Portal 2 e Mass effect 3, casos antagônicos

São dois jogos populares, bem avaliados, que venderam bastante e que tem fãs mais do que fervorosos, alguns quase fanáticos. Ambos são multi plataformas, premiados e realmente adorados pelos jogadores. Mas há uma diferença incrível entre os dois: a forma com que tratam seus jogadores, o respeito.

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Portal 2 é a sequencia de um jogo “quase” experimental, lançado pela Valve em sua Orange Box e, sinceramente, não sei se esperavam por tanto sucesso. Acontece que trata-se de um jogo excepcional, cujas qualidades já cansei de falar por aqui. Porém, Portal não se resume apenas a ser um jogo brilhante, pois a forma com que o conteúdo é entregue a seus jogadores é incrível, premiando aqueles que resolvem ir a fundo nesse ambiente/cenário estranho e misterioso. Aqueles que buscam por informações, que observam atentamente cada canto dos locais, que ouvem todas as palavras ditas e que discutem nos fóruns espalhados pela rede acabam se deliciando ao perceber que fazem parte de uma trama ainda maior. O caso dos rádios, anterior ao lançamento de Portal 2 é uma das estratégias mais brilhantes que já vi para anunciar um jogo, aproveitando alguns bons conceitos transmídia e alimentando a curiosidade dos jogadores.

Já Mass effect 3 é o fechamento de uma série também cultuada, que chega a ganhar contornos épicos conforme vamos nos aproximando de seu final. Um RPG futurista com um cenário ricamente detalhado, explicado e explorado ao limite, com muita informação aos jogadores. Conteúdo não falta e aqueles mais interessados passaram horas lendo, estudando e aprendendo mais sobre cada raça, região e tecnologia presente em Mass Effect. Tudo seria ótimo, se não fosse o final desastroso que esse jogo apresentou.

Quando escrevi sobre a série Mass Effect não vi problemas no final do jogo e não compreendi bem os motivos de tantas reclamações por parte dos jogadores. Falha minha, apesar de admitir ser difícil tornar-se especialista em todos jogos dos quais realizo críticas. Várias informações descritas nos apêndices do jogo me passaram batidas e não pude perceber o quanto a EA desrespeitou seus jogadores ao apresentar um final sentimental. Explicando melhor:

Segundo informações presentes no próprio conteúdo do jogo, os acontecimentos presentes no final destruiriam todas as civilizações presentes ao longo da história. Aqueles jogadores que se dedicaram, leram e compreenderam todos os codex ficaram furiosos ao ver que o final ignora tudo isso. Não fazem diferença as escolhas que o jogador tomou ao longo de todo o jogo, no final tudo ficaria para trás, sendo destruído. Trata-se de um desrespeito imenso por parte dos produtores, por “punirem” justamente os jogadores que mais dedicaram tempo e esforço ao jogo. Informações mais detalhadas podem ser encontradas nessa matéria da Kotaku.

Final expandido, problemas não muito resolvidos
Final expandido, problemas não muito resolvidos

Não vou ficar aqui defendo uma empresa e agredindo outra. Acontece que, mesmo que seja para ampliar as vendas e obter mais lucros, é possível entregar uma experiência mais completa e mais digna aos jogadores, sobretudo aqueles mais dedicados, que apreciam cada mínimo detalhe dos seus jogos favoritos. Não a toa Portal 2 é considerado uma obra prima, sendo que Portal está presente no acervo do Museu de arte moderna em Nova Iorque. Isso não acontece toda hora, nem com todo jogo, nem com toda obra.

O exemplo de Mass effect 3 pode ajudar nas próximas produções. Não dá para disponibilizar conteúdo e depois ignorá-lo. A tarefa é difícil? Com certeza, mas é nesse ponto que se separa as produções brilhantes daquelas boas e médias.

Com o crescimento da internet e das ferramentas de comunicação, fica ainda mais evidente o esmero que os produtores, roteiristas e designers precisam ter na criação de jogos. Infelizmente, Mass effect não possui o final que merecia, mas vai ficar na memória de muita gente, contribuindo para que tais erros não se repitam mais.

Gustavo Nogueira de Paula.

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2 comentários sobre “Portal 2 e Mass effect 3, casos antagônicos

  1. Talvez o Mass Effect seja o exemplo clássico de quando se vende um produto mais do que o esperado, a ânsia do mercado e o desespero da indústria pra aproveitar a onda de vendas faz com que detalhes tão bem desenhados na primeira versão fiquem de lado no fechamento, há vários casos assim em outras mídias como livros, televisão, filmes… Portal 2 acho muito louco, louco mesmo, porque pra jogar sozinho isso o cara tem que ter a cabeça boa pra aguentar a solidão do jogo.

  2. Gustavo de Paula

    É um exemplo clássico mesmo de tentar trocar a roda do carro em movimento. O primeiro fez sucesso? Vamos fazer o segundo e o terceiro, mas há competência para realmente fazer tudo isso?

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