Jogos vorazes, o filme que é jogo

Os blockbusters americanos são feitos para muita coisa, de vender ideias a produtos, corpos e atitudes, até relaxar trabalhadores cansados com histórias banais e explosões, eles estão presentes constantemente no cinema. Alguns são de qualidade ainda mais questionáveis do que outros, mas isso não vem ao caso nesse momento. Acontece que num desses dias de cansaço resolvi assistir a algo que exigisse pouco do meu pensamento, mas que ao mesmo tempo não fosse um super herói bobo da Marvel ou da DC comics. Foi aí que me arrisquei em “Jogos vorazes”. Em uma semana assisti os dois filmes lançados até o momento. Foi notória a identificação com o estilo do filme. Vejamos mais de perto.

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De início aviso que não, eu não li os livros e sei que isso pode fazer significativa diferença no modo com que vejo os filmes, mas o o foco aqui não é esse. O foco é abordar o filme mesmo, mesmo que em vários momentos isso toque na história presente nos livros etc.

Jogos vorazes é um jogo, pura e simplesmente. Isso tem seu lado “bom” e sue lado “ruim”. A história é muito pouco descrita (ok, não li os livros), ou seja, onde as coisas acontecem, porque são daquela forma, quem são aquelas pessoas e todos os “porques” possíveis não existem. Mas ao mesmo tempo, “não importam” tal qual um jogo. O que importa é a ação e o que acontece a partir dela. A divisão dos personagens é óbvia: Chefão, NPC’s de ajuda, o especialista em machado, especialista em disfarce, especialista em arco, especialista em luta desarmada, especialista em nada etc. As roupas e o todo figurino também seguem por essa linha, assim como o cenário majoritário do filme, uma grande arena de luta. Porém, o que mais aproxima de um jogo é a questão da morte. Não há argumento, nem possibilidades, a vitória e o sucesso vem da morte dos oponentes.

Os movimentos, as falas, os desafios completamente sem pé nem cabeça poderiam fazer com que o filme não tivesse sentido algum. E com certeza não tem. Mas ele é feito como um jogo e, nesse caso, faz todo sentido, pelo menos para os jogadores. A forma com que magicamente surgem névoas mortais ou cachorros famintos não precisam de explicação, elas estão lá apenas como desafio e é assim que funciona nos jogos, ou pelo menos na maioria deles.

Essa tendência cada vez mais presente em diversos filmes fica ainda mais forte em Jogos Vorazes. Cabe ressaltar que por trás de nossos olhos está toda nossa história, que influi diretamente na forma com que percebemos o mundo, a arte, as pessoas e tudo mais. Sob minha perspectiva as influências são óbvias. Abaixo segue a cena da destruição do campo de força no filme e um pouco do cenário de jogo de Portal 2, com destaque para a reconstrução da Glados. Para mim a estética e a forma são bastante

 

Isso sem contar o Gordon Freeman negro presente no filme

Hunger games
Hunger games

 

Half Life
Half Life

O que importa é que esse é um dos casamentos mais fortes entre filme (provavelmente livro) e jogo já produzidos. Isso tem seus lados ruins e seus lados bons, que em última instância é “bom” basicamente pra cultura jogadora.

Se recomendo o filme fica difícil dizer, mas posso afirmar que ele tem grandes chances de agradar a jogadores, sobretudo os mais tradicionais. Para mim foi um filme para ver, não pensar muito e descansar naquele momento. Interessante pelo estilo e bastante intrigante para quem estuda jogos e cinema. Aos curiosos, não deixem de ver. Aos cinéfilos mais ligados à tradição do cinema clássico, passe longe.

Gustavo Nogueira de Paula

 

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