Profissão: Jogador

No jornal Folha de S. Paulo de quinta feira dia 19/07/2012 havia uma matéria mostrando que, mesmo lançado no longínquo ano de 2003, Counter Strike ainda gera jogadores profissionais e com vencimentos bastante interessantes. Os torneios, nacionais e internacionais, recebem patrocínios no mínimo razoáveis e premiações de fazer inveja a muito esportista por aí, sobretudo no Brasil. Também são cobertas todas as despesas de viagem e deslocamento dos jogadores. O clima é de seleção.

E não pense que esses garotos são “vida fácil” não. A jornada de treino chega a até 07h por dia, contando com treinamentos táticos, técnicos e físicos (acho que vou me oferecer para treinador de algum time aí). É tudo muito sério, não como aquela jogatina de amigos, com mouses comuns, junkie food e cervejinha. Aqui o negócio não é brincadeira, afinal de contas envolve muita grana e o nome dos patrocinadores. Em muitos torneios existe inclusive um sistema anti dopping, pois, assim como todo esporte de alto nível, cada fração de segundo na reação dos jogadores pode valer um troféu e eu me lembro bem que alguns anos atrás era comum ouvir falar de drogas que deixavam o jogador “ligadão”, super atento e pronto a atirar.

O imortal CS 1.6

 

Mas não é apenas sobre os jogadores de Counter Strike que eu gostaria de falar aqui. Se uma equipe profissional de CS joga em média 07h por dia para treinar, o que dizer dos jogadores de MMORPG por aí? Se você já tentou ser jogador casual desse tipo de jogo, sabe do que estou falando. Como esses jogos são feitos para durarem muito, as vezes levamos dias para saltar um nível, enquanto vemos jogadores que no mesmo período saltaram mais de meia dúzia de níveis e com itens extremamente mais poderosos do que o seu set básico.

Tempos atrás, lembro de ter lido (mas não lembro onde, isso faz tempo já) que para uma pessoa conseguir ser competitiva num MMORPG ela precisaria jogar pelo menos 08h por dia. Isso é MAIS do que os profissionais citados que jogam Counter Strike. Isso é MAIS do que a minha jornada de trabalho. Isso é muita coisa.

Agora faça a soma: Um jogo interessante + um garoto adolescente sem muito o que fazer + a “necessidade” de jogar 08h por dia = chuva de críticas e pessoas esbravejando que os jogos são viciantes. Nesse caso, podem ser mesmo.

A frustração de jogar, jogar e jogar um jogo desses e sempre ver seu personagem como um fracote qualquer pode ser muito grande, principalmente para aqueles que precisam de reconhecimento a todo momento. Imagine que determinados itens poderosos tenha um drop de 0,01% (as vezes é até menor que isso). Quantos monstros são necessários para o que item almejado seja obtido? E se quando ele cair você estiver numa party e algum outro jogador pegá-lo na sua frente? Lá se foram horas de jogo a toa. Imagine ainda que você precisa de 10 desse item para fazer um outro ainda mais forte, que te leva a outro lugar ainda mais incrível e que dropa itens ainda mais devastadores…

Se você já teria desistido, fique calmo, pois as produtoras já sabem que isso pode acontecer. Nesse momento entram em jogo os diferentes “planos” que eles podem te oferecer. Caso possa pagar, é possível ser um jogador Gold, Silver ou Bronze (por exemplo). Se é um gold, pode ficar tranquilo que seu nível subirá muito mais rápido e os itens irão “chover” na sua tela, mas isso custará uma bela grana. Acontece a mesma coisa com os Silver e Bronze da vida, mas nesses casos as vidas são menos facilitadas. É a desigualdade social atingindo os jogos online.

Jogar online pode exigir mais do que se imagina

 

Agora vamos voltar àquela equação que mencionei e acrescentar a necessidade de conhecimento sobre onde estão os melhores drops, como conseguir construir os melhores sets, onde distribuir seus pontos a cada nível etc. Aquelas 08h talvez já não sejam mais o suficiente, pois teremos que buscar informações fora do jogo, em fóruns, videos etc. Será que vem daí também o desespero das pessoas para ficarem o tempo todo conectadas.

Isso porque nesse post eu nem abordei as inúmeras trapassas existentes para conseguir continuar jogando, mesmo estando longe da tela.

Essa constante exigência muitas vezes pode criar uma ansiedade perigosa nos jogadores, ainda mais se eles não equilibrarem suas incursões online com esportes, leituras e outras atividades culturais em geral.

Pense bem antes de se atirar nesse meio e prepare-se para ser um profissional. Ou então assuma que seu personagem será mais fraco e divirta-se jogando com várias pessoas diferentes ao redor do globo.
Até mais!

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