Problemas com os jogadores brasileiros

O Game & Críticas ficou sem postagem na semana passada, mas isso se deveu a outros compromissos que surgiram para mim repentinamente. Tudo bem, pois nesse pequeno espaço de tempo foram vários os assuntos que pipocaram por aí e escolhi um deles em específico para comentar hoje, os problemas com jogadores brasileiros em jogos online.

Saiu semana passada uma reportagem no UOL sobre alguns comportamentos nada interessantes brilhantes: são arrastões, roubos, mentiras, “terrorismos” confusão e por aí vai. Muita gente aproveitou para destilar aquele veneno comum e falar mal do Brasil, dos brasileiros, do PT, do Lula, Pelé e qualquer coisa que viesse a cabeça das pessoas que normalmente mais falam mal do que procuram entender o problema e suas soluções.

As acusações, apesar de graves, são todas verdadeiras. Não que isso seja exclusividade de brasileiros, mas é realmente um comportamento típico de muitos e em vários tipos de jogo. Em Counter Strike você encontra cheaters, team killers, chatos etc. Nos MMORPG não é difícil encontrar gente mendigando (sim, mendigando, parece piada, mas não é), roubando spots, enganando novatos, tomando itens do chão, provocando arrastões e muitas outras coisas que vão além da imaginação de qualquer um. E olha que todos estes exemplos eu dou apenas de cabeça, pela minha pequena experiência com esse tipo de jogo.

Porém, antes de as pessoas atirarem pedras e argumentar que esse é um comportamento típico de brasileiros e reclamar da inclusão digital, vale a pena raciocinarmos minimamente sobre esse fenômeno.

O Brasil pode ser a sexta economia do mundo atualmente, mas continua pobre como nunca, devido a desigualdade social ainda encrustada em suas entranhas. Essa desigualdade faz com que a população em geral continue muito distante dos países ricos e isso não seria diferente dentro dos jogos, sobretudo os MMORPGS, que cada vez mais exigem tempo e dinheiro de seus jogadores. Dessa forma, nada mais “óbvio” do que encontrar jogadores mendigando, pedindo e implorando ajuda dos jogadores mais evoluídos. Isso vale também para os roubos etc.

World of warcraft, um dos maiores MMORPG de todos
World of warcraft, um dos maiores MMORPG de todos

Mas calma, não estou dizendo que isso se deve a falta de dinheiro dos jogadores, pois esse tipo de comportamento deplorável não é exclusivo dos jogadores mais pobres, não mesmo (até porque quem é pobre de verdade no Brasil não tem um pc para jogar, não tem o jogo e nem a conexão banda larga veloz exigida por esses jogos). O grande problema, mais uma vez, é que não somos um país educado. O jeitinho brasileiro ainda impera por aqui e costuma causar conflitos quando vivenciado ao lado de jogadores europeus e/ou norte americanos. Em geral temos péssimos índices educacionais e absolutamente nada sobre educação voltada para as mídias, nesse caso especificamente os jogos.

Enquanto continuarmos desvalorizando a educação em geral continuaremos observando esse tipo de comportamento. Se lembrarmos ainda que as leis que regulamentam as partidas online variam de país para país e que no Brasil ela é quase inexistente, pronto temos a receita completa.

Espero que os jogadores brasileiros mudem essa imagem e percebam que só há um prejudicado com isso tudo, ele mesmo. Chegou-se a comentar em alguns jogos online da possibilidade de banir ou até mesmo proibir a presença de jogadores brasileiros (o que também carrega uma bela dose de preconceito), fazendo com que muitos jogadores até omitam sua verdadeira nacionalidade, temendo represálias.

É triste, mas com o tempo e através de um comportamento mais educado eu creio que essa imagem seja desfeita. Porém, se continuarmos desvalorizando a educação e não tratando os jogos de forma séria, então esse será mais um setor em que o Brasil será atrasado em relação aos outros países.

Gustavo Nogueira de Paula

PS: Dias atrás aconteceu o capítulo final da novela das 21h na globo. Não vou ser demagogo, mas a violência que presenciei sendo transmitida na tv aberta me impressionou. Homem amarrado sendo espancado por várias mulheres, morte, sexo pra todo lado e comemoração das pessoas ao verem os vilões sendo “derrotados”. Deu pena, ao mesmo tempo em que me chocou saber a quantas andam as novelas hoje em dia. Não vou colocar o link aqui, mas quem quiser conferir basta procurar no youtube e lamentar por si mesmo.

Anúncios

Novelização dos jogos

Personagem principal bonitão, carismático, cheio de piadinhas e que pela sorte ou pela destreza sempre se safa dos perigos. Um amigo divertido, quem tem no seu passado algum mistério. Uma ex namorada linda, com um fim de relacionamento mal resolvido. Vilões malignos, que matam sem pena e tomam atitudes terríveis pelo de serem maus, afinal são os vilões.

