impactante.

Na mira do assassino

Somo a isso tudo o fato dos games serem cada vez mais imersivos, o que faz com que o jogador “viva” a narração. Nada mais interessante do que levar os alunos para conhecer a idade média, ou a Grécia antiga. Não julgo que seja uma mídia melhor do que outras, mas ela tem pontos bastante positivos e que deveriam ser levados cada vez mais em conta.

Em breve isso tudo será história e talvez seja contado por algum jogo das próximas gerações.

Agora vá contar isso para alguém!

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2 comentários sobre “História e estórias

  1. Lucas Rosa

    Ah…….cara…COD que seja lembrado! Não tem nada mais pastelão americano do que o enredo deste jogo! O pior é que a maneira como ele é contado é bem legal……vc se envolve com alguns personagens como Ghost, Roach e Soap. Como já comentado por vc mesmo, o COD 3 segue o mesmo estilo….aliás, sem mudar nada (mas o God of War não faz isso também? fica a pergunta!) a não ser alguns elementos de jogabilidade.
    Outro detalhe importante sobre a História e os games reside na forma como os seus jogadores interpretam (ou não…) a história/estória contada e vivida nestes jogos. São vários os jogadores que nem reparam no enredo ou na simbologia presente nos games. Também tem aqueles que se “deixam levar” pelo enredo contado e o toma por verdade. Quantas vezes em sala de aula eu tive que dizer: não Kratos não matou Zeus…rs! Porém, saliento que casos como estes podem enriquecer as aulas de História e aproximar alunos e professores.
    Quando estive nos EUA (graças a DEUS tive oportunidade fazer isso!) pude perceber que o soldado americano é um verdadeiro ícone da cultura de lá e me parece que COD retrata bem a visão que uma parcela da sociedade americana tem sobre como o mundo deveria ser. Ouso dizer perceber também, que COD é os atuais FPS de guerra contemporânea são expressões culturais deste país. Logo então, seriam os games um discurso a serem analisados?

    1. Gustavo de Paula

      Opa Lucas,
      não vejo God of War como uma sequencia de cópias. Por mais que eles mantenham a jogabilidade, eles diferenciam entre si, apresentando armas, câmeras, gráficos e combates diferentes. CoD foi uma vergonha nesse aspecto. Mas o importante aqui é pensar em como a mídia é capaz de contar histórias e se ela é capaz de fazer isso, então ela é plenamente capaz de adentrar a Educação, desde que encarados como discursos, assim como você mesmo coloca. O futuro próximo nos dirá se isso vai ou não acontecer

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