A contribuição dos fãs

E chegou o feriado, coisa boa.

É normalmente nesses dias de descanso que a criatividade acaba alforando, visto que é no tempo ocioso que as pessoas costumam colocar em prática suas idéias e dar liberdade as suas criações. Hoje em dia, a contribuição é dos fãs é muito importante e várias criações fan made são incorporadas nos jogos oficialmente, ou pelo menos fazem grande sucesso no submundo alternativo.

Casos históricos não faltam. Lembro bem da primeira vez que joguei no cenário da favela em Counter Strike. Cheguei a morrer, mais de uma vez, para ouvir a Vera Fischer dizendo “Edu, estou grávida”, pois parecia algo de outro mundo uma adaptação de um ambiente brasileiro em um dos meus jogos de tiro favoritos, talvez O favorito. Em termos de jogo talvez outros cenários fosse até melhores e mais equilibrados, como Dust 2, mas a sensação de subir e descer nos corredores da favela tinha um simbolismo diferente. Decepcionante constatar que foi por causa, principalmente, deste cenário que Counter Strike chegou a ter sua comercialização proibida no Brasil por quase 2 anos. Ao invés de receber incentivos pela boa produção, o respaldo governamental veio na forma de proibição.

No caso de CS, o mapa não era oficial e o próprio jogo já era um MOD de Half Life, mas temos jogos em que a criação dos fãs já vem como ferramenta do próprio jogo e destaco aqui o belíssimo Little Big Planet (1 e 2). Esse é daqueles jogos que parecem despretenciosos, de mecânica simples, você nem aperta muitos botões, jogado no estilo chamado 2D e meio e com um personagem que é um boneco de pelúcia. Mas não se deixe enganar, a estética de LBP é muito bonita, com cenários coloridos e bem desenhandos, uma história bem simples, mas divertida e que consegue tirar alguns sorrisos de seu rosto, desde que não tenha preconceito de achar que este é um jogo para crianças. O nível de desafio das fases é bem desenhado e conseguir coletar alguns dos itens espalhados pelo jogo é bem difícil, exigindo no mínimo bastante atenção do jogador. Porém, o grande diferencial de LBP é sua ferramenta de criação de fases. Os produtores simplesmente deixaram disponível a mesma ferramenta por eles utilizadas para que os jogadores possam criar e editar seus próprios níveis, podendo compartilha-los na internet de forma rápida. Assim, podemos jogar as fases criadas pelos jogadores do mundo inteiro e disponibilizar as nossas criações. E não falo de uma ferramenta simples. Falo de um poderoso sistema de criação, que permite dar asas à vontade do jogador. Em teoria (e na prática) os estágios criados pelos fãs podem ser melhores do que os feitos pelos produtores dos jogos. Como a própria apresentação do jogo nos diz “tentamos criar o maior número de coisas possíveis, mas não conseguimos, pois nada consegue imitar milhares de mentes diferentes pensando”. Não foi dito exatamente nessas palavras, mas algo bem semelhante, isso eu me lembro. Sem contar que o Sack Boy, personagem principal do jogo é muito carismático. Admito que simpatizei muito com ele e esse é daqueles jogos que conseguimos jogar com a namorada, o que torna tudo isso ainda melhor!

 

Mas não é só da criação e dição de fases e cenários que vivem os fãs. Temos também as histórias, filmes, concept art e todo tipo de produção artística envolvida. O site machinima é um local em que podemos encontrar obras fascinantes feitas pelos fãs. Alguns filmes são ótimos e são reconhecidos pelas produtoras.

Em Team Fortress 2 a Valve fez vídeos de apresentação de todos os personagens, menos de um, o meu favorito, o biazarro Pyro. Não sei porque, mas ele (ou ela) foi o único a ficar de fora e não me perguntem o porque. Porém, um fã (ou grupo de fãs) fez seu próprio vídeo e que está conhecido pelos jogadores como se fosse o ofical da apresentação de Pyro. Confiram e avaliem por si mesmos.

São poucos exemplos que apresentei aqui, mas são vários, vários por aí! Hoje o texto está um pouco mais curto, pois também quero dar minha descansada nesse feriado. Passei apenas para exaltar o poder dos jogadores, que cada vez mais está sendo reconhecido e apoiado pelas produtoras. Uma pena que em outros meios, como o musical e o televisivo, a criação do fã seja praticamente negada e normalmente reprimida. Não por acaso alguns setores crescem mesmo na crise economômica, enquanto outros não param  de cair.

Bom feriado!

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