Isso parece o roteiro de um filme ou novela qualuer, mas trata-se de Uncharted 3, que terminei de jogar nesse final de semana. Hoje, trago minha crítica sobre o famoso jogo exclusivo da Sony, cujo personagem roubou o coração de várias pessoas pelo mundo.

A começar, os gráficos são impressionantes, belíssimos. Fico imaginando o porque de somente os exclusivos da Sony possuirem gráficos tão caprichados. Os cenários são cheio de cores e de vida, realmente agradáveis de se olhar. A cena da cavalgada pelo deserto tenha sido talvez uma das mais belas que presenciei no meu Ps3. O desenho dos persoangens também, apesar de não serem tão fantásticos. Apenas Drake parece acompanhar o mesmo nível de detalhamento.

A cena da cavalgada é realmente muito bonita
A cena da cavalgada é realmente muito bonita

A trilha sonora também é boa, bem arranjada, criando um clima interessante logo na tela inicial do jogo. Não chega a ser extraordinária, mas da conta do recado com propriedade. Além das músicas os efeitos sonoros também são bons e contribuem para a imersão do jogador.

Parece fantástico, não parece? Mas não é. De maneira bem simples, posso dizer que o jogo é fraco, lembrando mais uma novela (das fraquinhas) do que um jogo de aventura.

A trama é bem manjada, com reviravoltas que não chegam a surpreender e um final tremendamente óbvio. Esse texto tem spoilers, mas não se preocupe, pois até mesmo sem jogar Uncharted 3 você consegue saber o seu final.

Após todas as idas e vindas de Drake ao longo do jogo a coisa se encerra da seguinte forma: Vilões mortos, amigos sendo amigos e volta de namoro (casamento? não me lembro bem agora) com a loira bonitona. Se tivesse uma cena de casamento na igreja e/ou alguns filhos correndo no final eu teria certeza que se trata de uma novela.

Não há surpresas, não há nada que você possa fazer de diferente, nada. O jogo caminha demais por cima dos trilhos e todos os problemas são resolvidos (e criados) da mesma maneira. Tudo se resume a saltar sobre muros, canos e placas, sendo que ocasionalmente alguma coisa despenca (na tentativa de surpreender o jogador, mas lá pela décima vez isso já não te pega mais) fazendo com que o jogador tenha que subir novamente, mas de alguma outra forma.

Os inimigos não tem carisma algum e em diversos momentos não há o menor sentido nos tiroteios. Drake se infiltra em algum lugar secreto e de repente da de cara com dezenas de bandidos e tem que matar todo mundo. Além de banal isso também fica sem graça quando você percebe que esses momentos de ação não mudam ao longo do jogo. Tem o cara com a granada, o cara de armadura e capacete. o sniper, o da bazuca e por aí vai. Nada de novo pra quem já tinha jogado Uncharted 2.

A história, que deveria ser o carro chefe, também é nem graça, com algumas viagens forçadas e sem o mesmo apelo dos filmes Indiana Jones da vida. No final das contas tudo acaba de forma tão repentina que chegou a me surprender, de tão chatinho.

Tenho me assustado com essas sequencias de jogos que apresentam apenas mais do mesmo. Repetindo o que tenho dito várias vezes nesse blog, mas os produtores não arriscam fazer algo diferente e os jogadores por sua vez também não compram nada que fuja desse esquema novelinha. É só ver as vendas de Call of Duty para comprovar. O esquema é sempre o mesmo, mas as vendas são gigantescas.

No caso de Uncharted 3 fico ainda mais preocupado, pois trata-se de um jogo premiado e muitas vezes endeusado pelos possuidores do console da Sony. Sinto muito pessoal, mas um jogo que não desafiou minha mente por nenhum segundo durante seu desenrolar é algo que não tolero mais.

Final feliz em Uncharted 3
Final feliz em Uncharted 3

Ainda para piorar, num dos poucos quebra cabeças que tive que resolver, de ordenar umas figuras na parede, eu mal parei para pensar sobre o que tinha a fazer e uma mensagem na tela já me perguntava se eu gostaria de ver a solução. Será que a geração atual de jogadores não consegue ficar nem alguns minutinhos tentando resolver um quebra cabeças a ponto de os produtores entregarem a resposta tão rapidamente com medo da desistência de seus consumidores?

Para finalizar com chave de ouro, joguei o jogo dublado em português. As intenções foram boas, tenho certeza que isso é trabalhoso etc, mas a dublagem é desastrosa, o que tira ainda mais o clima do jogo. Algumas passagens são aceitáveis e o fato do jogo estar em sua língua facilita na compreensão do enredo, mas a falha foi gritante. As vezes da vontade de nem ouvir o que os persoangens tem a dizer, de tão incomoda a dublagem.

