O voto acima de tudo

É tempo de eleição. Deputado, governador, presidente e senador, todos querem seu voto. O seu e o de todo mundo. Pra conseguirem isso os candidatos são capazes das mais variadas estratégias, sejam elas bizarras, mentirosas, incoerentes ou simplesmente agressivas. Nesse meio do caminho entre o eleitorado e o candidato estão diversos meios, panfletos, discursos, TV, rádio, videogame e a internet, sendo que esses dois últimos são os filhos mais novos a entrarem nessa roda.

Eleicoes

Contudo, estamos em um país com uma Educação que deixa muito a desejar, sendo que não me refiro apenas a diplomas escolares/universitários, pois me refiro também a ignorância política e social. Dessa forma, a internet e os meios digitais se tornaram em muitos os casos o centro das atenções e disseminadores das coisas mais absurdas possíveis.

Até aí nada de novo, pois a internet sempre foi palco para os mais bizarros shows de horrores e, não sei isso pode soar como empirismo demais de minha parte, mas parece que nunca vi tanta gente acreditando em “notícias” e “pesquisas” das mais falsas e preconceituosas que já vi. De foto montagens a falsas declarações, o facebook, Twitter e qualquer rede social se tornaram uma verdadeira aula de disseminação de fofocas e bobagens.

Como se não fosse só isso, o que não falta é candidato metido a descolado, representando uma tal “juventude que clama por mudança”, falando em diminuir impostos para jogos e blá blá blá. Não sei o que me dói mais, se alguém acreditar nisso ou votar por achar isso algo tão vital assim a ponto de doar seu voto a tal candidato.

Coisa séria é difícil de encontrar e as vezes um candidato pode fazer muito mais para os jogos através de incentivos culturais, bolsas de pesquisa, estágios no exterior (Ciência sem fronteiras? vi bastante gente indo estudar jogos lá fora), do que com essas promessas de baixar preço de jogos feito para garotos mimados que acham que “o governo” é muito maldoso com ele que não pode comprar o Call of Duty novo dia do lançamento.

Enquanto isso prefiro ficar com o exemplo do Flappy no duto, paródia do jogo Flappy bird (ou paródia do caso do Propinoduto) em que o jogador tem que guiar seu lindo tucano por entre os túneis do metrô. Uma pena que a maioria dos jovens produtores normalmente não estão muito ligados a causas políticas e acabam reproduzindo os mesmos jogos de sempre com carinhas e botões novos. Mas em tempo de eleição não custa nada lembrar desse belo exemplo de como os games podem ser bem expressivos e, acima de tudo, críticos.

Flappynoduto
Flappynoduto

 

Nada contra um candidato falar de jogos, falar que joga ou qualquer coisa que o valha, mas normalmente isso é só uma forma rasa de se aproximar dos jovens, que tradicionalmente não se interessam por muita coisa (no caso da política, não só os jovens, mas a população como um todo). Como exemplo posso citar esse texto do Estadão como algo bem coxinha a respeito da junção entre games e política.

Quando o assunto é eleição ainda prefiro o esquema a moda antiga: Debates de verdade, propostas coerentes, de preferência voltadas a Educação e ao Social e honestidade. Esse papinho moderninho não me atrai muito. Se for pra aproximar os jovens de verdade da política não tenho nada contra, se for pra ganhar votos, lamento muito. E se for para os jogos entrarem de verdade nesse meio, que seja cada vez mais com exemplos como esse do Flappynoduto.

Gustavo Nogueira de Paula

OBS: Assumo aqui minha veia política e já adianto que sou contra o PSDB e afins

OBS 2: Uma pena que não consegui conferir o jogo do Tucaninho pra dar umas boas risadas e colocar aqui no post tb

Anúncios

Pedágio

Aqueles que costumam viajar pelas estradas paulistas deve estar acostumados ao pagamento de pedágios, a menos que conheçam algum atalho que cruze por dentro de canaviais e usinas de álcool. Os valores são bastante altos e as cancelas constantes, bastando alguns poucos quilômetros para dar de frente com alguma delas e não há para onde correr. Quer passar? Então pague!

