O que os filhos devem jogar?

Volta e meia algumas situações se repetem quando nosso assunto são jogos de videogame. Lançamentos, novos consoles, arrecadações milionárias e, como não poderia ser diferente, o famigerado papo sobre violência, que trago a tona mais uma vez, como sempre um pouco a contra gosto, mas dessa vez com um tom diferente.

Existem duas perguntas que praticamente já fazem parte do meu dia dia, seja lá onde eu for e com quem eu converso. Se digo que estudo/escrevo sobre videogames essas questões provocativas sempre vem à tona, normalmente uma na sequencia da outra. Em muitos casos (talvez na maioria) elas não são deita de forma pejorativa, mas por desconhecimento ou curiosidade mesmo.

Em meu trabalho diário com as crianças não é difícil lidar com situações desagradáveis, como brigas, ofensas e todo e qualquer tipo de conflito. Normal, afinal se tratam de crianças, que estão justamente aprendendo sobre a vida e sobre o mundo que as cerca. Na esmagadora maioria dos casos uma boa conversa resolve as situações e logo os envolvidos voltam a brincar alegremente. Porém, acontece de algumas vezes a situação se repetir, ou tomar ares mais graves e uma de nossas ações enquanto educadores é alertar aos pais/responsáveis sobre o ocorrido, convidando-os para conversar conosco em nossa sala. Quando o problema foi uma briga ou um caso de bullying, a pergunta já vem de forma quase ensaiada “Será que isso não é por causa dos joguinhos que ele tem? Eu já proibi todos jogos de guerra, zumbi…”

Os jogos não batem nas crianças, já determinadas pessoas não podemos dizer o mesmo
Os jogos não batem nas crianças, já determinadas pessoas não podemos dizer o mesmo

Não vou culpar os pais, normalmente desinformados, por se preocuparem com seus filhos e me perguntarem algo desse tipo, mas parece ser tão mais fácil culpar um jogo eletrônico (que não pode se defender das acusações) do que treinar um olhar mais amplo sobre a educação das crianças.

Daí surge a segunda questão “Mas você deixaria seu filho jogar todos esses jogos?”. A resposta é, claro que não. Em nenhum momento eu disse ou digo que todo e qualquer jogo pode ser jogado por qualquer um. Os enredos e as ações normalmente são adultos e exigem maturidade, sobretudo para que sejam melhor aproveitados. Uma criança jogaria Bioshock Infinite apenas com um “joguinho” de tiro e perderia a grandiosidade do enredo e do cenário do jogo, que aborda conflitos interessantíssimos. Alguém vai sair por aí matando empresários ou se jogando em cabos de aço após ter jogado Infinite? Provavelmente não, mas de que adianta jogar uma obra prima dessas sem aproveitar o que ela tem de melhor?

Isso sem contar a gama variada de jogos voltados para crianças e jovens, que com certeza fazem/fariam sucesso se fossem levados para dentro de casa. Mas talvez seja muito exigir que o atarefado pai, que trabalha 40h por semana (ou mais), arruma a casa, cozinha etc ainda se informe sobre jogos etc. Ou será que não?

O belíssimo Bioshock Infinite
O belíssimo Bioshock Infinite

Deve-se compreender que alguns conteúdos apresentam mais do que a simples violência física, tão temida, mas também situações psicologicamente estressantes, que podem sim tirar um pouco do sono dos mais novos e até mesmo elevar a tensão a níveis que os pequenos ainda não sabem lidar muito bem. Isso claro, desde que joguem sozinhos e/ou sem orientação. Novamente aqui um puxão na orelha dos pais, educadores etc.

Sobre isso, vale a pena ler a sensível entrevista publicada pela Kotaku sobre um vendedor que diz ter vendido cópias demais de GTA V para crianças.

Ainda continuo achando que essas perguntas não irão diminuir num espaço curto de tempo, mas espero que cada um que ouça a resposta seja um multiplicador e leve a mensagem adiante. Não temam os jogos, apenas façam com que eles não sejam o único responsável pela educação e vida social das pessoas.

Gustavo Nogueira de Paula

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