Jogo de cem fases: Bem vindo centésimo post!

Hoje é dia de comemorar!

o bolo não é uma mentira
o bolo não é uma mentira

Não é aniversário, não é feriado e nem faço parte da jornada mundial da juventude que comemorou a vinda do papa ao Brasil. Esse é simplesmente o post de número 100 do Game & Críticas!

Quando olho para trás ainda vejo esse blog apenas como uma ideia, como um plano ou um projeto a ser executado, mas quando percebo que já chegamos ao centésimo post isso me faz refletir no quanto já foi percorrido até agora.

Foram muitos comentários, críticas, sugestões e também, por que não dizer, elogios. Prestes a presenciar o surgimento de uma nova geração de consoles, muitos jogos terminados, debatidos e comentados, discussões lançadas, notícias debatidas e uma imensa satisfação em saber que faço aquilo que gosto e para pessoas interessadas.

Não sei se o game & críticas fomenta algum senso crítico em todos seus leitores, mas se 10% deles pelo menos se sentirem provocados pelos textos e reflitam sobre seus jogos, atitudes e pensamentos isso já seria fantástico para mim. Eu espero e torço profundamente para que eu colabore com o crescimento dessa mídia, que é mal vista e mal utilizada no Brasil, mas sei perfeitamente que sem ajuda dos meu leitores isso seria impossível.

Essa postagem é dedicada a você que pelo menos uma vez já acessou o game & críticas e me incentivou a continuar com esse blog, a buscar novos assuntos, a traçar novas metas e querer crescer sempre.

Não é muito fácil abordar esse assunto sem alguma espécie de patrocínio, já mencionei isso, mas tenho grandes amigos que estão sempre dispostos a me ajudar e a eles também sou muito grato. Mas mesmo que as vezes eu fique defasado em relação aos lançamentos, não é só de jogos novos que vive um jogador. A busca é sempre por temáticas interessantes que tragam algo que tire o jogador de seu lugar comum, de sua zona de conforto. Até porque já existem muitos sites, blogs etc que discutem e apresentam as novidades desse universo dos jogos.

Que venham logo os próximos cem posts e que venham recheados de grandes ideias. Obrigado a todos

Gustavo Nogueira de Paula

Jogos fáceis demais ou de menos?

No início de julho uma declaração do CEO da Nintendo Satoru Iwata chocou muitos jogadores e fãs de jogos ao redor do, quando tentava justificar a queda no nível de dificuldade nos jogos para o Nintendo Wii U. Reproduzo aqui de forma direta parte do discurso e da reportagem, retirada do omelete.

A maioria dos jogadores de hoje não pode terminar o jogo Super Mario Bros. original. Realizamos testes ao longo dos últimos anos para ver quão difícil devemos fazer os nossos jogos e descobrimos que o número de pessoas que não conseguem terminar o primeiro nível é cada vez maior“, disse, reiterando que 90% dos avaliados não conseguiam passar da primeira fase.

Iwata também falou que os jogadores não entenderam mecânicas básicas, como o botão de execução e que as moedas devem ser recolhidas e não derrotadas. Cerca de 70% dos participantes morreu no primeiro inimigo, o Goomba.

Por fim, os jogadores disseram que o jogo deveria ser mais fácil e que Mario deveria ter uma arma ou uma espada – muitas vezes, as pessoas sequer notaram que o jogo era realmente antigo e não uma reprodução de algum clássico.”

 

Os cabelos ficaram em pé e os jogadores em geral, sobretudo os mais antigos, correram para logo dizer que a geração atual de gamers não sabe jogar, que querem tudo mastigado, que os jogos de antigamente eram mais legais e esse tipo de comentário vago que normalmente não se baseia em nada a não ser um empirismo duvidoso.

Eu JÁ FALEI sobre isso aqui no blog, mas vou falar novamente. Os jogos antigos, tais como Mario (citado na matéria acima) tinham capacidades e memória minúsculas se comparados aos jogos atuais. Como reproduzir as mais de 200h de Skyrim em um cartucho que mal aguentava algumas poucas fases de Mario? Isso seria impossível, ou seja, em pouco tempo o jogador já teria terminado Mario e cartucho ficaria empoeirando, a menos que o jogo fosse difícil e exigisse muito do jogador.

Mario na era 8 bits
Mario na era 8 bits

Os exemplos de jogos cruéis são vários, como Gradius, Actraiser, Battletoads e outrs já conhecidos do público. Mas o fato dos jogos de hoje serem teoricamente mais fáceis é algo problemático demais? Não, em geral não é.

A começar que essa suposta facilidade dos jogos é questionável. Mesmo salvando e carregando o jogo do último ponto partida após uma morte, para refazer suas ações também conta como morte. Outro ponto a ser lembrado é que os jogos de hoje são mais complexos, com mais botões, comandos e uma tendência maior a uma verossimilhança com a sociedade que nos cerca. Respondam sinceramente, o que há de óbvio em um encanador bigodudo pular para esmagar um cogumelo com cara de mau que vem sua direção, ou em dar cabeçadas para quebrar blocos de tijolos e recolher moedas de ouro que não são usadas para comprar nada ao longo do jogo?

