Nos bastidores da Tv

Finalmente saiu no youtube a primeira parte do programa Educação Brasileira, da UNIVESP TV, em que participei algum tempo atrás. Em clima de felicidade com a divulgação do meu trabalho eu vou falar um pouco de como foi essa experiência e comentar um pouco sobre o que falei durante a gravação. A segunda parte misteriosamente ainda não está disponível, mas assim que ela estiver eu atualizarei o post para acrescentá-la aqui.

A Univesp Tv, segundo eles mesmos

A Univesp TV é o canal de comunicação da Universidade Virtual do Estado de São Paulo, a quarta universidade pública paulista e visa ao incentivo à formação integral do cidadão. Nosso objetivo principal é apoiar o aprendizado dos alunos de cursos da Univesp, através de programas específicos e também de interesse geral.

Os estúdios de gravação ficam dentro da fundação Padre Anchieta, ou popularmente Tv Cultura. Diga-se de passagem a estrutura da fundação Padre Anchieta é bem grande, contando com muito espaço e bom equipamento. Foi uma sensação muito agradável caminhar ao lado de onde são gravados o Jornal da Cultura, Cocóricó, entre outros.

Após falar com o diretor do programa Tiago de Araujo Silva, que me recebeu muito bem nas intalações do canal, fomos para a produção. Lá fomos maquiados e preparados para a gravação (no mínimo engraçada essa coisa de ser maquiado etc).

Junto comigo estava Rebeca Otero, da Unesco Brasil e fomos entrevistados por Ederson Granetto, outra figura muito simpática e nitidamente muito capaz.

Sempre rola uma pequena tensão antes de começar o programa, mas eu estava bastante tranquilo no dia. A Rebeca estava um pouquinho mais nervosa, com as mãos mais agitadas, mas também foi bem e conseguiu expor bem o seu ponto.

Logo em mniha primeira pergunta o Ederson, na boa intenção, fez uma pergunta que já está quase se tornando um clássico, sobre a utilização de “qualquer” jogo em sala de aula, focando na questão dos jogos de tiro etc. Obviamente que nenhum professor vai usar qualquer jogo a qualquer hora e em qualquer aula, mas isso depende mais dos objetivos do professor do que jogo propriamente dito. Por que não explorar as questões da guerra? As mortes de inocentes? Geografia? etc… gostei dessa minha resposta, apesar de ser chato falar de mim mesmo.

Uma diferença que existia entre o que a Receba dizia e o que eu dizia se referia a relação dos objetos tecnológicos com os conteúdos escolares, pois acredito que num futuro não muito distante os próprios jogos serão “o” conteúdo escolar, sendo estudados e aprofundados, enquanto ela apresentava os celulares e tablets como ferramentas, a serviço do professor/aluno.

O que da pra perceber é que ao mesmo tempo que há urgência em inserir essa tecnologia em sala de aula ainda há muito despreparo e receio em relação a esses objetos. A grande satisfação de participar de um programa desses é crer que ele pode ajudar aqueles que buscam por uma educação de qualidade em nosso país.

No decorrer do programa outras questões foram levantadas, mas trinta minutos passaram voando e isso apenas me convence do quanto ainda tempos por fazer. Jogos em sala de ula é um tema que precisa ser mais pesquisado e isso é um convite para os jovens universitários. As lacunas ainda são imensas e diversas são áreas possíveis de atuação.

Seja com jogos de realidade aumentada, jogos de celular, tablet, computador ou videogame, seja online ou sozinho, seja como tarefa de casa ou em grupo na escola, seja violento ou seja fofinho, não podemos mais negar que a tecnologia veio para ficar e que precisamos aprender o máximo sobre ela para “invertermos” essa situação, não sendo apenas dominados, mas também agentes dessa transformação.

Foi um prazer ter participado do programa e que no futuro surjam mais oportunidades.

Até mais,

Gustavo Nogueira de Paula

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Sendo o Batman por algumas horas

Minha lista de jogos a serem analisados nesse ano está bastante extensa. Começou com Jorurney e agora temos o segundo finalizado: Batman Arkham City. Foram horas de jogo e o término da missão principal, que me conferiu míseros 50% do total do jogo. Ainda tenho cantos a explorar e pendências a resolver pelas ruas de Arkham, mas creio que já ter o suficiente para falar do jogo.

De forma simples e direta posso começar dizendo que Batman Arkham city é um jogo excelente, daqueles que valem e muito a pena. Visualmente ele é muito bonito, apesar de não ter os melhores gráficos da geração. A cidade é bem sombria, escura e é lar de todo tipo de bandidos e malucos, todos querendo dar fim ou simplesmente arrumar confusão com o Morcegão (e também com a mulher gato).

Durante o jogo a curva de aprendizagem é suave e bem conduzida. Aquilo que no começo parecia complicado de executar, se mostra organicamente tranquilo com o passar do tempo, com uma dificuldade progressiva que sempre lhe traz a sensação de desafio, mas sem exagerar e sem facilitar demais (apesar do jogo não ser dos mais difíceis no que tange as missões principais). São batrangues, ganchos, cabos e toda parafernalha que faz parte do equipamento “básico” do Batman.

