O jogador número 1

Olá,

eu já havia dito algum tempo atrás que faria uma pequena resenha sobre o livro “Jogador número 1”, que tem feito bastante sucesso e que irá se tornar filme em pouco tempo (não sei quando exatamente). Terminei o livro semana passada e aproveito para escrever enquanto a memória ainda está fresca.

Jogador número 1 foi escrito por Ernest Cline, roteirista de “Fanboys“, que confesso não ter assistido, mas segundo o omelete trata-se da “premissa perfeita do road-movie nerd: três fanáticos por Star Wars decidem cruzar os Estados Unidos e invadir o Rancho Skywalker para serem os primeiros a assistir ao Episódio I”. Da pra ver que a coisa é realmente bem nerd.

A trama do livro acontece no ano de 2044/45, em que o mundo todo passa boa parte do tempo conectado a um jogo Massive Multiplayer, o OASIS, bem ao estilo Matrix, ou seja, as pessoas vivem uma vida paralela como alternativa de encarar o decadente mundo real. O personagem principal, Wade é um garoto pobre e infeliz, que vive conectado ao OASIS.

O que agita o mundo todo, tanto virtual quanto real, é a morte do criador do OASIS, o bilionário e esquisitão James Halliday. Sem herdeiros nem parentes próximos, James deixa toda sua fortuna em um testamento no formato de jogo. São bilhões em jogo e aqueles que saem na caça desse tesouro passam a ser chamados de “caça – ovo” ( tradução para aqueles que estão a procura do easter egg do OASIS). Acontece que o malucão que deixou a herança era fanático pela década de 1980, então tudo acaba tendo uma relação com essa época.

Não vou falar muito sobre esses detalhes da história, pois isso é fácil de encontrar em qualquer site por aí. Prefiro dar atenção a pontos específicos e realizar uma crítica mais elaborada sobre a trama em si.

 

A idéia do Oasis é interessante, pois diferentemente da Matrix em que as pessoas eram obrigadas a permanecerem conectadas, nele a a conexão é feita de forma “voluntária”. Coloquei entre aspas por ser realemente difícil ficar desconectado hoje em dia. Apenas imagine que o facebook pudesse ser 3D e sensorial, quantos indivíduos, que já passam um tempão conectados, ficariam ainda mais tempo conectados? Até quem nem usa muito acessa seu perfil todo dia. Quase todo mundo que tem computador cria um perfil online. Será que todos realmente ficam “voluntariamente” conectados? É de se pensar a forma com que o mundo muda e quando menos percebemos estamos nas mãos das grandes corporações.

Mas voltando ao livro, são milhões e milhões de avatares atrás da grana toda e durante anos nada aconteceu, até que um dia Wade, com seu avatar Parzival, consegue descobrir a primeira das charadas do enigma e o mundo todo volta a ficar agitado com a busca, incluindo grandes corporações fortemente armadas.

Os quebras cabeça são interessantes e escritos de uma forma que fazem com que o leitor pareça estar realmente jogando um videogame e não apenas lendo. A escrita é simples e dinâmica, o que facilita e da fluidez na leitura. A tradução é bem feita, apesar de inadequada em alguns momentos, devido a enormidade de termos e referências do mundo nerd.

No geral a coisa não se desenrola de uma forma muito surpreendente e em alguns momentos a certo exagero nas referências, faltando até mesmo um glossário ou notas de rodapé explicando algumas coisas. O livro parece ter sido escrito para um público bastante específico, mesmo achando que ele possa atingir um público maior quando for lançado para o cinema. Aliás, vale notar que os direitos de filmagem foram vendidos antes mesmo do lançamento do livro e que ele foi escrito por um roteirista…

Em geral, as emoções são suaves, agradando quem entende do que estão falando e divertindo quem gosta de videogame. O ultraman, por exemplo, tem participação importante no desenrolar das coisas.

 

Mas deixei o importante para o final, ou melhor, para o final do livro. Coisa triste é ler 400 páginas para chegar um final óbvio, manjadíssimio e totalmente clichê. Um combate totalmente feito para o cinema, com um resultado previsível e até mesmo cafona. Foi realmente lamentável ler aquilo, infelizmente. A  história toda é feita de uma forma até interessante, se você levar em conta que trata-se de uma leitura de entretenimento, mas o final parece ter sido destinado ao público infantil, de fácil assimilação. Me lembrou até uma novela.