Hoje em dia isso tudo pode parecer óbvio para quem já jogou, mas não é para aqueles que nunca tiveram contato, assim como não o era quando pessoas que nunca haviam jogado videogame se deparavam com isso na época do lançamento do jogo.

Tanto que na maioria das vezes os jogos são conhecidos por possuírem enredos pífios, com desafios que servem apenas para complicar a vida do jogador e prolongar a vida de um game e não porque faz algum sentido que estejam por lá.

Não defendo que os jogos devam ser completamente fáceis, até porque em muitos casos é possível alterar o nível de dificuldade logo no início do jogo. Sei, por exemplo, de muitas pessoas que jogam no nível fácil por não terem tempo de ficar repetindo o mesmo desafio várias vezes até conseguir superá-los, pois gostariam de acompanhar a história do jogo e não apenas ficar decorando a hora certa de apertar o botão do controle.

 

O debate é bom, mas fico muito desapontado com alguém que possui uma posição dessas, em uma das maiores empresas de jogos do mundo e que coloca a culpa dos seus jogos fáceis nas costas do jogador. Mas se os jogadores aprenderam a jogar com Mario, então em que momento eles mudaram? Ou será que foram os próprios jogos que mudaram e causaram essas mudanças no comportamento do jogador?

Espero que esse texto não seja difícil demais de ler, pois do contrário precisarei baixar o nível da escrita e depois culpar os leitores.

Gustavo Nogueira de Paula

Multiplayer no Brasil, a arte de passar raiva

Não faz muito tempo que escrevi sobre alguns problemas sofridos pelos e por causa dos jogadores brasileiros quando em servidores para jogos multiplayer. Na ocasião comentei sobre uma matéria veiculada no UOL, que apresentava de alguns comportamentos típicos de jogadores que mais causam caos e destruição do que se divertem e/ou promovem a diversão.

Pois bem, resolvi então recontar um fato ocorrido enquanto jogava em um servidor brasileiro de Team Fortress 2, um dos meus jogos favoritos.

Para quem não conhece, Team Fortress 2 é um jogo de tiro em primeira pessoa que traz 9 classes diferentes para escolha do jogador, sendo elas Scout, Soldier, Pyro, Demoman, Heavy, Engenheiro, Médico, Sniper e Spy. Elas são completamente diferentes entre si e é necessário um bom equilíbrio entre elas para que uma equipe saia vitoriosa. Do contrário de outros jogos multiplayer de tiro em primeira pessoa, Team Fortress é muito colaborativo, ou seja, não basta que você queira matar o time adversário inteiro sozinho, pois além de muito complicado isso pode não ajudar o seu próprio time, que as vezes necessita de outra estratégia para a vitória.

Minha classe favorita é o Pyro, um maluco com um lança chamas, muito bem representado nesse vídeo.

Como de costume, entrei tranquilo para jogar um pouco, mas tranquilo é tudo que não fiquei enquanto jogava. Primeiro foram vários indivíduos fazendo barulho no microfone, seja colocando algum funk para tocar ou apenas gritando e/ou falando palavrões.

Se isso já não fosse chato o suficiente, deram início ao comportamento mais detestável em jogos online: começaram a chamar uns aos outros de noob, inclusive eu. O pior de tudo é como isso ocorreu.

Não sou um jogador ruim de Team Fortress2, pelo contrário, até me considero bom, sobretudo quando jogo de Pyro. Naquele dia em específico eu era um dos melhores do servidor, até que um jogador, do alto de sua soberba disse “tem três noobs aqui roubando o lugar de gente que sabe jogar”. Não resisti e disse que aquilo era democrático, que todos tinham direito de jogar. O arrependimento veio poucos segundos depois… uma chuva de comentários nada elogios em direção a minha pessoa, inclusive sendo chamado de noob e por aí vai.

Dali em diante tudo mudou, perdi a noção de coletividade e fiquei na caça dos que me irritaram, um comportamento bem bobo diga-se de passagem. Mas não adiantou, os xingamentos continuaram até que finalmente desisti de jogar naquele servidor e fui procurar por outro. O mais triste é saber, por conhecimento próprio, que isso ocorre todos os dias.

É incrível a falta de educação e de respeito de vários jogadores, que se julgam melhores, mais espertos, inteligentes etc. Os palavrões são constantes e o individualismo impera, beirando o insuportável em alguns casos. Chega a ser desanimador e lamento muito, pois gosto bastante de jogar TF2 e as vezes o prazer é substituído por raiva ou algo semelhante.

