Jogar ou assistir?

Em algum lugar, conversando tranquilamente com alguem, você já deve ter escutado que os filmes estão cada vez mais parecidos com os jogos. O enquadramento, os roteiros, as sequencias de ação, os movimentos dos protagonitas e aquela coisa toda. Isso até que é bem verdade e muita gente tem estudado esse fenômeno, mas hoje vamos falar do contrário. Hoje vamos falar do quanto os jogos estão se aproximando dos filmes e o quanto isso tem despertado reações bastante distintas nos jogadores.

Não é de hoje que pretendia levantar essa discussão, mas um debate realizado na DIGRA (Digital games research association) me motivou a trazer isso aqui ao blog. Um dos membros do grupo levantou o seguinte apontamento

“Max Payne 3 has about two and a half hours(163 min) of non-interactive cut-scenes and only five and a half hours(334 min) of gameplay…”

Ou seja, o jogador/pesquisador está chamando atenção para o tempo em que se passa assistindo animações e não jogando.  Segundo ele, e muitos outros, isso é terrível ,pois quebra a dinâmica do jogo e faz com que ele perca a fluência.

Outros argumentam que não é bem assim e que o importante é a sensação que se tem globalmente ao jogar, se agradavel ou não.

Há ainda os que dizem que isso sequer é um jogo, pois você passa muito tempo com cenas não interativas e quando interage, quase não sai dos trihlos do jogo.

Jogar ou assistir?

São opiniões embasadas e, de certo modo, todas possuem sua razão, mas tendo a concordar mais com a segunda e explico o porque. Primeiramente, não é o tempo jogando ou assistindo que vai definir o quanto um jogo é bom ou ruim. Se as cut scenes são bem encaixadas e justificadas dentro do jogo, nada mais justo do que sua presença. Essa é uma das grandes influências do cinema nos games e é essa influência que fez com que os jogos tivessem um grande salto de qualidade nos últimos anos.

Antigamente os jogos quase se resumiam a sequencias de desafios. Fossem tiros, pulos ou socos, o importante era ter habilidade o suficiente para avançar até o final do jogo, tanto que a maioria esmagadora contava com um marcador de pontos na tela. O melhor jogador conseguia mais pontos e esse era prpósito do jogo. Salvo algumas excessões, as histórias eram bem bobas, ou até mesmo “inexistentes” (não existe jogo sem história, isso é apenas uma força de expressão).

Com a evolução do hardware e da forma com que o videogame passou a ser tratado pelos jogadores e pelas produtoras, cada vez mais elementos do cinema foram sendo incorporados nos jogos. Roteiros mais trabalhados, personagens mais fortes (e não apenas engraçadinhos, etc) reviravoltas, animações etc.

Em alguns jogos, o enredo tem se tornado tão importante quanto o restante do jogo em si. Mas quando começam a surgir casos como este de Max Payne, as duvidas crescem significativamente. Qual a dose certa dessas animações dentro do jogo? O quanto isso é realmente importante para tornar um jogo bom?

Parando para pensar bem simplesmente, o videogame tem aproximadamente 30 anos e não é uma mídia completamente formatada, estando ainda em constante evolução. Não se sabe ao certo o quanto deve durar um jogo, a melhor forma de jogabilidade, níveis de dificuldade, formas de contar história e vários outros pontos.

Se os jogadores estão se incomodando com o tempo que passam passivamente na frente de determinado jogo, apenas contemplando-o, então talvez estejamos atingindo um limite do quanto isso de ve estar presente no jogo. Precisamos nos lembrar que um dos grandes (talvez o grande) diferenciais do videogame frente a outras mídias é justamente sua jogabildiade. Se for “apenas” para contar uma bela história através de animações, por que não fazer logo um filme?

Por outro lado, se as animações e os diálogos ajudam a aprofundar a experiência do jogador, trazendo a ele diferentes sentimentos e propiciando algum tipo de reflexão e debate, então que as animações sejam cada vez mais bem feitas e exploradas.

Nesse tipo de discussão nós sempre encontraremos opiniões bastante diversas e muitas vezes antagônicas. Só não acredito que esse seja um fim dos videogames, nem um filme controlado. Essas opiniões tendem mais a um certo extremismo, muitas vezes proferido que tem medo de mudanças e temem a evolução desse meio.

De que lado você fica? Só não vale marcar coluna do meio!

Até mais.

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