Então é isso que queremos para nossos eventos?

Seguindo minha trilogia sobre o SBGames 2012 farei meu balanço geral sobre as impressões desse nosso grande evento e sobre o futuro dos estudos de games no Brasil.

É inegável que esse foi o SBGames mais grandioso de todos. Não são apenas os números que mostram isso, mas a elegância com que foi realizado. Pen drive de 4gb para os incsritos, todas as salas caprichosamente arrumadas, decoração de primeira, salas grandes e com boa estrutura e uma feira bem grande logo na entrada.

Os papers também subiram de nível, falando de um modo geral. No track da cultura, que pude conferir mais de perto, as apresentações foram muito boas, com temas variados e interessantes, alinhados com o que há de mais novo nas produções mundo afora. Com o acréscimo de estarem todos em inglês, o que é ótimo para os autores, pois podem eventualmente serem citados na gringa, o que é bem mais difícil quando escrevemos em português, infelizmente.

Mas nem tudo são flores. Pra mim o SBGames ainda é, ou deveria ser, um evento acadêmico. Não que não tenha acontecido a parte acadêmica, mas ela ficou acanhada, perto do furor causado pela feira que lá ocorria.

Acho interessante a popularização das produções locais, do interesse pelos games e o aumento da curiosidade sobre esse mundo estranho. Mas não vejo tanto essa necessidade de “vender a alma” para agradar aos olhos dos patrocinadores. Trata-se de um cilco vicioso: mais gente leva a mais patrocínio, que leva a mais gente e assim por diante. Será que precisamos de um evento tão pomposo, as custas de inúmeros patrocínios privados, que exigem público massificado para exporem suas marcas? Creio que nesse momento não e explico o porque.

Na história recente (e também na atualidade) os pesquisadores de games lutaram para mostrar que trata-se de um objeto complexo de pesquisa, que deve ser elvado a sério pela academia e com imenso potecial expressivo, educativo etc. Aos poucos esse respeito vem sendo conquistado, as custas de muito trabalho, publicações e ciência.

Nessa onda veio o SBGames, crescendo ano a no e ganhando imensa credibilidade entre pesquisadores, tanto no Brasil quanto fora dele. Com esse crescimento veio o interesse das gigantes e também do governo. Some esses ingredientes num caldeirão e acrescente Brasília ao final da receita e você terá como resultado a festa que foi a edição 2012.

Repito, não tenho nada contra a popularização do evento, mas a que custo isso ocorre. Quem entrava pela porta via apenas mais um desses encontros da cultura nerd, geek ou como prefira chamar. Eram cosplayers, otakus, gamers, crianças acompanhadas das mães, sertanejo universitário, popozudas e tudo aquilo presente num evento comercial qualquer. Acontece que o SBGames não é um evento comercial qualquer, é o maior evento acadêmico de games da América Latina. Essa foi a primeira vez que vi seguranças rondando o evento e acreditem, eles não eram muito simpáticos.

Se seguirmos nesse ritmo eu não sei onde iremos parar. Cheguei a ouvir alguns comentários de que o SBGames estava parecendo a Brasil game show, esse sim um evento excencialmente comercial.

Imagem da BGS, feira comercial de games e afins

 

Por exemplo, se a intenção é popularizar o interesse pelos estudos de games, então porque não colocar os posteres e short papers concentrados em um só lugar e acessível também ao público não participante do evento. Afinal de contas era possível entrar gratuitamente no centro de convenções, mas não era permitido assisitr a nenhuma aplestra ou apresentação, algo que eu ainda não tinha visto nas outras edições, muito pelo contário. Ou seja, voce pode entrar e fazer parte da farra, mas se quiser aprender algo deve pagar a inscrição, ou procurar outro lugar mais apropriado.

Outro ponto problemático é a impressão que isso causa. Não que devamos nos preocupar apenas com o que os outros pensam, mas no caso de um campo acadêmico buscando legitimidade isso acaba sendo importante. Basta olhar qual foi o destaque dado ao evento por duas gigantes da imprensa brasileira, Globo e UOL. No caso da Globo, sequer mencionaram que tratava-se de um evento acadêmico, falando somente em mercado e estatísticas. Alias, na matéria da Globo eles apresentam o SBGames como uma feira de games, é de doer. Enquanto isso o UOL fez uma matéria de dois paragrafos, que até fala sobre a parte científica, mas sem destaque ou profundidade. Vale apontar também a cobertura ínfima dada a mídia em geral, falando pouco ou quase nada sobre as produções acadêmicas apresentadas no SBGames, uma pena.

Não acho que o evento tenha sido ruim, muito pelo contrário, tem mostrado cada vez mais força, mas temo pelo caminho que estejam optando. Torço para que o SBGames seja cada vez maior, mas de forma mais organizada e focada no principal,  que são as produções acadêmicas e os jogos independentes, mostrados não apenas ao público em geral, mas também a quem os estuda.

Ano que vem estarei por lá novamente e espero que volte com alguma agradável surpresa.

Até,

Gustavo Nogueira de Paula

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2 comentários sobre “Então é isso que queremos para nossos eventos?

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