Afinal, o que define um RPG eletrônico?

Se você é jogador de videogame, com certeza já viu ou ouviu falar de um gênero que é bastante popular e muitas vezes ligado à cultura nerd, o RPG. Seja para amá-los ou para odiá-los os RPG’s estão aí e após ter jogado alguns em sequência diversos questionamentos surgiram e nada melhor do que discutir a respeito para desenvolver melhor as ideias.

Planejamento durante uma mesa de RPG
Planejamento durante uma mesa de RPG

A origem dos jogos de RPG aconteceu na década de 70, quando amigos que jogavam war games e criavam imensas maquetes/fortalezas resolveram dar mais asas a imaginação e desenvolver um jogo que se passasse na imaginação, com base apenas em papeis, lápis e muita interpretação. Esse é apenas um resumo do resumo da história desses jogos, muito mais pode ser encontrado pela internet afora.

Normalmente baseados (inspirados ou até mesmo clonados) no universo de Senhor dos anéis, é bastante comum encontrar Orcs, Elfos, Espadas, arcos, anões rabugentos, magos, feitiços etc, mas esses jogos não se resumem a isso. Temos também, vampiros, implantes cibernéticos, viagens no tempo e todo e qualquer cenário que o jogador seja capaz de imaginar.

No caso dos RPG’s eletrônicos a coisa é um pouquinho diferente, pois o limite da imaginação dos criadores passa também pelo limite na capacidade de programação, o que acaba por limitar as escolhas possíveis e, de certo modo, não há interpretação da mesma forma que em um RPG de mesa. Mesmo assim, com o avanço das tecnologias os mundos tem ficado cada vez maiores e as possibilidades tem crescido exponencialmente. É aqui que começa nosso problema.

Tela genérica da criação de persoangem
Tela genérica da criação de persoangem

Hoje em dia as possibilidades durante a criação de um jogo são muito maiores do que a poucos anos atrás, no entanto (em geral) os RPG’s seguem uma mesma fórmula, que seja quase a funcionar como uma cartilha: Crie um personagem fraco, cumpra missões, mate inimigos, receba recompensas, suba de nível, aumente poderes, cumpra novas missões, mate inimigos mais fortes, receba recompensas mais valiosas, suba mais níveis e assim por diante.

Não vou discutir se a fórmula é boa ou não, mas é só isso? Será que em todo jogo de RPG precisamos vasculhar os cantos de todas as salas em busca por peças de ouro, dinheiro, itens poderosos ou coisas do tipo? Precisamos da eterna fórmula de subir de nível, ganhar poderes e armas mais poderosas?

Jogando Mass effect recentemente eu me questionei: “se sou um grande comandante, tentando salvar o universo, por que preciso procurar por dinheiro em escombros de planetas distantes? Por que preciso disso para comprar armas que já deveriam estar a minha disposição?” Parece simples, mas no fundo é a mesma fórmula de sempre, mas com uma roupa diferente. Não que o jogo seja ruim ou algo assim, mas é isso que define um RPG?

Sei que também há a parte da tomada de decisões, finais diferentes e possibilidades não encontradas muito facilmente em jogos antigos (apesar de isso existir sim em diversos jogos), mas precisamos disso nos RPG’s? Por que não podemos fazer mais jogos em que o final é uma catástrofe? A morte não poderia ser melhor explorada nesses jogos? Afinal, o que define um RPG, é sua mecânica ou sua possibilidade real de interpretar um personagem?

Coincidentemente saiu no omelete um trecho de entrevista do diretor do projeto por trás de Beyond Two souls, David Cage, em que ele diz justamente que o jogo não terá tela de game over. Segue um trecho da matéria presente no site:

“Eu sempre achei que o game over indica mais falhas do designer do que do jogador”, disse Cage. “É como dizer ‘Você não jogou da maneira que eu queria, então será punido e obrigado a jogar de novo até fazer o que eu quero.’ Em um game de ação, eu entendo, já que é preciso ter habilidade. Mas em uma experiência focada na história isto não faz sentido algum.”

