A importância dos testes

A produção de um jogo envolve diversas etapas, desde a criação do projeto, passando pelo roteiro e sua avaliação, modelagens 3D, animações, edições, dublagens, atuações, capturas de movimento e, entre tantas outras, está incluída a fase de testes. Isso vale não apenas para os videogames, tanto que comecei esse texto com a frase “a produção de um jogo envolve…”. É sobre isso que vou falar hoje, da importância de serem realizados os mais diferentes testes antes de um jogo ser lançado e o quanto isso pode afetar a experiência do usuário.

Recentemente eu estava jogando PES 2011 (versão do Ps3) com amigos e, antes que alguém me pergunte, não eu ainda não havia jogado essa versão. Fiquei um tanto impressionado com a péssima qualidade do jogo. Os jogadores (e muitas vezes defensores) de PES que me perdoem, mas o jogo era no mínimo horrível. Nem vou comprar com Fifa, porque não é essa a intenção, mas era chocante como o jogo apresentava “defeitos” graves. Aquilo nem de longe me lembrava um jogo de futebol e a sensação de jogar foi basicamente a de raiva e também de frustração.

Os dribles eram extremamente complicados e os passes muito mal executados. Havia também um delay entre a sua ação a execução desta por parte do jogador. Foi bastante comum durante o pouco tempo em que jogamos ouvir alguém reclamando que apertou o botão do passe e que apenas algum tempo depois o jogador realizou a ação, obviamente resultando em algo desastroso e ineficiente.

 

Mas a intenção aqui não é realizar uma crítica do jogo PES 2011. A descrição da experiência de ter jogado algo tão ruim, e que é relançado anaulmente, vem para mostrar o quanto a fase de testes é importante e nos faz pensar no quanto de tempo é necessário para a produção de um bom game.

Praticamente me recuso a acreditar que o PES 2011 tenha passado por uma bateria rigorosa de testes. Os problemas apresentados eram absurdamente visíveis e tornavam o jogo muito chato, não transmitindo sentimento algum de que se tratava de um jogo de futebol. No ano seguinte é lançada uma nova versão, com alguns erros corrigidos e outros criados. A roda gira e tudo caminha de volta para o mesmo lugar. Faz tempo que um jogo de futebol não me surpreende positivamente.

Mas a ideia aqui não é dissertar sobre os jogos de futebol, mas sim sobre a importância dos testes. Sendo assim, vamos pegar o outro lado da moeda.

O primeiro Starcraft foi lançado em 1999 e era um jogo de estratégia fantástico, muito equilibrado e não a toa é muito jogado até hoje. Starcraft 2 só foi lançado em 2010, ou seja, 11 anos após o lançamento do primeiro jogo e após muitos anos de produção, e TESTES.

Quem já jogou o primeiro e jogo e/ou o segundo sabe que uma das principais características de Starcraft é o seu equilíbrio. Mas esse equilíbrio não caiu do céu, diretamente para o colo dos produtores da Blizzard. Esse equilíbrio é fruto de muito suor, testes e mais testes. Se uma unidade tiver um pontinho a mais de poder isso pode desiquilibrar toda uma partida, sobretudo online, através das mais variadas táticas e técnicas desenvolvidas pelos jogadores.

Muitos reclamam, pois os jogos da Blizzard sempre demoram anos até serem lançados, mas os resultados estão aí para todo mundo ver. São prêmios atrás de prêmios e os jogos possuem uma vida útil significativamente longa, sobretudo num tempo em que tudo é “descartável”. Diablo 3 levou 12 anos para ser lançado, em relação a Diablo 2 (que é jogado até hoje) e já está arrebanhando fãs por aí, mesmo tendo recebido críticas devido a seu novo estilo adotado etc.

É através dos testes que se corrigem várias coisas, como a jogabilidade, equilibrio, bugs e outras coisas mais. Quem não se lembra de quando Skyrim foi lançado e a enormidade de bugs encontrados no jogo, notoriamente na versão de Ps3. Nesse caso a pressão de mercado falou mais alto e ao invés de tentarem corrigir os erros o jogo foi lançado meio que as pressas, no intuito de não se perder as vendas de natal. Depois tentam corrigir os erros mais graves através de atualizações. Lamentável.

E antes que alguém pense que ser game tester é o emprego dos sonhos, pense bem sobre a responsabilidade desse profissional. São horas e mais horas de jogo ininterruptas, buscando por erros e problemas. É um jogar diferente, atento a todos os detalhes, forçando todas as possibilidades, não dando a mínima para outros pontos do jogo a ser testado. Imagine jogar denovo e denovo as mesmas coisas, nos mesmos lugares, procurando por detalhes que passariam despercebidos por jogadores “comuns”.

É através dos testes também que se determina a dificuldade de um jogo. Fico aqui imaginando os pobres coitados que tiveram que testar Dark Souls, jogo do qual falarei em breve.

Pense bem quando encontrar algum “defeito” quando estiver jogando. Mesmo sabendo que nada nesse mundo é perfeito, reflita e veja se aquilo era inevitável ou se foi preguiça e/ou falta de capricho de quem produziu o game. Não da pra engolir todo tipo de problema, transmitindo a responsabilidade para o jogador. Quem produz com mais atenção e com os melhores profissionais sempre terá resultados melhores, tanto em termos de experiência quanto nas vendas.

Quem quiser ser game tester, pense bem a respeito e caso realmente queira isso, envie seu curriculo para a Blizzard, Valve etc. Quem sabe você não consegue?

Até!

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