Game, arte e o velho debate

Saiu no jornal Folha de SP semana passada: o museu de arte moderna de Nova Iorque terá uma sessão permanente dedicada exclusivamente aos games. Inicialmente serão apenas 17 jogos e pretende-se com o tempo chegar ao número de 40. A íntegra da notícia você pode ler aqui. Se preferir pode conferir a notícia diretamente no blog do museu.

Hoje não vou entrar especificamente no debate se game é arte ou não, mas abordar algumas características dos jogos que o diferenciam enquanto meio expressivo e o porque de um museu tão importante se abrir a esse meio, enquanto outros lugares mal sabem que eles existem.

Museu de arte moderna de NY
Museu de arte moderna de NY

Em um trecho da entrevista  da curadora do museu Paola Antonelli, presente no blog do museu encontramos o seguinte:

Are video games art? They sure are, but they are also design, and a design approach is what we chose for this new foray into this universe. The games are selected as outstanding examples of interaction design—a field that MoMA has already explored and collected extensively, and one of the most important and oft-discussed expressions of contemporary design creativity. Our criteria, therefore, emphasize not only the visual quality and aesthetic experience of each game, but also the many other aspects—from the elegance of the code to the design of the player’s behavior—that pertain to interaction design.

Ou seja, não trata-se apenas das questões estéticas, mas também do design. É nessa característica que reside o grande diferencial dos jogos e também o que diferencia os bons jogos dos jogos ruins. Um design elegante, simples e funcional é algo complicado de conseguir  e exige muito trabalho. Não a toa estão lá presentes, Pac Man, Sim city e Portal, esses jogos são exemplos de ótimo design e são exaustivamente estudados pelos produtores de jogos.

Mas enquanto lá os jogos ganham cada vez mais status e adquirem mais importância, por aqui ainda são ligados a violência e tudo aquilo que a gente sabe. Fica difícil prever um futuro tranquilo para os jogos no Brasil, pois eles ainda não são tratados como devem. Quanto mais as pessoas isolam e temem os games menos se aprende sobre eles. Além disso, ocupar espaço dentro de um museu torna o objeto mais próximo das pessoas e mostra que nem todos os jogos são iguais, que alguns possuem maior qualidade e que assim como todo meio expressivo nós encontramos bons e péssimos exemplares.

Se na música ou na literatura algumas obras clássicas são consideradas complicadas ou profundas demais para o público em geral, que as vezes acaba por rejeitá-los, nos games começa a acontecer a mesma coisa. O conceito presente em alguns jogos chega a ser tão experimental ou revolucionário que acaba por não agradar a massa de jogadores. Isso pode ser complicado se nos lembrarmos que a maioria das produtoras vivem das vendas de seus jogos etc.

Vale a pena refletirmos sobre a questão dos jogos artísticos, pois o fato de ser arte pode não necessariamente fazer com que determinado jogo caia nas graças de todos jogadores e ser reconhecido apenas por meia dúzia de críticos não é aquilo a que a arte se propõe. Para isso, precisamos entender mais sobre os jogos e reconhecer que nem todos são feitos para alcançar todos os jogadores. De qualquer forma, quanto mais os conhecermos, mais chance temos de aproveita-los enquanto experiências artisticas.

E apenas para dar mais gosto aos curiosos, segue a lista dos próximos jogos que estarão presentes no acervo. Coincidência ou não, no geral são vários jogos que já mencionei aqui no blog.

Over the next few years, we would like to complete this initial selection with Spacewar! (1962), an assortment of games for the Magnavox Odyssey console (1972), Pong (1972), Snake (originally designed in the 1970s; Nokia phone version dates from 1997), Space Invaders (1978), Asteroids (1979), Zork (1979), Tempest (1981), Donkey Kong (1981), Yars’ Revenge (1982), M.U.L.E. (1983), Core War (1984), Marble Madness (1984), Super Mario Bros. (1985), The Legend of Zelda (1986), NetHack (1987), Street Fighter II (1991), Chrono Trigger (1995), Super Mario 64 (1996), Grim Fandango (1998), Animal Crossing (2001), and Minecraft (2011).

Em breve jogarei flow e poderei fazer minha crítica
Em breve jogarei flow e poderei fazer minha crítica

Reflita a respeito, comente no post, até mais.

Gustavo Nogueira de Paula

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