Ainda espero por mais ousadia nos jogos futuros e que as receitas de bolo não sejam eternamente reproduzidas, abrindo espaço para novidades. E acima de tudo, que os jogadores estejam preparados e abram suas cabeças ao novo, afinal não é ficando na zona de conforto que iremos nos desenvolver.

Gustavo Nogueira de Paula

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Jogos para crianças

Que os jogos de videogame muitas vezes são tidos como “para crianças” todo mundo já sabe. Mas o que isso representa e quais jogos as crianças realmente jogam? Essas duas perguntas irão pautar esse post, que talvez surpreenda alguns.

O que define um jogo como "para crianças"?
O que define um jogo como “para crianças”?

Dizer que um jogo de videogame é para crianças é, em primeiro lugar, um erro bastante grave, visto que a idade média de seus jogadores é superior a 25 anos. Em alguns países maior ate do que 30 anos. Se levarmos em conta a idade média de quem compra os jogos então essa média pode ser ainda mais elevada.

Além disso, isso é dito numa tentativa fracassada de diminuir algo. O adjetivo “para criança” remete a algo simples, ingênuo, bobo e até mesmo ruim (para um adulto). Tal afirmação é carregada de preconceito, basta olharmos para a importância dos jogos no desenvolvimento de qualquer indivíduo, são inúmeras pesquisas relacionadas a isso. Temos também a literatura infantil, por exemplo, que não se torna pior pelo fato de ser destinada a crianças. E não me refiro apenas a Harry Potter ou a Turma da Mônica, mas a toda uma gama variadíssima de livros, livretos e revistas voltadas ao público mais jovem, mas sem perder sua qualidade, contando também com áreas acadêmicas específicas para pesquisá-las.

Agora um fato curioso (que inclusive me fez pensar aqui na possibilidade de realizar uma pesquisa mais profunda a respeito), nós realmente sabemos o que as crianças estão a jogar atualmente?

Acredito que a essa altura todos saibam que trabalho com crianças, em um programa de educação não formal. Durante o dia de trabalho é bastante comum conversar com as crianças sobre os mais variados assuntos. Como eles sabem que gosto de videogames eu acabei virando uma referência para eles nesse assunto. De walking dead a Team Fortress 2 eles adoram contar suas proezas e novidades.

Até aí nada de novidade, mas um fato me chamou a atenção: a maioria esmagadora dos meninos tem como jogo favorito (ou pelo menos um dos grandes favoritos) Call of Duty, sendo o mais novo sempre o mais jogado. Eles sempre vem me contar que jogaram Black Ops 2 com grande empolgação. Eu mesmo nunca joguei, nem pretendo jogar num horizonte próximo, mas eles adoram. Pra quem não sabe CoD é um jogo de guerra, bem aos moldes americanos, sendo muitas vezes o terror dos pais e educadores e a diversão do pessoal do exército.

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Antes de ser criticado eu sei que se trata de um empirismo nada estruturado, mas sim de apenas algumas conversas com as crianças, mas isso não deixa de chamar minha atenção. Não sei exatamente o que pensam ou entendem sobre esse jogo (Call of duty em geral, sem nenhum episódio em específico) e, associando o início desse post, o quanto CoD é realmente simples de compreender (em termos ludológicos) visto que crianças bem novas conseguem jogá-lo sem dificuldade.

Seria CoD um jogo para crianças? Os produtores pensam nesse público quando estão criando o jogo? Afinal, o que é um jogo para crianças?

Atualmente não sei responder essas questões, mas esse é um blog questionador e não apenas “respondedor”. Pense bem antes de disparar que um jogo de videogame é feito apenas para crianças, pois isso pode esconder muito mais do que você imagina.

Gustavo Nogueira de Paula