Um jogo, várias histórias: crítica de Dark Souls

Foram vários dias, aproximadamente 80 horas de jogo, muita raiva, frustração, vontade de bater nas coisas, mais raiva, mortes muuitas mortes, sensação de fracasso e desespero, mas terminei Dark souls e finalmente apresentarei aqui sua crítica.

Capa de Dark Souls

Dark souls é a sequencia de Demon souls, que apesar de não ter jogado, li que foi um jogo bem aceito pela crítica e por seus jogadores, portanto a responsabilidade de seu sucessor era significativa.

Começando pelo começo: seu personagem inicia o jogo numa cela, abandonado, pega uma espada quebrada, anda um pouco, enfrenta alguns inimigos fracos e em pouquissimo tempo você já encontra o primeiro boss. Isso mesmo, você já encontra um monstro imenso que praticamente te mata com um golpe. Ah, esqueci de mencionar que seu personagem é horrível, um espécie de morto vivo bem feio.

A jogabilidade é incrivelmente simples, com poucos comandos e bem elaborados. Em questão de instantes você já aprendeu o básico, apesar do game não te ensinar muito sobre estratégias etc, pois isso fica a seu cargo.

Assim como quase todo RPG/Adventure você pode escolher entre várias classes diferentes para jogar, cada qual começando com poderes específicos. Durante a evolução do personagem você tem bastante liberdade para seguir o caminho que quiser e até mesmo fazer um herói mais amplo, não sendo “apenas” um mago ou guerreieo brutamontes. De qualquer forma, se você não souber elaborar uma boa construção, pode acabar ficando com um personagem fraco ao final do jogo, mesmo estando num alto nível.

No meu caso, joguei com um pyromancer e foquei bastante na habilidade de atirar fogo nas coisas. Também investi um pouco na luta com espada rápida e esquiva. A grande verdade é que investi vários pontos inúteis em habilidades que não me serviram para nada, mas até aprender isso já era bem tarde. Mas tudo  bem, isso não chegou a me comprometer muito.

Tela de criação de personagens em Dark souls

Mas voltando a falar do jogar em si, saindo da primeira “dungeon” você vai parar em firelink shrine e a partir daqui o bicho começa a pegar. Você tem pouquíssimas informações de pra onde deve seguir e normalmente descobre isso da maneira mais óbvia de todas, morrendo. Ao tentar lutar com determinados inimigos e morrer incansavelmente, você acaba por perceber que ali não é lugar pra seu bico e resolve ira outro lugar. Não que não haja uma sequencia até lógica de pra onde ir, mas isso não é tão claro quanto parece.

O mundo de Dark Souls é bastante grande e é belíssimo, realmente lindo. Os detalhes do cenário são riquíssimos e tudo é feito com muito capricho, desde os inimigos até cada parede das imensas construções, com destaque para todos os boss, imensos e fantásticos (quem jogou e lutou contra o gray wolf sif sabe do que falo). E quando me refiro à beleza aqui eu não estou tratando apenas de gráficos, mas sim de um jogo com uma estética estonteante e diferente das mesmisses que costumamos ver por aí. Dark souls é um jogo que impressiona nesse aspecto, pois em vários momentos eu parava para admirar o entorno que era simplesmente cativante. A atmosfera sombria, associada a uma sutileza notável dão um clima único ao jogo. A praticamente ausência de música causa uma sensação de abandono constante, só cortada em determinados pontos do mapa.

Gray wolf sif, um dos chefes mais impressionantes

Essa inclusive é outra característica de Dark souls, o abandono. Afora alguns poucos npc’s que ajudam bem pouco, não há praticamente ninguém, nada que te ajude no jogo todo, apenas algumas marcas no chão deixadas por outros jogadores, sobre o qual falarei mais adiante.

Mas o ponto mais marcante de Dark souls é sua dificuldade, absurdamente alta. Aqui não há muita tolerância com erro e a punição quase sempre é a morte. Aliás, se prepare, pois isso vai acontecer muito até que o jogo termine. Em alguns momentos específicos do jogo eu morri várias, váárias vezes e isso causa irritação que há tempos eu não via num jogo. Na verdade me arrisco a dizer que esse seja o jogo mais difícil da atual geração de videogames. Mesmo os primeiros inimigos do jogo são capazes de te matar caso você marque muita bobeira na frente deles.

Porém essa dificuldade as vezes é exagerada e até sem sentido. Até descobrir pra que servia a humanidade, por exemplo, eu desperdicei umas dez e elas fazem muita falta ao longo do jogo. Não há grandes explicações nos menus etc, sendo que inclusive vários itens eu sequer usei, nem sei para que servem. Isso sem contar outros que também desperdicei. O jogador praticamente sempre acaba sendo obrigado a buscar por informações na internet. É muito irritante a forma como algumas coisas acontecem, chegando a parecer que te fizeram de bobo, em que você cai numa pegadinha que te faz perder horas de jogo. Não vejo problemas em buscar informações na internet, mas praticamente obrigar o jogador a tal já é algo bem complicado.

