Transmídia

Parece que o tempo em que as mídias eram nitidamente divididas está ficando para trás. Todos agoram bebem de diferentes fontes e possuem estéticas cada vez mais fluídas. Já fazia certo tempo que pretendia falar um pouco sobre isso, mas como se trata de algo que pretendo abordar com maior profundidade, acabei por adiar um pouco. Porém, as leituras e filmes com os quais tive contato no últimos dias acabaram por me dar o empurrão que precisava para dar início a essa discussão.

Hoje pretendo abordar a questão estética. De forma simples, apontarei como as “novas” e “velhas” mídias tem se aproveitado uma da outra para construir novas formas de se apresentarem. Como sempre, serei pautado por exemplos, que auxiliam no entendimento e simplificam as coisas.

No cinema, por exemplo, os casos são muitos. Nem vou falar de Matrix nem de nada tão óbvio assim, mas de outros títulos razoavelmente recentes, em que saltam aos olhos algumas características.

 

No filme “Distrito 9”  isso fica bastante claro. A ambientação, a temática, a aparência dos alienígenas e o desenrolar do filme é bastante semelhante a um jogo de videogame. Em alguns momentos parece que estamos jogando um FPS, sobretudo no final do filme, em que estoura uma guerra e há explosões por todo lado. Mas essa semelhança estética não se dá somente nessa aparência, mas na edição toda. Os cortes de câmera, a estrutura e forma de diálogos e a dinâmica do filme como um todo é bastante puxado para o formato dos videogames. Essa parece ser uma tendência e existem alguns motivos para isso. A começar pela influência que uma mídia exerce sobre a outra, sobretudo atualmente em que cada vez mais encontramos novos diretores de cinema, que cresceram como jogadores (ou pelo menos com algum contato com videogames) e portanto possuem um padrão de estética diferente de seus predecessores. Outro motivo é o crescimento econômico e cultural dos videogames. Isso faz com que a mídia seja bastante influente e o cinema tratou de se adaptar, de forma a ficar mais atraente a seu novo público: jogador e com dinheiro para gastar. O filme Distrito 9 em si não é maravilhoso, apesar de eu ter gostado. Àqueles mais dispostos, é possível fazer uma discussão interessante sobre a questão das favelas, da pobreza e do preconceito através desse filme. Infelizmente parece que os tiros barulhentos e a presença de ET’s tirou um pouco da credibilidade do filme, levando muitos a detestá-lo. Recomendo, mas sei que nem todos irão gostar.

Assistindo também a outro filme, em determinados momentos pensei que estivesse segurando meu controle do Ps3, mas não estava. Estava apenas assistindo “A origem”. Algumas pessoas não esperavam por esse exemplo, mas ele é importantíssimo, pois serve para mostrar que não é o fato do filme possuir uma estética de videogame que o torna ruim, nesse caso é exatamente o oposto disso. A Origem é um filme fantástico e com um enredo bastante elaborado, o que exige que seu espectador preste atenção em todos os detalhes a cada minuto, nem piscar o olho é permitido. A estrutura do filme parece ser divida em fases, com personagens diferentes. A fuga de carro, a briga, a invasão da base, a investigação dos mistérios, o disfarce etc. Além disso, assim como também ocorre em Distrio 9, os diálogos  e os movimentos dos personagens são bastante puxados para o jeitão do videogame. Basta assistir ao filme novamente e isso se tornará bastante claro. Esse é um filme que recomendo muito e se possível assista mais de uma vez, pois além de valer a pena, permite que percebamos detalhes que as vezes tinham nos passado desapercebidos.

 

Por hoje vou ficar só nos filmes e creio que esses dois exemplos sejam suficientes. Existem vários outros por aí, não é difícil de encontrar, portanto fique a vontade de sugerir outros nos comentários.

Nos próximos posts, farei o caminho inverso, mostrando que o videogame também possui cada vez mais influências do cinema, assim como os livros influenciam e são influenciados pelos dois.

O importante é perceber que a forma de contar histórias tem se adaptado ao nosso tempo. Assim como já disse Jenkins no recomendado “Cultura da convergência” as histórias migram por diferentes mídias, expandindo seus universos, se entrelaçando e se influenciando mutuamente. Se acrescentarmos ainda a internet, o celular e outras tecnologias modernas, então o cenário fica completo e bagunçado. Adoro essa bagunça e ainda quero ver onde tudo isso irá chegar, mesmo sabendo que as vezes essa bagunça complica as coisas para algumas pessoas. Não são todos que conseguem se adaptar a essa estética, o que acaba por fazer que alguns não gostem ou até mesmo “naõ entendam” o filme. Estamos todos passando por esse processo de adaptação e aqueles familiarizados com ambas as mídias tem nítida vantagem nessa compreensão.

Traga exemplos pra cá e comece a prestar mais atenção a esses detalhes. Tenho certeza que se surpreenderá.

See ya

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s