Gamification

Estive dando uma olhada no blog play think learn, da pesquisadora Nicola Whitton da Manchester Metropolitan University. Ela comenta sobre o lançamento do livro Game Frame, de Aaron Dignan, que aborda a questão da Gamification, que seria algo como a transformação de atividades chatas em algo menos chato, através de elementos presentes nos jogos. O texto da pesquisadora é bem interessante e além de falar um pouco sobre o tema, apresenta uma opinião semelhante a minha. O post de hoje será uma tradução das palavras da prof Whitton, com pequenos comentários meus.

Capa do livro Game Frame, de Aaron Dignan

“A premissa do livro é que qualquer atividade pode ser feita divertida e envolvente transformando a atividade em algo que ele chama de ‘jogos de comportamento’ por utilizar elementos de jogos. Eu fundamentalmente discordo disso. Embora eu acredite que as técnicas gamification podem, eventualmente, fazer atividades chatas menos chatas, elas ainda são essencialmente chatas. Também estou preocupada com o fato de que este livro não parece reconhecer que nem todo mundo joga, nem todo mundo encontra nos jogos algo envolvente, ou que pessoas diferentes preferem jogar diferentes tipos de jogos. Jogos não são universalmente motivadores.

Dito isto, eu acho que o livro apresenta algumas ideias interessantes, embora precisem ser aplicadas com cautela. Dignan é um confesso “não-acadêmico” e isto está claro no estilo de escrita com simplificações, generalizações e falta de provas ou rigor. No entanto, o livro é muito acessível para um público amplo e extremamente legível. A idéia do jogo comportamental é central, descrita como “uma atividade do mundo real modificado por um sistema de jogo baseado em habilidades”, e um modelo é apresentado com dez blocos de construção para criação de jogos comportamentais, que é clara e sistemática.

Uma área que eu não concordo, no entanto, é sua análise da motivação. Dignan sugere que existem quatro pilotos psicológicos que motivam as pessoas, e cada uma é apresentada como uma continuação:

Cumprimento de metas – gozo de experiência
Estrutura de orientação – a liberdade para explorar
Controle de outros – a aceitação dos outros
O auto-interesse em ações – de interesse social em ações

Eu diria que estes não são contínuos e não se excluem mutuamente, por exemplo, é perfeitamente possível ser motivado por objetivos e pela experiência, ao mesmo tempo, uma não exclui a outra. Eu também não acho que esses fatores são particularmente inclusivos – como atender a pessoas que não gostam de brincar com os outros no geral?

Um destaque do livro é a penúltimo capítulo, o que sugere uma série de elementos do projeto que podem ser considerados ao projetar jogos de comportamento, que oferece algumas novas perspectivas. Enquanto alguns – como metas, a concorrência, o acaso, a pressão do tempo, quebra-cabeças, a novidade, os níveis, trabalho em equipe, os dados (ou resultados), o progresso, pontos, status, reconhecimento – são características bastante padrão em termos de design de jogo, outros – como escassez, a pressão social, moeda, a renovação, as decisões forçadas, sensação – abrem novas perspectivas. O uso de exemplos para cada um é também excelente para fazer os pontos feitos absolutamente claros.

No geral, eu encontrei este livro uma leitura fácil e agradável, e não sem mérito. Acho que faz um ponto de partida útil para considerar o valor e os usos de gamification, mas grande parte das afirmações precisam ser tomadas com pitadas com mais tempero.”

 

Como da pra ver, nem tudo pode e/ou deve ser transformado em jogo. Nem todos gostam de jogar e o ato de jogar em si pode não “funcionar” pra todo mundo, pois durante as partidas ocorre muita exposição por parte dos jogadores e alguns podem não se sentir bem com isso, entre outros problemas nessa linha.

Esse texto vem para mostrar que os jogos de videogame não vão salvar a humanidade e quem nem tudo será “remediado” por eles. Mesmo apresentando elementos muito interessantes e que PODEM SIM ser levados a diferentes tipos de atividades, nem sempre essa é a melhor escolha.

Mesmo considerando os games como uma atividade diferenciada, preciamos colocar os pés no chão e entender que nem tudo pode depender disso, pois com o crescimento da mídia e da importância do videogame, começam a surgir o tecno deslumbrados, que profetizam um futuro em que tudo será feito através dos pilares dos jogos, algo que discordo bastante.

Esse foi um post que me fez resgatar minhas origens acadêmicas. Em breve voltarei a falar de temas mais soft.

Até

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