Crítica Mass Effect

Mass effect é uma trilogia que conquistou fãs dedicados ao redor do mundo, se tornando um daqueles jogos que ocupa lugar verdadeiro dentro dos corações dos jogadores. Tempos atrás recebi em mãos os três jogos e me empenhei em terminar cada um deles para aí sim construir minha crítica. Foram aproximadamente 30h de jogo em cada um, mas agora me julgo mais capaz de discutir tudo aqui pelo qual passei nessas 90h. Não irei falar especificamente de cada jogo, ou seja, minha crítica não será primeiro sobre mass effect 1, depois o 2 etc. Irei abordar o universo de mass effect como um todo e, quando julgar necessário, apontarei para algo que se destaque em cada um dos jogos.

Mass_Effect_Trilogy

Para aqueles que gostariam de informações mais detalhadas sobre o jogo, ou ainda, cada um dos jogos, vale mais a pena buscar em grandes sites, como uol/jogos ou até mesmo wikipedia, pois como sempre digo, o intuito desse blog é debater e criticar aspectos gerais, baseados principalmente em minha experiência enquanto jogava.

Quando iniciei a saga, criando meu comandante Shepard, percebi que tratava-se de algo realmente diferente, não são apenas mais um joguinho bobo desses que encontramos por aí. Decisões tomadas durante os diálogos normalmente fazem diferença real no decorrer do jogo, os personagens são bastante profundos e apresentam muita personalidade, sobretudo o queridinho dos jogadores, comandante Shepard.

Esses detalhes chamam a atenção de forma bastante positiva, pois cada um dos NPC’s apresenta motivações, anseios, medos e histórias bastante singulares. Mas nesse ponto há também uma pequena dose de heroísmo um pouquinho forçado. As vezes vemos a bordo da nave raças que se odeiam e que estão em guerra, vivendo harmonicamente, sem influir pesadamente em decisões, sem querer matar o colega, enfim. Isso até acontece em mass effect 2, mas tão pouco que parece até que foi colocado lá para cumprir com a obrigação de fazer isso. Apenas um detalhe, mas que pode ser mais trabalhado no futuro.

De qualquer forma, apesar da história bem contada e de alguns bons personagens, confesso não ter entendido o porque de tanto sucesso da franquia ao terminar mass effect 1. Mesmo com momentos carregados de carga emocional, uma ficção científica interessante e um jogo razoavelmente longo, não me senti tão cativado. De qualquer forma, fiquei bastante curioso para continuar e iniciar logo o segundo jogo da série.

De início, decepção. Não porque o jogo se mostrou ruim, mas pareceu que o jogo foi escrito pelos fãs e, nesse aspecto, imagino que tenha um pouco das garras da EA por trás disso. Logo nos primeiros minutos do jogo sua nave é destruída, você morre e tudo vai pelos ares, do nada, causado por um inimigo que sequer existia no primeiro jogo. Causa a impressão de que pretendiam começar tudo do zero, com companheiros novos e uma situação nova, sendo que para isso a solução foi destruir tudo conquistado no primeiro jogo, levando o jogador a estaca zero novamente. Bastante desnecessário.

Seguindo pelo jogo, mass effect 2 se mostra ainda mais político, são novos personagens (igualmente carismáticos), novos poderes e uma mecânica mais interessante. O enredo se aprofunda mais e ganha ares mais épicos, crescendo ao longo do tempo. A partir desse momento a série começou a mostrar seu real valor, se desenhando para um desfecho interessante no terceiro jogo. Aí, novamente a decepção.

Shepard passa boa parte do segundo jogo tentando montar um grupo, uma equipe que o ajude em seu grande objetivo de destruir os Reapers e no final ele diz que finalmente conseguiu um verdadeiro time, sendo que a animação final mostra exatamente isso. Mas o que acontece no terceiro jogo? Novamente tudo volta ao zero. Seu time desapareceu, sua nave está diferente e Shepard está praticamente sozinho outra vez. Sei que há um DLC que “explica” tudo isso, mas não dá para obrigar o jogador a comprar um conteúdo para explicar algo tão importante para a história do jogo e isso foi bastante vergonhoso.

As últimas 30 horas são as mais intensas: acordos políticos, negociações, raças discutindo, reapers atacando e tiro para todos os lados. Realmente mass effect 3 é bem dinâmico, com gráficos mais avançados e diálogos bem mais pesados. Aqui suas decisões influem mais e faz com que o jogador preste bastante atenção e pense primeiro antes de sair apertando os botões, pois não da para chorar depois.

