Perguntas frequentes

Algumas semanas atrás fui convidado pelo pessoal do programa curumim do Sesc Campinas para realizar um bate papo com os pais das crianças sobre algumas questões que envolvem educação e tecnologia, principalmente os games. Contarei brevemente como foi esse encontro e aproveitarei também para colocar algumas perguntas que realmente ouço e que normalmente confundem a cabeça daqueles que não entendem muito do assunto.

Não cheguei a preparar uma apresentação daquelas clássicas em formato power point, afinal de contas nossa intenção era tornar aquele encontro o mais “informal” possível, um bate papo mesmo, para que não ficasse com ares de uma aula e para que não intimidasse os pais ali presentes. Como auxílio visual levei apenas algumas imagens e vídeos, que utilizei para ilustrar alguns pontos específicos.

A estrutura toda foi bem simples, cadeiras brancas, projetor, microfone e bastante conversa. A participação dos pais foi muito boa, perguntando e discutindo sem medo, colocando suas dúvidas diante uns dos outros e ouvindo com atenção aquilo que eu tinha para lhes falar.

Durante o bate papo com os pais no Sesc Campinas

 

O conteúdo da conversa girou em torno principalmente dos maiores medos e temores dos pais: violência, vício e conteúdo, além de outras mais. Assim como esses, muitos pais e adultos em geral costumam ter essas mesmas dúvidas e curiosidades sobre os games, então nada melhor do que trazer essas questões aqui no gamecriticas. Apesar de parecerem simples, são muito importantes, pois tiram o sono de muita gente.

  1. Jogar jogos violentos pode influenciar comportamentos negativos nas crianças e/ou nas pessoas em geral?

Não. Sei que já falei sobre isso anteriormente, mas falarei mais um pouco aqui novamente. Acontece que essa afirmação não é baseada em empirismo nem em achismos. Acontece que não há nenhum estudo científico que comprove a relação entre comportamente violento e jogar jogos (violentos). Primeiro que, pelo menos nos padrões científicos da atualidade, não há sequer um meio de isolar um fator desses e comprovar que ele causa ou não esse tipo de malefício em seus jogadores. Tudo aquilo que é propagadao, sobretudo na televisão, de que os jogos são responsáveis por mortes e etc não é apenas mentira e sensacionalismo, mas também uma tremenda falta de caráter das pessoas por propagarem algo falso e espalhar o medo entre os desentendidos.

2.  Quem joga videogame tem desempenho pior na escola?

Não e sim. Essa questão é mais simples do que parece. Alguns estudos mostraram que adolescentes que passavam mais de 8 horas por dia jogando tinham um desempenho pior em suas notas. Isso não chega a assustar, afinal QUALQUER atividade que seja exercida por mais de 8 horas por dia irá afetar o redimento escolar de um jovem. Assim como o videogame, poderia ser treino esportivo, internet, ouvir música etc. Para além disso, não há qualquer relação entre baixo rendimento e jogar videogame, desde que a atividade seja feita de forma saudadevel.

3.   Qual a quantidade ideal de horas para jogar?

Essa resposta é um pouco mais complicada, pois adentra em questões um pouco mais subjetivas, envolvendo aquilo que chamamos de bom senso. Não há um número máximo de horas permitidas para alguém jogar. O importante é balancear o ato de jogar videogame com outras atividades de lazer, tais como praticar esportes, ir a museus e parques, ler, desenhar, escrever etc. Por isso não adianta os pais reclamarem das horas que seus filhos passam na frente da tv, poribir a criança de jogar e em contra partida não apresentar nenhuma outra opção do que fazer. Se seu filho só fica dentro de casa (afinal é periogoso brincar pelas ruas) e não pode chutar bola porque pode acabar quebrando algo, então é melhor rever seus conceitos de onde está o problema, se nos videogames ou no que é oferecido à criança.