Sei que isso não ocorre somente em TF2, pelo contrário, são vários os jogos em que isso acontece. A minha principal questão é: Pra que? Pra que uma pessoa se dá ao trabalho de entrar em um servidor para atrapalhar a diversão alheia?

O que me deixou esperançoso no caso narrado acima foi que os jogadores iniciantes todos me agradeceram por tê-los defendido e começaram a pedir dicas para jogar, o que fiz numa boa e isso contagiou outros jogadores que também começaram a orientar os mais novos no jogo.

Os simpáticos personagens de Team Fortress 2
Os simpáticos personagens de Team Fortress 2

A cada dia de jogo uma nova aventura, nunca sei se meus adversários irão disparar tiros e mísseis ou se vão disparar comentários deseducados e preconceituosos. Em ambos os casos é melhor estar bem preparado.

Gustavo Nogueira de Paula

Simulação ou Arcade?

Uma das características mais fortes e comentadas dos video games é seu poder de simulação. Seja em um jogo como Civilization, em que você simula o desenvolvimento de uma sociedade/raça, no The Sims em que você simula uma vida familiar (?) ou em Sim city onde você simula a administração de uma cidade, a palavra simulação está normalmente presente quando falamos em jogos.

Isso não vale apenas para esse tipo de jogo, pois na verdade todo jogo é de certa forma uma simulação, daí tantos debates a respeito disso, pois ainda há muita confusão ao abordarmos esse assunto. Falando de forma mais clara e óbvia, seria como se em Resident Evil nós simulássemos uma sobrevivência num apocalipse zumbi. Parece tosco, mas serve bem para ilustrar isso. Nesse sentido, quem quiser se aprofundar mais sobre algumas discussões teóricas sobre o assunto pode pesquisar sobre a questão teatral ou a de mundos possíveis, entre outras.

Mas não é nesse sentido de simulação que pretendo falar hoje, apesar de gostar muito dele. O plano é comentar sobre as simulações de treinamento. Chamo de simulação de treinamento aquelas que se baseiam em algum periférico ou aparelho real que demanda perícia e treinamento, mas que não pode simplesmente ser usado livremente por pessoas inexperientes. Confuso? Eu explico melhor.

Imagine um jovem rapaz que está realizando um concurso de pilotagem de avião. Alguém em sã consciência entregaria um avião de verdade para que essa pessoa fizesse sua primeira experimentação prática, tendo que decolar, voar e pousar sem nunca antes ter colocado as mãos em um avião? Obviamente não, para isso existe esse tipo de simulação.

Os desafios de voar
Os desafios de voar

Mas a simulação de pilotagem de aviões, por exemplo, não serve apenas para escolas de pilotos ou coisas semelhantes, serve também como entretenimento, como no jogo Fligth simulator (tem simulator até no nome). O fato de ser uma simulação indica que pilotar um avião virtual será tão difícil (em teoria) quanto pilotar o avião virtual, pois o intuito é justamente passar a sensação de estar pilotando algo ao jogador.

Por outro lado, não espere ficar dando tirinhos e perseguindo outros aviões muito facilmente nesse tipo de jogo, nem derrubar uma nave especial, dragão, deus-aranha nem nada desse tipo, pois o jogo se diz “próximo da realidade”. E no jogo em que você mata dragões com o canhão de seu avião não espere uma simulação perfeita da experiência de pilotar um avião. São focos diferentes.

Recentemente tive a oportunidade de jogar com um daqueles volantes para jogos de corrida. Acostumado a jogar Top Gear, Rock’n Roll racing, Mario kart etc acabei passando vergonha ao tentar domar o fórmula um ao volante realista. Ninguém espera que seja fácil pilotar um carro de corrida que chega a 300 por hora e realmente comprovei isso na minha experiência, pois a dificuldade é incrível.

Volante de carro de fórmula um
Volante de carro de fórmula um

Com certeza a prática e o treinamento fariam com que eu melhorasse meu desempenho e apesar da simulação ser fantástica, não é o tipo de jogo que costumo ter em casa (mesmo porque esses volantes, manches etc costumam ser bem caros), pois prefiro os jogos que tendem mais à fantasia. Particularmente a sensação de disparar um casco vermelho no Mario kart, numa corrida que não dura mais do que 5 minutos, sem combustível e sem desgaste dos pneus é muito prazerosa.

Isso não exclui minha participação em jogos mais “sérios”, mas eles exigem muito mais. Não é tão simples ser um jogador casual de um jogo como esse, visto que o treinamento é necessário e não apenas uma vaidade. Fiquei contente de ver como o volante respondia a meus erros grotescos e parabenizo aqueles que conseguem correr velozmente, fazendo tempos semelhantes ao dos pilotos profissionais.

Cada um tem sua preferência, seja por simulações mais desafiadoras ou apenas por jogos arcades que não se preocupam tanto em entregar algo próximo do real.

O que prefere?

Gustavo Nogueira de Paula