P$4000,00

Vai se aproximando o fim do ano e com ele o natal, que traz consigo mais do que seu sentimento forçado de união e fraternidade, mas também seu verdadeiro espírito (pelo menos atualmente), o das compras e entrega de presentes.
Nada mais adequado então do que lançar uma nova geração de consoles de videogame nessa época, isso é bastante compreensível. Estão todos ansiosos para colocar as mãos e conferir de perto as novidades tecnológicas, ávidos a colocarem de lado e aposentarem o velho companheiro de jogatina, em busca de novas emoções. As propagandas são muitas e o potencial é imenso, tanto de vendas quanto de avanço nas narrativas.
Tudo caminhava perfeitamente, até a Sony anunciar o preço de seu novo brinquedo no Brasil, os famigerados R$4000,00 ou apenas R$3999,99. Mas se você pensa que este post vai ser mais um daqueles a massacrar esse valor e dizer que a Dilma não gosta dos jogadores brasileiros, sinto desaponta lo, pois sigo por outro caminho.
Antes de começar esse debate adianto que sim, trata se de um preço abusivo e descabido, porém este não é meu foco, mas as reações dos jogadores brasileiros.
As redes sociais se tornaram um mar de lamentos e gritos desesperados, dizendo que assim o país não vai pra frente e que os políticos só sabem cobrar impostos, aquela coisa toda. Parece que todos são entendidos de politica, tanto financeira quanto social, quase da orgulho de observar os murais do facebook, mas a realidade não é bem essa e sabemos disso. A grande verdade é que ainda temos uma maioria de jogadores mimados e despolitizados.
A reclamação pelo preço é justa e válida, sendo que o Brasil realmente tem uma carga tributária terrível, mas é muito choro para pouca atitude.
Preço de videogame não é prioridade num país em que ainda existem milhares de pessoas abaixo da linha da pobreza. Não é prioridade num país em que pessoas morrem por falta de atendimento médico básico, não é prioridade num país em que falta saneamento básico a estados praticamente inteiros, num país com péssima distribuição de renda, num país que possui um sistema burocrático e corrupto, num país em que educação não é prioridade, num país que ainda destila preconceito, muitas vezes escancarado nas mesmas redes sociais em que as pessoas tentam se mostrar tão inteligentes e cults, num país violento e machista. Não, preço de videogame ainda não é prioridade.
Da noite para o dia o PlayStation 3 se tornará uma velharia e os jogadores mimados reclamam de não poderem atualizar suas máquinas de diversão. Sinto muito lhes dizer meus caros colegas, mas essa reclamação toda me parece coisa de criança quando faz birra, pedindo para a mamãe lhe comprar um brinquedinho novo.
Se o preço é abusivo, reclame, aguarde, continue com seu ps3, ele não se transformará em algo ruim, fique tranquilo. Mas reclame com a mesma intensidade de problemas mais urgentes que encontramos por aqui. Vote com consciência, seja critico, estude, leia, se informe e participe de outros debates, de preferência sobre questões que envolvam algo que vá além de sua sala de estar. Informe se sobre outros problemas e aproveite para refletir se seu entorno é assim tão perfeito para que você possa reclamar sobre o preço de algo que sequer foi lançado. Seu ps3 estará ansioso pela sua volta, após seu discurso de ódio, que tenta ser politizado e com frases do tipo “acorda Brasil”.
Minhas pesquisas e críticas vão ficar defasadas? Com certeza, mas estudar videogames vai muito além de apenas ficar ligado a novidades e estar “antenado” com o mercado.
Fique tranquilo meu chapa, a vida vai continuar caminhando

Gustavo Nogueira de Paula.

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