Se você gosta de videogame, leia. Se não goste de videogame, leia também, apesar de eu achar que não vai gostar. O jogador número 1 é feito para agradar nerds e imagino que eles tenham ficado satisfeitos. Para o restante das pessoas, acho que é nerdisse demais. Isso e o final desagradavelmente óbvio pode desanimar alguns. Ainda assim, gostei ambientação, pois ela ainda pode render frutos e mostra que o cyberpunk ainda vive muito bem.

Agora é esperar pelo filme para literalmente ver o resultado disso tudo.

Quem quiser, pode me pedir o livro emprestado, hehe. Inté!

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11 comentários sobre “O jogador número 1

  1. Álan Santos

    Cara, terminei de ler o livro agora… mal posso esperar para assistir o filme, se é que a Warner Bros fara um bom trabalho, o livro é muito bom recomendo também para quem gosta do estilo e para quem não gosta também. O livro te cativa ele faz tu querer ler mais e mais sem parar e cara a associação com os elementos dento do livro sem excepcional. Eu acho que já poderiam fundar a GSS e criar o OASIS de uma vez haha, seria munto bom entrar naquele mundo.

    1. Gustavo de Paula

      O livro é cativante e creio que o filme tem grandes chances de ser bom. Só não sei bem como isso será feito, pois terão que gastar horrores com direitos autorais etc. Mesmo achando que o final meio clichê, creio que seja um livro que vai marcar época e terá fãs por todo lado. O cyberpunk não morreu!

  2. Drikko

    Eu gostei muito do livro, me satisfez em cada página. Discordo totalmente que o o final não foi bom, eu gostei muito e me agradou bastante, foi muito criativo apesar de clichê ao mesmo tempo.
    A unica parte que me desagradou, foi aquele breve romance no meio do livro, achei aquilo totalmente perdido quanto ao resto da história, além de acontecer uma leve contradição com a personalidade descrita no protagonista.

    1. Gustavo de Paula

      Não é que o final todo tenha sido ruim. Creio que esteja todo mundo aguardando pela cena da batalha final, isso vai ser fantástico com as novas tecnologias do cinema. só achei que não precisa ter pendido tanto para o clichê mocinho vs bandido + mocinha no final. É um livro e tanto

      1. Drikko

        Ah, concordo plenamente com você, eu me impressionei bastante com algumas reviravoltas que acontecem durante a história, mesmo assim o final não foi surpreendente, mas é um final clássico de filmes, né xD

    2. Eu achei bme interessante. Veja bem, são duas pessoas solitárias. Imersas em um mundo virtual, carentes. Elas se aproximarem era o minimo esperado. Conheço DIVERSOS casais que se criaram assim. De verdade.

      Que descambaram até para casamento na vida real. Um conhecido meu (de quests, batalhas e afins) conheceu a esposa dentro do jogo RF Online. Ainda hoje estão casados. Conheci DIVERSOS amigos assim,. Até já me hospedei na casa de alguns.

  3. Acho que o autor da crítica tem que entender uma coisa. DESDE o início do livro é DITO que ele venceu. entendeu ?

    VocÊ começa o livro sabendo que o final seria o que todos esperavam.

    O livro é ótimo, muito bem feito e escrito, recomendo firmemente. Não consegui parar de ler em momento algum. O final tem suas surpresas também. Nota 10.

    1. Gustavo de Paula

      Eu entendi sim. Fiquei mais chateado com a questão do Mocinho vs Bandido, mas acho o livro fascinante e tenho certeza que o filme também será um sucesso. Reli o livro poucos meses atrás e achei até melhor da segunda vez e peguei menos pesado com esse final. Muitíssimo obrigado por comentar.

  4. Stella Eduarda

    Olha o livro foi bom só não entendi muita coisa no final. Alguém poderia tirar um pouco do seu tempo e resumi o final pra mim, pois eu queria saber mais do livro mas não tenho ele

    1. Gustavo de Paula

      Oi Stella. Leia o livro com calma e se precisar de alguma ajuda, dá um google e procura pelas referências que estão citando, pois com certeza vai fazer bastante diferença na compreensão da coisa! Obrigado pelo comentário

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