A autoria dos jogos

Se eu perguntar agora, sem pesquisar na internet, quantos produtores/diretores de jogos você conhece? Sid Meier, Shygero Miyamoto, Hideo Kojima, John Carmack, Ken Levine… Pensando mais um pouco provavelmente me lembraria de outros, mas não aumentaria tanto assim a lista.

Doom1

Agora mude a pergunta e tente se lembrar das empresas que produziram cada um dos seus jogos favoritos. Com certeza dá para se lembrar de todas, afinal seus nomes aparecem no início e no final dos jogos (até em outros momentos). Excetuando os créditos finais, que na maioria das vezes passa batido (em alguns casos da até pra pular), o jogador não tem ideia de quem fez cada jogo.

Cheguei a esse tópico após reler alguns artigos e textos acadêmicos sobre videogames, incluindo aqui minha própria dissertação. Na citação dos jogos aparece apenas o nome da empresa e o ano em que foi produzido. Por exemplo

 

IdSoftware, DOOM, 1993

 

A propriedade intelectual é toda de quem bancou o jogo e não das mentes criativa por trás dele. É óbvio que seria impossível colocar o nome de todos os envolvidos durante a produção, mas não há sequer um líder, um diretor ou algo assim.

Há até certa melhora com a divulgação de informação facilitada através da internet e também devido as produções independentes de jogos, mas não deixa de ser estranho não ter ideia de quem está por trás de cada trama, de cada novidade, de cada conceito naquilo que jogamos. Seria como citar um livro pela editora e não pelo autor.

Quando citamos um filme o nome do diretor (ou diretores) está lá constando, mas esse não é o caso dos jogos. Não sei bem o porque disso, mas associo a falta de credibilidade que os jogos ainda possuem, sendo visto mais como produtos do que como arte, história ou qualquer outra coisa nesse sentido. Pode até parecer um detalhe pequeno ou um preciosismo exagerado, mas não vejo dessa forma. Creio ser fundamental que num futuro próximo os créditos de cada jogo sejam dados a quem concebeu a ideia e a executou e não apenas a seus mecenas.

Imagine num futuro não muito distante, um pai ou uma mãe indo com os filhos até um museu e dando de cara com um Nintendo. A criança pergunta quem fez aquele personagem, o pai lê na plaqueta ao lado “Mario – Nintendo”. Um pouco deprimente e também depreciativo. Sou a favor de um movimento que valorize a autoria nos jogos, de forma mais clara e justa.

Gustavo Nogueira de Paula

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