4.   Videogame vicía?

É complicado dizer, mas assim como outros tipos de jogos o videogame pode sim viciar. Isso não é muito comum, sobretudo aqui no Brasil, não me lembro de nenhum caso, sendo mais recorrente nos países orientais, como a China e a Coréia do Sul. Acontece que o jogos são feitos de uma forma que estimula o jogador a continuar jogando, oferecendo nos prêmios, boônus, itens etc. Além disso, os jogos hoje em dia são cada vez mais longos, exigindo cada vez mais tempo de jogo. Mas os campeões em termos de “vício” e geração de ansiedade são os Massivos multiplayer online (MMO’s da vida). Esses jogos não tem fim e são arquitetados de forma que para o jogador evoluir ele precisa praticamente de uma jornada de trabalho diaria. Jogadores casuais normalmente não evoluem muito nesses jogos e acabam por desistir. Por outro lado os jogadores dedicados levam seus personagens muito a sério e ficam tensos quando não alcançam seus objetivos. Já vi muita gente “perder” seu final de semana para jogar algum Rpg online, devido a algum evento presente dentro do jogo. Nesses casos cabe aos pais e responsáveis verificar se a jogatina tem sido saudavel e ao sinal de qualquer problema conversar com a criança (ou jovem, adulto…) explicar o que está acontecendo e, novamente, oferecer algum outro tipo de atividade também.

5.     Como faço para participar junto com meu filho enquanto ele joga?

Muitos pais comentaram que não sabem jogar e por isso acabam se afastando dos videogames, mas que gostariam de participar mais de perto disso tudo, mas não sabiam como fazê-lo. Não há receita mágica para isso, mas algumas dicas podem ser valiosas nesse momento. Algo que tende a funcionar muito bem é pedir para que a criança explique e ensine sobre aquilo que joga. Isso não necessariamente significa ensinar a jogar em si, pois se familiarizar com os controles parece um pesadelo para alguns pais e professores. Quando falo sobre ensinar me refiro a estimular a criança a falar sobre o jogo, contar sua história, debater seu enredo, comentar sobre seus personagens favoritos e assim por diante. Sentar ao lado da criança e mostrar que naquele momento ELA é a “detentora” do conhecimento é algo que as deixa muito felizes e faz com que os pais se interem mais sobre o assunto. Não precisa ter medo, chegue para conversar, veja como a coisa acontece, se arrisque nos controles e mesmo que não consiga jogar você pelo menos conhecerá um pouco sobre o passatempo de seu filho.

Conversar, observar e participar: os pais precisam estar presentes nas atividades de seus filhos

6.   Se jogos violentos não tornam as pessoas mais violentas, então meu filho pode jogar qualquer jogo?

Sim e não novamente. Não é pelo fato de que ele não ficará mais violento que ele poderá/deverá jogar qualquer jogo. Vale a pena se inteirar sobre o conteúdo de cada jogo e avaliar as melhores escolhas para crianças de diferentes idades. Talvez um jogo adulto não seja apenas violento, mas pode ser profundo e complicado demais, o que não seria interessante para jogadores muito jovens. Hoje em dia existem varias opções de jogos para todos os publicos e gostos e os pais e educadores tem que pesquisar e verificar qual o mais adequado a cada situação. Mesmo sabendo que alguns jogos são imensamente populares e que as crianças querem joga-los para se sentirem “por dentro” das novidades não podemos nos tornar reféns do mercado e deixar que a moda dite aquilo que entregaremos a nossas crianças. Mais uma vez uma questão subjetiva, portanto complicada de responder, mas vale a pena pesquisar e conhecer minimamente um jogo antes de entrega-lo a uma criança, seja seu filho ou não.

Espero ter respondido satisfatoriamente a essas questões. Caso tenham mais dúvidsa (com certeza elas existem) não deixem de perguntar. Agora meu email está na descrição do blog, uma falha que eu finalmente arrumei.

Até,

Gustavo Nogueira de Paula

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7 comentários sobre “Perguntas frequentes

  1. William Caetano

    Discordo da resposta da primeira pergunta.

    Acredito que os jogos, da mesma forma que os filmes, programas etc., dependendo do conteúdo, estimulará ações negativas. Pode ocorrer quando o player identifica-se com o protagonista do game, imitando assim suas características, que, para ele, são de um “herói”.

    Fazendo uma analogia, o jogo pode ser uma carne gordurosa. Em quais circunstâncias a carne gordurosa fará mal ? Possivelmente quando houver algum problema com ela ou algum anormalidade na pessoa que está consumindo-a.

      1. Gustavo de Paula

        O quanto antes. Estou realmente devendo, pois não tenho encontrado tempo para escrever. Acredito que essa semana eu consiga parir algum!

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