O enredo se mostra muito envolvente, sobretudo nos pequenos detalhes. A forma como as raças evoluíram, a questão do Mass effect, ciclos universais, enfim, um prato mais do que cheio para quem gosta de ficção científica e teorias sobre a vida. Para mim reside nesse ponto os aspectos mais interessantes de mass effect e que o diferencia da maioria dos jogos. Isso e os personagens bem construídos.

Apesar de alguns apelos emocionais muito forçados ao longo do ultimo jogo, a sequencia final é bastante bonita e também comovente. Tudo se converte, todos estão em busca do mesmo objetivo e há um diálogo final marcante. Quem jogou as 90h de mass effect com certeza irá se emocionar com esse diálogo e também se surpreender, pois ele é realmente bom e fecha a saga com muita dignidade. Na verdade, esse final até chega a justificar muitos dos problemas que surgem no decorrer dos jogos.

O polêmico final não foi nada polêmico para mim, mas vale lembrar que vi apenas o final “novo”, editado pela Bioware. Não sei como era o primeiro final, mas o que vi foi muito bonito e bem feito. São nesses minutos finais que o jogo mostra sua força e traz a tona o envolvimento dos personagens com o jogador.

Mass effect tem muitos méritos, ao mesmo tempo que tem muito a cara da EA, que toma decisões absurdas e faz os jogos baseados demais em pesquisas de mercado.  Para um RPG isso pode ser complicado. Um jogo cativante, que em geral faz com que os jogadores se envolvam de forma intensa com s personagens, apesar disso não ter acontecido tanto comigo, se realizando mais no final do jogo. Aqueles que não gostam de ficção científica ou jogos futuristas devem passar longe, mas quem busca por um RPG ambientado nas galáxias irá se deliciar aqui.

Ame ou odeie, mas mass effect está aí e não duvide que ele irá ganhar uma sequencia na próxima geração de consoles.

Gustavo Nogueira de Paula

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5 comentários sobre “Crítica Mass Effect

  1. Olha, sou um apaixonado pela serie, apesar de não ter ido muito com a cara do primeiro, principalmente pela jogabilidade, e o fato de ter jogado bem depois da data de lançamento, algo que influencia muito pra julgar. Quanto ao final da serie, vi o normal e o “editado” que, honestamente, não tem muita diferença não, acho que, a polemica veio por 2 fatores, o primeiro, é que vivemos na geração do mi mi mi, com acesso a mídias sociais e tudo mais, a galera grita e faz um estardalhaço por algo quando não é exatamente como o esperado, e o segundo, pra mim, foi o fato da galera encarar Mass Effect como um jogo de “escolhas”(tipo Heavy Rain) quando, na verdade ele é um jogo pra mostrar um mundo ficção cientifica espacial, que é absurdamente completo, com personagens secundários carismáticos(poxa até a sua secretaria na nave, que não serve pra “nada” ou a doutora, são muito bem construídas) e, por esse prisma, o jogo é incrível!!!

    1. Gustavo de Paula

      Bom comentário Eduardo, ampliou o post! Concordo bastante com o que você disse, sobretudo o final. Não estamos jogando Heavy Rain, mas sim um jogo de ficção espacial! Até mais, obrigado pela participação!

  2. Lucas Rosa

    Cara, acho Mass Efect sensacional principalmente na carga dramática e no carisma dos personagens. Ouso dizer que o protagonista é sem dúvida um dos personagens mais carismáticos da atual geração.
    Quem não jogou jogue, se dedique e terá muitas horas de história bem contada e quanto ao final, também acho que ele não merece este mimimi todo. Aliás, acho que o jogo tem sim um final diferente e justificável pelo tamanho do desafio que a trama passa para o jogador.

  3. Marcelo

    Não concordo! A historia não transcorreu como vc queria ai vc cririca!!! Os pontos que vc atacou não são defeitos apernas não são como vc queria!

    1. Gustavo de Paula

      Oi Marcelo, desculpa pela demora, mas fiquei distante do blog pro muito tempo. Eu adoro Mass Effect, mas achei que eles não respeitaram muito os fãs mais fervorosos. Particularmente acho o melhor RPG que joguei no PS3, sem sombra de dúvida. E no fundo, a gente sempre critica aquilo que não gosta de alguma maneira, não deixa de ser uma opinião pessoal. Inclusive, pode discordar a vontade, pois assim conseguimos debater e evoluir. Obrigado pelo comentário

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