Talvez os fãs da série possam achar que peguei pesado, mas não podemos tapar o sol com a peneira. Não sei o que será de Drake, mas esse um banho de água fria. Vamos aguardar para ver se ele da as caras no Ps4

Uncharted 3 foi uma verdadeira decenpção. Aquele jogo bonitinho, com o protagonista legal, reviravoltas programadinhas e um final em que todos saem felizes. Menos o jogador.

Até,

Gustavo Nogueira de Paula

Detona Ralph!

Foi nessa sexta feira que assisti ao famoso “Detona Ralph”, filme em animação da Disney que aborda o mundo dos games. Perdi a oportunidade de vê-lo no cinema em 2012, mas me redimi finalmente e agora venho escrever sobre ele. Já li muitas críticas sobre o filme e agora é minha vez de apresentar meu veredito.

Um dos cartazes do filme
Um dos cartazes do filme

Fundamental aqui é descrever onde e como eu assisti ao filme. Não sei se todos sabem, mas eu trabalho com crianças em um programa de educação não formal,  o Curumim do SESC. No meu caso especificamente o SESC da cidade de São Carlos. Como parte da programação dessa sexta nós levaríamos as crianças para o nosso cinema dentro da unidade (teatro para aproximadamente 300 pessoas com um generoso telão e um projetor em HD, além de sistema de som de cinema). Cabia a mim escolher o filme e eu estava apenas aguardando o lançamento do filme (e disponibilidade do nosso espaço) para poder traze-lo ao trabalho. Assim aconteceu.

Acomodamos a todas as 80 crianças e demos início a exibição. Logo de cara as referências são muitas e bem diretas. Desde Zangief a fantasma do Pac Man, os personagens e cenários de jogos são muitos e isso é muito legal. O que da pra notar é que o fiilme apela para certa nostalgia dos espectadores, trazendo jogos e figuras antigas, dos tempos do Atari ainda. Não a toa o jogo personagem principal está completando 30 anos no filme. Não, isso não é coincidência, óbvio.

A história do filme, basicamente, é um vilão de um jogo (Ralph) tentando se tornar mocinho para ter uma vida melhor. Para isso ele precisa de uma medalha de outro, que ele resolve buscar em outros jogos, gerando toda a confusão.

Não da pra exigirmos muito de um filme Disney, pois não haverá grande confronto com valores sociais ou o que quer que seja, mas Detona Ralph é digno de respeito. Não que ele seja revolucionário, mas presta uma boa homenagem aos jogos. Não vou entrar em detalhes, pois isso cada um pode conferir ao assistir ao filme, mas ele traz de volta toda aquela mística dos fliperamas e chega até mesmo a criticar a nova gerção de jogos, violentos e que colocam o jogador para fazer de tudo para receber uma medalha de ouro (ou troféu de ouro se preferirem).

Ralph tentando fazer do jogo Hero's duty

O eixo central do filme talvez seja justamente essa oposição entre a antiga “ingenuidade” dos jogos em comparação aos enredos e gráficos dos jogos de hoje em dia. Não quero dizer que os jogos antigos sejam melhores que os de hoje, nem vou discutir isso nesse momento, mas vale a pensar no que os jogos estão se tornando. O que posso dizer é que não apenas não vejo graça como me preocupo muito com essa busca frenética por platinar jogos etc. O máximo que costumo dizer nessas horas é “parabéns, você conseguiu jogar de forma robótica seu jogo”.

No final tudo da certo, mas cabe outra nota aqui. A garotinha que ajuda Ralph tinha tudo para se tornar a princesinha (o filme é bem baseado nos jogos do Mario) inclusive com vestidinho cor de rosa (igual a Peach mesmo), mas ela prefere continuar com seu estilo moleca de ser. Isso para a Disney é um avanço e, na minha opinião, para os jogos também.

Mesmo sendo um pouco água com açucar eu recomendo a todos que gostam de videogame a assistir esse filme, pois ele vale muito enquanto homenagem.

Agora a grande diferença, o fato de eu ter assistido Detona Ralph com as crianças com quem trabalho. Eles adoraram o filme e se não me engano foi o filme que mais gostaram de assistir nesses três anos em que trabalho por lá, ganhando até de “Como treinar seu Dragão”, outro queridinho da galera.

Ou seja, enquanto filme infantil ele cumpriu bem seu papel, pois caiu totalmente no gosto das crianças. Para os mais velhos, que podem achar o filme água com açucar, ele vale a pena por sua homenagem e pelas inumeras referências a jogos, sobretudo os antigos.

Encontre um primo, irmão mais novo, sobrinho ou afilhado e assista Detona Raplh. Talvez os jogos estejam precisando novamente de uma certa dose de ingenuidade infantil…

Até mais,

Gustavo Nogueira de Paula