Jogo social, não casual

Eles estão por toda as redes sociais e espalham como gremlins tomando banho de chuva.  Por semana são inúmeros convites para baixar, instalar ou simplesmente fazer parte de algum dos tais jogos sociais. De colheita feliz a jogos de guerra eles se tornaram populares, rentáveis e crescem cada vez mais. São simples e fáceis de jogar, mas não são nada inocentes. Afinal, jogos sociais são casuais? Para mim não, eis o porque.

Jogos sociais

Começando pelo começo, os convites insuportáveis e constantes para jogar algum desses jogos. Voluntariamente ou não os usuários enviam esses pedidos aos montes, que incomodam muito, mas ao tempo divulgam a marca e conseguem sim atrair vários novos jogadores. Isso sem contar que a ideia de competir com aquele seu colega de trabalho para ver que tem a fazenda mais verdejante e rentável atrai a curiosidade de muitos.

Essa curiosidade é bem respondida, pois os  jogos são de apresentações e interfaces bastante amigáveis, que não assustam os jogadores que não estão acostumados a apertar vários botões simultaneamente e ficar constantemente entre o fio da vida e da morte nos jogos em geral. É tudo muito bem esclarecido, as regras são tranquilas e a forma com que tudo isso é levado até o jogador beira o jogo pedagógico.

Tudo muito divertido, não fossem as estratégias escondidas que pegam os mais incautos sem com que eles percebam. Normalmente esses jogos funcionam em um tempo diferente da maioria dos outros de que normalmente falo por aqui. Se você coloca uma cenoura pra crescer em sua fazenda ela leva 16h para ser colhida, por exemplo (exemplo tirado da cabeça, não sei se há cenouras na fazenda, muito menos o tempo que levaria para ser colhida). Para a maioria das pessoas 16h é muito tempo e não há muito que se possa fazer para acelerar isso, a não ser que você gaste “moedas da fazenda”* para adiantar o processo.

Provavelmente todo jogador deve começar com algo em torno de 5 moedas da fazenda, sendo que dessas 5 o jogador deve gastar duas ou três durante o tutorial do jogo. Daí em diante existem algumas formas de conseguir moedas da fazenda: jogando diariamente, desbloqueando conquistas ou “missões” e, a principal delas, pagando. Compra-se moedas que fazem de tudo nesses jogos (moedas, rosquinhas, notas, estrelas, cada jogo é de um jeito). são baratinhas, poucos reais ou dólares que fazem a felicidade de muita gente e que garantem as cenourinhas sendo colhidas em segundos ao invés das lentas 16h, o que lhe confere o poder de zombar a vontade de seus amigos atrasados e sem colheita alguma. Ou mais divertido ainda, você pode pagar para jogar uma praga na fazenda alheia. Aí sim é diversão certa.

colheita-feliz

O que fica oculto e passa quase desapercebido são as micro transações financeiras e o roubo constante de informações sobre o perfil do usuário. A premiação pela jogatina diária e a acessibilidade desses jogos faz com que as pessoas fiquem conectados a ele o dia todo e aquilo que parecia ser casual se torna bem mais hard core, semelhante a CoD etc, guardada as devidas proporções. Com adultos isso até poderia ser mais controlável, mas e com as crianças, que mal entendem o valor real disso tudo?

Não sou contra esse tipo de jogo, apesar de não gostar deles e não possuir nenhum, mas eles são bem menos inocentes do que aparentam. Portanto tome cuidado antes de aceitar qualquer tremo de contrato, plantar alguma cenoura ou comprar alguma moeda, pois é um caminho mais longo do que se pode imaginar.

Gustavo Nogueira de Paula

*nome genérico que dei para esse tipo de item dentro do jogo

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