Apesar da aparente desconexão com os videogames, a ligação entre esses dois temas é mais comum e óbvia do que parece, sobretudo no mercado mobile.

Sempre fui acostumado a jogar nos consoles ou no pc e nunca dei a devida atenção para jogos de celular etc. Um pouco por não ter um celular que suportasse isso e um pouco por não me interessar por nenhum jogo mobile, fora algum Angry birds, Snake, entre outros ainda menos despretensiosos. Porém, recentemente consegui um celular um pouco melhor e entre as descobertas do novo Windows Phone resolvi me arriscar em algum jogo que fosse além de deslizar o dedo e oferecesse algo a mais.

Order-Chaos-Duels-jogo-windows-phone-gameloft

A lista de jogos é imensa, apesar dos pagos apresentarem qualidade nitidamente superior. Eu não estava disposto pagar nada, portanto procurei por algo que fosse gratuito e bem avaliado. Nisso, me deparei com “Order &¨Chaos, Duels”, jogo de cartas ao estilo Magic (falando de forma bastante simplificada) que era de graça e parecia uma boa pedida.

Bons gráficos, jogabilidade simples e um tema bem construído. Em pouco tempo já estava envolvido e finalmente interessado por algum jogo voltado ao mercado mobile. Além de um desafio interessante a possibilidade de multiplayer e a variação de estilos de jogo provaram pra mim que existe vida divertida também nos celulares.

Pois bem, a diversão estava posta. Mas em pouco tempo as dificuldades começaram a aparecer. A curva de dificuldade deu uma guinada impressionante e em pouco tempo o modo campanha ficou bem complicado. Meus inimigos tiveram um salto nos pontos de vida e suas cartas são muito melhores do que as minhas. Parte disso se devia a minha falta de experiência no jogo e consegui contornar esses problemas parcialmente, apesar deles ainda permanecerem por lá. Como “solução” mágica encontramos a loja de produtos do jogo. Lá podemos comprar pacotes de cartas, itens etc, que nos “ajudam” a ser mais poderosos e capazes de passar pelo modo campanha e derrotar outros jogadores no modo online.

Imagem do jogo durante a batalha
Imagem do jogo durante a batalha

Não tenho nada contra a existência da loja, baseada em micro transações, sobretudo num jogo gratuito. Mas em determinado momento a coisa é bem clara: Ou você paga ou não irá passar daqui!

No caso de Order & Chaos isso nem é tão gritante assim e não cheguei a bater de frente com essa parede, apesar de já ter me irritado algumas vezes, contudo isso é muito comum nesse mercado. Outra forma comum dessa imposição aparecer é através da relação pagamento x tempo. Você constrói um castelo, uma plantação ou qualquer coisa e elas irão levar um mês para ficarem prontas, a menos que você pague R$5 e elas estarão de pé instantaneamente.

Em pouco tempo o jogador já gastou mais do que num jogo “pago”, adquirido na loja. Como sempre digo, em teoria um adulto tem controle sobre isso e deveria ser crítico o bastante para saber o quanto está investindo nisso, mas cobrar essa maturidade de uma criança é algo bem mais complicado, afinal “São apenas R$5,00 e isso não é a mesma coisa do que os R$99,99 que você gastaria comprando um jogo pra mim”. Em pouco tempo esse pagamento se torna uma obrigação e está estabelecido um pequeno ciclo vicioso.

Lojinha!
Lojinha!

Repito, não tenho nada contra as micro transações, mas impor esse “pedágio” é algo que acho terrível, apesar de estar sendo visto como a solução por muitos produtores, que argumentam citando a pirataria, venda de jogos usados etc.

Vamos ver por quanto tempo mais conseguirei jogar Order & Chaos sem ter que pagar. O jogo é bom e espero que não apele dessa forma. Se for assim, quem sabe eu não acabe adquirindo algo, em forma de retribuição a um jogo bem feito?

Gustavo Nogueira de Paula