Transmídia 3

Como prometido, vou continuar a falar dessas migrações entre as mídias, observando o quanto elas tem evoluído e se renovado, de forma a explorar aspectos novos, em busca de seu público.

Também como prometido, vou falar de livros aqui hoje, sem grande alarde e bem curtinho, para não ficar me alongando demais.

Os livros nos últimos tempos passaram a ter páginas cada vez mais recheadas de uma escrita cinemtográfica, a exemplo dos videogames. Dando uma forçadinha na barra, da pra falar que estão cada vez mais roteirizados. Mas além de cinematográficos, estão mais gamificados (alguém tem uma palavra melhor?) e o texto é feito de forma a instigar o leitor a tentar descobrir o que vem logo a frente, tentando desvendar cada charada como se estivesse jogando algo. É comum o leitor lamentar quando o protagonista falha, sendo que o primeiro já sabia o que deveria ser feito, mas não tinha como avisar o pobre mortal personagem do livro.

Para manter meu estilo, vou citar alguns exemplos aqui. O primeiro dessa vez é o do mundialmente famoso bruxo Harry Potter e toda sua saga. Li todos os livros da série e pode-se perceber claramente a evolução pela qual os livros passaram, se tornando mais sombrios e até mesmo profundos (para um livro infanto juvenil). Desde o início, os livros tinham um formato um tanto padrão: início do ano letivo, algumas briguinhas, um problema colossal, mistério, resolução do problema colossal por Harry Potter e seus amigos. Eles já possuiam um formato relativamente fácil de adaptar ao cinema, ou aos videogames, mas destaco que a partir do quarto livro a coisa mudou bastante.

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Não apenas pela competição presente no livro, que por si já era um chamariz para o cinema e para os games, mas os acontecimentos presentes e a forma com que são descritos dão a entender que ele já foi escrito pensando no cinema. Dali em diante essa impressão fo icada vez mais forte.

Lembro bem quando estava lendo Harry Potter e a ordem fa Fênix (que na época eu achei bem ruim). Em determinado momento do livro parecia que eu estava lendo uma descrição de quem havia visto o filme no cinema (que na época nem havia sido lançado). Quando cheguei nas páginas finais, em que rolava um combate entre os bruxos da ordem e os seus inimigos do mal, confesso que fiquei até um tanto chateado, pensando “isso não foi feito para ser lido, foi feito para ser assistido”. Não a toa eu preferi o filme em relação ao livro, primeira vez na vida em que isso aconteceu. Dali pra frente eu me acostumei um pouco com isso e considerei os dois ultimos livros um pouco mais bem dosados, ou seja, o equilibrio entre boa leitura e bom filme se estabeleceram.

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Dali para se tornar jogo também era um pulo. Combates, sequencias de decisões e desafios, cenários labirinticos, mistério e tudo aquilo que costuma estar presente na maioria dos jogos. Mesmo ainda sendo um livro, o que significa que era feito primeiramente para ser lido, Harry Potter dava espaço para se tornar filme e dava brechas pouco exploradas para serem vividas no videogame. Isso contribuiu TAMBÉM para seu sucesso tão grande.

Outro livro bem cinematográfico foi o Código da Vinci, mas sobre esse falarei um pouco menos. Primeiro que o livro, apesar de envolver tanto mistério e abordar um tema que gerou polêmica (desnecessariamente eu diria), possuir um ritmo agradável de leitura e ser provocador, era um tanto quanto bobo. Trata-se daquela clássica correria, com assassinato e mistério, que para mim faria mais sentido se estivesse na série vagalume, indicada para jovens leitores. Não que o livro seja chato de ler, nem é isso, pois em pouco mais de dois dias eu já havia terminado, mas ele era nitidamente sensacionalista, o popular blockbuster. Porém, o filme produzido sobre ele era simplesmente péssimo. Pobre Tom Hanks, não sabia que um livro de tanto sucesso serviria de base para um filme tão bobinho, apesar do próprio Tom Hanks term contrubuido um pouco para isso, com uma atuação bem sem sal. Sobre o código eu não vou falar muito, pois é um exemplo de que essa adaptação pode ser mal feita, gerando um filme sem graça e um livro pouco enriquecedor.

Por hoje são apenas esses exemplos. Eu ia falar sobre o Jogador Número 1, mas como pretendo fazer uma resenha apenas sobre ele, acabei não acrescentando o aqui. Creio que semana que vem já posto essa pequena análise desse lvro, que tem feito barulho no mundo geek.

Até lá, boa sexta feira 13 e cuidado com os gatos pretos hoje!

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7 comentários sobre “Transmídia 3

  1. fritasgol

    A postagem de hoje é a reflexão completa de meus pensamentos nos dois exemplos. Li a parte final de OdF sem entender bolhufas… pensei q era muito mais para ser filmado do q lido, os filmes estavam arrebentando de ganhar dinheiro e tal, transporte de sucessos entre as mídias, apesar dos games do HP não terem sido tão comercializados, a meu ver.

    Até gostei de O Código… , é o tipo de temática boa para entretenimento, sem qualquer profundidade, nitidamente superficial para ser retratado nas telonas mesmo. Acredito que a massificação do acesso a livros, internet e games feitos a toque de caixa deixam a desejar, mas não serei saudosista, hahaha

    1. Gustavo de Paula

      O código é mesmo para entretenimento, não precisa reiventar a roda, é simples, como você disse. E quem lia a série HP sabe bem do que estava falando

  2. Lucas Rosa

    Já que o assunto é este, (e se entendi bem…), fica a dica: A guerra dos Tronos, ou Game of Trones. Esta obra “enorme” vale ser mencionada pela maneira como o autor conduz a narrativa. Nesta saga os capítulos são relacionados a um determinado personagem e os acontecimentos são todos entrelaçados. Exemplo: cap. Ned Stark, Sansa Stark…….e por aí vai….
    Além disto, a pena de J. R.R. Martin tem o poder de imersão que não deixa a desejar muito a Skyrim e afins….

    1. Gustavo de Paula

      Boa dica. Estou com um livro e com um DVD da série, mas até agora não li nem assisti, o que foi uma falha. Mas já li a respeito e pretendo fazer isso logo

  3. fritasgol

    Já assistiu “Jogos Vorazes”, fanfa? Superficial como um espinho, apesar das referências, mas atende ao entretenimento. Quero fazer menção ao caráter do jogo implícito na história… Todo um quê de 1984, Admirável Mundo Novo junto da cultura reality show.

  4. Lucas Rosa

    Só para completar, afinal de contas faltou a justificativa: ao ler Game of trones parece que você está “lendo” um seriado e jogando um RPG…..o livros (que é muito anterior a série e ao games) traz estes dois elementos de uma forma bem interessante…

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