Mas o que torna Arkham city um jogo tão elogiado e adorado? A resposta não é tão complicada: nesse jogo você simplesmente É o Batman! Os produtores conseguiram captar toda personalidade do super herói, bem como de seus clássicos inimigos, de forma muito bem feita. Não interessa se estou de frente com 20 bandidos, armados e com sede de sangue, eu sou o Batman e não tenho medo de nada. Eu SEI que vou dar conta de todos e isso é muito bom no jogo.

Preciso ressaltar que não sou fã de super heróis, nenhum e talvez menos ainda do Batman. Mas em Arkham city conseguiram trazer a experiência de controlar o Batman como nunca haviam feito (talvez em Arkham asilum, mas esse eu não joguei). Comparando com os jogos antigos do Batman, no estilo Beat’m up, em que o personagem principal podia ser substituído por qualquer fortão acéfalo, a evolução é marcante.

Voando pela noite de Arkhan city
Voando pela noite de Arkhan city

Pego o exemplo de um dos diálogos do jogo, em que estamos conversando com Talia. Ela para diante de uma porta e diz que todo homem que ousou atravessa-la jamais voltou e que todos encontram a morte certa nesse local. O momento do jogo é tenso e você sabe que está prestes a enfrentar um desafio alto naquele ponto da missão. Mas então a câmera se vira para o Batman, e ele com aquela cara de poucos amigos, sem mover um músculo do corpo, apenas pergunta: “Eu pareço assustado?”. Ali tudo passou a fazer sentido. Talvez eu, enquanto jogador, estivesse com medo de morrer etc, mas o Batman não medo, afinal de contas ele é o Batman! E isso funciona no decorrer do jogo, pois são vários diálogos desse tipo. Com o tempo você incorpora isso, de forma natural. Sem perceber o jogador começa a se sentir como se fosse o Batman e essa não é uma sensação que nem os quadrinhos, nem os filmes são capazes de transmitir.

Não estou dizendo aqui que o jogo seja melhor que os filmes ou que os quadrinhos, mas souberam explorar de forma única o potencial que o videogame pode oferecer. Aqui você experencia o que é ser o Batman durante algumas horas.

Todos os inimigos clássicos estão presentes, Coringa, Pinguim, Frio, Charada e por aí vai. Eu mesmo não conhecia vários dos que surgem pelo caminho, mas  jogo conta com fichas explicativas muito interessantes sobre cada um. Cada um deles também possui uma personalidade muito bem feita e são muito carismáticos e isso confere um ar ainda mais positivo para o jogo.

A cidade é grande e com várias coisas escondidas, possibilitando que os jogadores mais dedicados tenham muito material para explorar após o término da missão principal. Eu não vou falar sobre a história do jogo aqui, pois isso é fácil de encontrar em qualquer site espalhado pela internet. Mas vou ressaltar que ela é muito bem contada e soube explorar o que havia de melhor em cada personagem envolvido, com reviravoltas interessantes e dramaticidade na medida certa. Ela não é a mais inovadora do mundo, mas é aquele clássico bem feito que nunca sai de moda.

O sistema de lutas e combate também é muito agradável, sendo fluído e direto. Apesar de normalmente não serem muito complicados, os combtes transmitem a sensação que precisam trnasmitir: Não interessa quem vem pela frente, eu sou o Batman e vou derrotar todos.

Voar pela cidade também é uma tarefa bem interessante. Aquilo que levava um bom tempo enquanto o jogador não domina todos os comandos, passa a ser uma atividade praticamente intuitiva no decorrer do jogo causa um sentimento bom de pertencimento aquele lugar caótico.

De maneira resumida Batman Arkham City me surpreendeu muito e de forma extremamente positiva. Recomendo a todos para que joguem e sintam o potencial que os videogames tem para explorar um universo que já bebeu de várias outras fontes. Voltando a eterna discussão sobre qual deveria ter sido o jogo do ano em 2011, que foi parar nas mãos de Skyrim, talvez o mais justo teria sido Arkhan city e sei que muitos vão concodar comigo.

Até mais,

Gustavo Nogueira de Paula

OBS: Sinto muito Arlequina, apesar de muito bem feita, com personalidade e bem construída ( realmente um excelente NPC), a persoangem feminina mais marcante ainda será a Glados. Talvez o prêmio tenha sido entregue a você para que Portal 2 não ficasse com 6 prêmios, o que poderia render discussões complicadas para a academia… mas isso fica pra outro dia.

Uma das personagens marcantes de Arkhan City
Uma das personagens marcantes de Arkhan City

Game designer’s que nunca viram a luz do dia

Fiquei uma semana sem postar, estava viajando a trabalho e também para particpar de um programa de entrevistas na Univesp Tv, que logo deve ir ao ar. Falarei mais sobre essa entrevista quando o vídeo dela estiver disponível no youtube.