Mas é exatamente por isso que digo que Dark Souls é um jogo com várias histórias. Acontece que além da história do jogo, o enredo em si, cada jogador acaba por ter a sua própria história ao jogar. Ok, em todo jogo isso acontece, pois cada jogador tem sua experiência, mas aqui isso é mais marcante. Cada jogador narra de forma épica as estratégias que usou para passar por cada obstáculo, criando novas histórias. Esse é daqueles jogos em que as experiências variam bastante de jogador para jogador e cada um realmente acaba por construir asua própria.

Há ainda um multi player bastante interessante, pois apesar cada jogador estar restrito a seu próprio mundo, eles podem interagir através de mensagens deixadas no chão, servindo como alertas, guias etc. Isso quando o jogador não está na forma humana, pois quando está tudo muda. Quando nessa forma é possível invocar outros jogadores para te ajudarem e isso as vezes facilita muito as coisas, sendo algo bastante valioso! Por outro lado, quando na forma humana outros jogadores podem invadir seu mundo e acabar com a festa. É bastante irritante ver algum personagem super poderoso invadindo seu mundo e te matando em segundos, colocando seu trabalho no lixo. Mas é aí que mora a emoção e por isso as humanidades são tão importantes assim.

Em Anor Londo, um dos momentos mais belos do jogo

De maneira geral, Dark souls é um jogo simplesmente fantástico, entrando no hall dos meus favoritos da atual geração. A dificuldade gigantesca e a beleza estonteante são impressionantes e tenho recomendado esse jogo a todos gamers que conheço. A experiência de jogar Dark souls é marcante e poderia escrever muito mais sobre ele, mas muito melhor do que ler sobre ele é poder jogá-lo e se ficou curioso, faça isso. Em alguns momentos a ira tomará conta de sua pessoa e seu videogame pode acabar sofrendo as consequencias, sendo arremessado contra parede ou algo assim, ma supere a frustração das incasáveis mortes e siga em frente, pois será recompensado com um jogo marcante.

E ao terminar, comece novamente no clássico new game+, ou seja, com seu personagem já evoluido, para tentar passar pelo jogo todo novamente, só que dessa vez um pouco mais poderoso para não sofrer tanto.

Enjoy

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13 comentários sobre “Um jogo, várias histórias: crítica de Dark Souls

  1. Pingback: Dark Souls ou Skyrim? « Game & Críticas

  2. Estou a adquirir (receber) este jogo em alguns dias. Já pesquisei algumas coisas sobre o game e percebi que o mesmo parece ser bastante extenso, insento de explicações sobre itens e equipamentos, e difícil. A história inicial também me pareceu um pouco sem nexo, mas talvez eu é que não tenha entendido algum detalhe. Enfim… Você poderia falar em detalhes de cada classe de personagem?

    1. Gustavo de Paula

      A história não é contada de forma linear, então prepare-se para ler sobre os itens, conversar com os poucos npc’s e observar bastante o cenário. Não se assuste ao se perceber consultando sites especializados para aprofundar em algum detalhe ou situação do jogo, ele foi criado para ser assim. Quanto aso personagens, você pode acessar esse wiki que fala detalhadamente sobre cada um http://darksoulswiki.wikispaces.com/Classes. No fundo no fundo não faz grande diferença a classe que você escolhe, pois depende mais de como você evolui seu personagem do que a estrutura inicial, ou seja, você é livre para usar qualquer arma ou feitiço, desde que atenda os requisitos básicos de cada. Recomendo apenas que siga uma linha específica ao evoluir. Tentar ser multi tarefas nesse jogo pode ser uma péssima escolha de evolução.
      Espero ter ajudado,
      até mais

  3. jaderpompeu

    Cara, o seu primeiro parágrafo foi perfeito!
    Nunca passei tanta, mas tanta RAIVA, ÓDIO, IRA, REVOLTA, DESCONFORTO, FRUSTRAÇÃO, SENSAÇÃO DE FRACASSO, VONTADE DE QUEBRAR A TV E O CONTROLE.
    Enfim, neste jogo até o presente momento eu estou com quase 50 horas de jogo, devo estar mais ou menos na metade, e já morri umas 1000 vezes, isso mesmo. Não ví nenhum video na internet, apenas meu irmão que já zerou que eu ligo para ele quando fico “num beco sem saída” e aí ele me dá uma dica rápida. Pensei em desistir até agora umas 10 vezes, 2 delas sérias mesmo.
    Se este jogo não fosse tão bom, tão fantástico e tão envolvente, com certeza eu já teria despedaçado o disco em pedações e mandado tudo pra pqp.
    Agora é questão de honra, sei que ainda vou morrer outras 1000 vezes, mas sou brasileiro…e não desisto nunca!

