Fantasia

Algumas coisas são impossíveis de mensurar através dos métodos do qual dispomos hoje em dia. Não dá para medir o quanto uma pessoa ama ou odeia a outra, assim como não se pode medir o efeito que determinado alimento trará, em termos de prazer, às papilas gustativas de quem o prova. Todos sabem, ou pelo menos dizem, que os livros estimulam a criatividade, mas não conseguimos uma medida exata disso, apesar de termos essa certeza. Partindo deste pressuposto, seria possível dizer que os videogames estimulam, ou não, a criatividade do indivíduo.

No início, nem tudo era trevas no meio dos jogos, mas era quase. Os jogos eram de incrível simplicidade e com história praticamente nenhuma. Engraçado, mas talvez a maior criatividade que despertavam era justamente no fato do jogador tentar entender que diabos era aquilo que estava controlando e o que era aquilo que estava tentando matá-lo a todo momento. Mas eles evoluíram e passaram a contar histórias belíssimas.

Quem nave era essa? Quem eram os inimigos? (eu chamava esse de bolacha) e finalmente: Por que no Brasil esse jogo se chamava Mega Mania?
Quem nave era essa? Quem eram os inimigos? (eu chamava esse de bolacha) e finalmente: Por que no Brasil esse jogo se chamava Mega Mania?

Contudo, muitos dizem que, devido (principalmente) a essa evolução gráfica, o espaço para a criatividade do jogador diminui, pois está tudo ali, ao alcance dos olhos. Não há necessidade de descrição pra que o jogador imagine o que está acontecendo, basta ver o que acontece na tela. Imagine só como seria se Resident Evil fosse um conto de Edgard Alan Poe.

O argumento é válido, mas nem tanto. Há sempre algo não contado, não explorado dentro dos jogos e, além disso, os personagens passaram a ser cada vez mais bem desenvolvidos, o que faz com que os jogadores queiram saber mais sobre sua vida, passada, futura, amorosa etc. Isso sem contar as possibilidades que os jogadores possuem de criar seus próprios níveis, fases, aventuras, desafios e tudo mais. Ou então de criar novas roupas, falas, jeitos… Isso não está ao alcance de todos, em termos materiais, mas povoa a mente de muitos.

Porém, trago ainda outro lado disso tudo, com a questão da fantasia. As fantasias criadas pelos jogos muito provavelmente não criam o mesmo efeito em jogadores adultos e em crianças. Quem jogou Mario, lá nos anos 80, como seu primeiro jogo, com certeza olha para os jogos atuais de Mario de forma diferente de quem jogou Mario Galaxy 2 como seu primeiro jogo. O impacto de cada jogo com certeza será muito diferente em cada um desses jogadores. Talvez por isso seja tão difícil avaliar e criticar jogos de épocas diferentes. Alguém seria capaz de dizer que Mario, aquele primeirinho, é melhor ou pior do que Mario Galaxy? Com certeza há vários ângulos e pontos de vista, que enaltecem e criticam ambos os jogos, mas não da para simplesmente fazer uma comparação direta. Seria como comparar cerveja a vinho e dizer que um deles é melhor.

O elemento fantasioso é importante nos jogos e pode ser fator determinante para seu sucesso ou fracasso, por isso não dá para ficarmos com as mesmas histórias batidas de sempre. É importante deixar ganchos para que o jogador se sinta convidado a explorar mais, ir mais longe, buscar por informações sobre aquilo que acontece dentro do jogo. A possibilidade de criar dentro dos jogos também é importante e quanto mais isso for descomplicado, mais os jogos tem a ganhar com isso.

Seja criativo
Seja criativo

Se um jogo estimula mais a criatividade do que um livro, não podemos saber ao certo. O que podemos saber é que eles podem conviver pacificamente e criando na mente dos jogadores as mais belas histórias e fantasias, sejam crianças ou adultos. Torna-se fundamental que os jogos se renovem sempre, não caindo na tentadora armadilha de fazer dinheiro através de inúmeras sequencias sem sentido, pois isso sim poderia ser algo a roubar a fantasia e a criatividade dentro dos jogos.

Gustavo Nogueira de Paula

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2 comentários sobre “Fantasia

  1. Renato

    Interessante, isso é algo que sempre me atraiu, os jogos como narrativa. Eu sempre gostei de imaginar o mundo, o cenário onde o jogo estaria inserido. A internet e suas fanfictions foram muito bem vindas.

    Bem, apesar da tendência à gourmetização, acho que os jogos Indie tem um grande importância em manter esse espaço para experimentação dentro da indústria. Além da fantasia um aspecto que acho especialmente importante é o das mecânicas de jogos.

    1. Gustavo de Paula

      Concordo Renato. Para além da fantasia, a mecânica de jogo é algo fundamental e que os indies podem explorar cada vez mais. Assim esperamos que aconteça!

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