Porém hoje eu volto com um post curto, no estilo revolta. Eu sempre falo que hoje em dia o público jogador de videogame mudou muito, com cada vez mais mulheres, idosos, jogadores casuais etc. Recentemente falei sobre Lara Croft e sua evolução. Estudo os jogos enquanto ferramenta educacional, alardeio sobre sua capacidade narrativa.

Nesse meio tempo eu ouço uma piadinha ou outra e dos mais céticos eu sempre sou confrontado através de jogos com visuais e/ou enredos apelativos. E foi dessa forma que nessa semana eu conheci Dragons Crown. E que tristeza me deu ao ver aquilo.

O título da matéria da Kotaku americana para mim foi perfeito “Parem de contratar game designer’s de 16 anos para fazer jogos”, pois é exatamente isso que parece. Personagens forçados existem aos montes em diversos jogos por aí, mas nesse caso em especial o pessoal caprichou. Primeiro vamos dar uma conferida no vídeo.

Os personagens masculinos são monstruosos e devem possuir musculos que nenhuma disciplina de anatomia jamais estudou. A testosterona salta nas veias. Já as femininas, ah essas merecem um destaque ainda maior, sobretudo a sorceress. Pausem o vídeo com 52 segundos e entenderão o que estou dizendo. Peitos desproporcionais, que ficam saltando o tempo todo, um quadril imenso e com o cajado posicionado estrategicamente no meio das nádegas, para ser sútil e não falar na forma popular.

Não quero saber sobre a diversão do jogo, seu enredo ou seja láo que for. Parece que ainda temos produtores que nunca viram a luz do dia, que não tem contato algum com a sociedade, sobretudo com mulheres. Esse tipo de personagem monstruoso só me leva a crer que estas pessoas realizam suas fantasias sexuais através dos jogos.

A desculpinha de que se tratam de caricaturas ou que seria apenas uma forma cômica de apresentar o jogo não cola para mim. Fico muito triste com essas coisas e vejo que em determinados aspectos a mídia não evoluiu em nada. Fico mais triste ainda em ver nos comentários a quantidade de pessoas que não se incomodam com isso. Isso reflete bem a nossa sociedade atual, que continua machista, preconceituosa e intolerante.

Espero que exemplos assim sejam cada vez mais escassos e que os jogadores parem de comprar esse tipo de bobagem.

Gustavo Nogueira de Paula

Vale cultura vale alguma coisa?

A dicussão sobre game, cultura, Marta suplicy e companhia ainda continua por aí e eu não quero mais me envolver muito com ela. Particularmente não sou muito a favor da inclusão dos games nesse vale, bem como TV a cabo e afins. O motivo é bem simples: o tal vale cultura viria justamente para tentar disseminar um pensamento diferente, que faça com que o brasileiro não apenas fique na frente da tv assistindo novelas etc e nesse ponto, tanto tv a cabo, como videogames ficariam de fora.

Acho bastante justo, principalmente pelo fato dos jogos serem produzidos fora do Brasil, ou seja, se esse vale financiar a compra de jogos estaríamos enviando dinheiro recolhido através de impostos dieratemente para o bolso de empresas de outros países, não ajudando em nada a produção brasileira. Tenho certeza que a Marta sabe que os jogos de videogame são cultura e se não sabe, aí sim deveríamos ficar preocupados. A frase dela em si é bastante lamentável, mas em nenhum momento foi o centro da discussão.

vale cultura ou vale presente?
vale cultura ou vale presente?

Pensando nisso, resolvi listar de forma simplificada alguns dos apoios pelos quais os produtores e jogadores brasileiros deveriam estar realmente protestando.

  1. Incentivo a produção nacional: Esse incentivo poderia se dar de diferentes formas, como diminuição de impostos para pequenas produtoras nacionais e/ou diminuição das taxas nas vendas de jogos brasileiros.
  2. Fomento à produção de jogos que valorizem a cultura local, financiando projetos que trabalhem com folclore ou qualquer outro tipo de temática nacional, por exemplo. Ou, novamente, diminuindo acarga de impostos para produtoras que apresentarem projetos voltados a realidade nacional, valorizando a sociedade e a cultura brasileiras.
  3. Criação, ampliação e fiscalização de cursos de desenvolvimento de jogos em universidades federais (gratuitas), para melhorar e ampliar a mão de obra qualificada nesse setor do mercado de trabalho.
  4. Investimentos reais e significativos em educação, pois uma população educada tem livros em casa, frequenta teatros, espetáculos musicais etc, sem precisar da criação de nenhum tipo de vale, que visa apenas a estimular o consumo e corrigir uma falha do próprio Estado.

São apenas algumas ideias, com certeza existem outras por aí. O importante é que a comunidade não fique apenas indo na onda e não protestando ou questionando aquilo que realmente merece ser debatido.

Sinto muito pessoal, mas não é através do vale cultura que teremos um jogador mais crítico e um mercado melhor para games no Brasil…

Gustavo Nogueira de Paula