    1. Gustavo de Paula

      Mas não desista, vale a pena.Tente sempre jogar online e quando necessário invoque algum fantasma pra ajudá-lo. No caso desse jogo, não é nenhuma vergonha consultar alguma wiki ou ver qualquer tipo de dica na internet, ele foi feito pra ser assim mesmo.

  4. Eu já avia zerado esse jogo antes de ler a tua critica.

    Mais de qualquer modo uma coisa que não podemos negar é que é realmente difícil e longo, para zerar o primeiro jogo demora em media entre 90 e 100 horas. A trama em si dele é extremamente difícil de entender e ainda existe vários mistérios que rodam o jogo como por exemplo o uso do Pingente. E o fato de se encontrar pouco conteúdo sobre o Dark Souls em português também é algo que não ajuda muito.

    O mais interessante dele é que até que você não consiga entender como o jogo funciona você não vai para frente por exemplo a armadura, até que você não intende como o tal do “Equip Load” funciona você morre muitas vezes; para o bosses também é assim, por exemplo o Ornstein and Smough é uma luta extremamente estratégica e o The Bed of Chaos que até entender que o objetivo não é atacar ele… você morre bastante vesses.

    Mais é um jogo que realmente vale a pena jogar, dificilmente você se arrepende de te-lo terminado.

    1. Gustavo de Paula

      A trama é mesmo muito sutil e contada através dos itens, cenário etc. As vezes vale a pena dar uma conferida no google para se aprofundar em algo, apesar da esmagadora maioria ser em inglês. Terminei o jogo com pouco mais de 70h, no lvl 82, mas deixei de passar por um outro lugar escondido. Recomecei o jogo para tentar aproveitá-lo mais um pouco, com “menos medo” de cada lugar. E não adianta, esse não é um jogo para pessoas apressadas, que só sabem esmagar botões. Como você mesmo disse, sem estratégia o jogador acaba morrendo infinitas vezes em cada novo boss que encontra. Particularmente gosto demais de Dark Souls…

  5. Lucas Rosa

    Cara …é estranho como este jogo te envolve! As vezes me pego escutando a trilha sonora dele, (as músicas dos chefes e do firelinkl shrine), vejo a página brasileira do DS no facebook, assisto vídeos e cada vez mais me aprofundo neste clima solitário e soturno do jogo me identificando com alguns personagesn (Artorias é animal!) e cenários.
    Ao colocar no youtube para escutar uma das músicas do game, me deparei com um comentário que julgeui muito pertinente sobre o personagem que jogamos e a ambietação do jogo. Segue a tentativa de tradução

    “É isso que torna tão poderoso Dark Souls … Você não é o herói, você não é o guerreiro em um momento de magia, maravilha, e glória … Você é, mas um remanescente, viajando nos destroços de um mundo outrora glorioso. Corrompido em pecados alguns de seus habitantes poderosos. Você não é um salvador, mas uma ferramenta: uma vassoura para varrer os restos de uma terra desolada. Com esta ocupação … vem a obrigação, de remover os últimos fragmentos dos velhos tempos … seus próprios heróis.”

  6. Eu vou te dizer cara….
    Eu não gosto de jogar videogames… não sei, sou meio estranho acho, a galera toda da minha idade adora essas porcarias mas eu não…
    Não acho legal, até teve um tempo que eu gostei, mas os jogos ficaram tão chatos, o último jogo que eu joguei foi call of duty 2 lá em… 2004, 2005 se me lembro
    FIcou fácil, as pessoas não percebem, mas os jogos de hoje em dia são mais video do que games, as pessoas não estão percebendo, mas não jogam, elas simplesmente veem um vídeo.
    Continues nojentos, personagens principais deuses, não tem desafio nenhum, os melhores jogos que eu joguei foram os de 8 bits e nitendo, em que eu realmente jogava o jogo.
    Mas vou falar, esse Dark Souls, é o melhor jogo que eu joguei desde a era do play 2
    É verdadeiramente um jogo, é desafiante, as dificuldades do jogo nos faz querer ultrapassar elas, além de que mostrar que o jogador não é nenhum Deus, se ele for em cima de um inimigo gigante e achar que vai cortalo como Deus da Guerra, certamente vai morrer na primeira porrada…
    Ponto negativo pra estória, eu acho que precisava de uma história melhor, na verdade eu nem sei se isso é um ponto negativo, por exemplo, esse jogo Skyrim que eu cheguei a jogar um pouco, amigos meus odiarão, mas gostarão de Dark Souls, acho que como o jogo “não tem estória” faz o jogador puro e simplesmente jogar que é pra que serve o jogo, além de que uma história aberta, faz o jogador criar a própria história pra ele, o que eu acho muito legal, se a pessoa criar uma história que na cabeça dele faz sentido, oras… A história dele tá certa do mesmo jeito, essa coisa de deixar a história em aberto, eu achei um toque de gênio.
    É o melhor jogo que joguei, é um exelente jogo, e olha que eu odeio esses jogos de hoje em dia

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