Independência indie

Muito feliz eu anuncio que um texto meu, abordando a questão dos indie games foi publicado pela Revista E, do Sesc! A revista é gratuita e possui grande circulação. Agradeço aos amigos e apoiadores deste humilde pesquisador/entusiasta/blogueiro, além de um agradecimento especial a minha querida Ceci! A matéria no portal do Sesc você pode ler clicando aqui, mas também deixo o texto na íntegra logo abaixo. Boa leitura


Ilustração: Marcos Garuti
Ilustração: Marcos Garuti
Por Gustavo Nogueira de Paula
O rótulo de independente vem sendo frequentemente associado a estilos e formatos artísticos específicos, tornando-se algo ligado a estéticas e estilos de vida que buscam fugir do convencional e até mesmo do popular, numa tendência moderna de voltar àquilo que é feito nas garagens e porões mais escondidos e artesanais possíveis. Porém, antes símbolo de uma arte vanguardista e até mesmo rompedora e desbravadora, o indie vem sendo seduzido a se tornar mais um rótulo descolado do que propriamente algo que não se encaixa no perfil das gigantescas corporações do ramo artístico.Foi com o recente amadurecimento do mercado de jogos e das tecnologias informáticas que o cenário dos indie games mudou e permitiu que interessados pudessem produzir suas próprias ideias e conceitos, sobretudo com o advento dos jogos móbile, em celulares e tablets. Um jogo não precisava mais levar horas a fio para ser compreendido, dominado e finalizado pelo jogador. Passou a ser valorizado o jogo casual, fácil de ser aprendido e jogável por uma parcela maior da população. Era a luz que brilhava para as produções independentes, que não necessitariam mais de milhões de dólares para dar vida a suas ideias.

Contudo, a exemplo de outras mídias e artes, os indie games em sua maioria não se aproveitaram de sua condição de alternativos para criar jogos à sua maneira, ficando o “indie” limitado apenas à questão da distribuição direta ou através de financiamentos coletivos. Parece muitas vezes que o maior desejo é ter seu jogo descoberto pelo público e adquirido pelas desenvolvedoras já consagradas no mercado. Aqueles que poderiam tornar-se independentes dos padrões já estabelecidos e arriscar-se em novas ideias e conceitos parecem contar mais com a sorte de terem seus jogos comprados e baixados viralmente nas lojas de aplicativos online, mas reproduzindo todo o modelo do que já existe aos montes por aí.

São diversas etapas existentes até a confecção do produto final, desde os primeiros conceitos até as sessões de testes, que são longas e complicadas. Cada novo problema encontrado requer muitas vezes uma reestruturação de todo o jogo, algo que consome ainda mais tempo e investimento financeiro. Um problema não encontrado durante o período de testes pode arruinar um jogo após seu lançamento, pois nem sempre isso pode ser corrigido pelas atualizações. Diferentemente das gigantes, para os indies não é tão simples encontrar número significativo de jogadores para a realização de testes e apontamento de críticas.

Foi pensando nessa lacuna e na possibilidade de reconhecimento das produções locais que foi criado no Sesc, em Bauru, o Glitch, game lab, em que produtores independentes de games da região podem apresentar suas produções e disponibilizá-las para testes. Por meio desse encontro mensal é possível que os desenvolvedores se conheçam e conheçam o que está sendo feito no cenário local, além de ser possível exporem suas ideias e projeções futuras, relatando cada etapa do desenvolvimento dos jogos.

Talvez por desconhecimento do que é feito por aqui ou pela relativa simplicidade de muitas das produções, que não contam com os orçamentos gigantescos presentes nos grandes lançamentos mundiais, ainda é difícil encontrar produções locais que sejam bem aceitas pelo público. O investimento em temas que sejam próximos aos brasileiros e sua cultura de modo geral, além do aprofundamento em temas históricos e notícias de relevância nacional poderiam alavancar os jogos feitos por aqui, pois a mera reprodução do que já existe mundo afora pode nos colocar numa posição fora de destaque e que não incentiva os jogadores a buscarem por novas experiências, consumindo ideias e conceitos que não necessariamente sejam de seu interesse. Espera-se, dessa forma, que os indies usem sua força para apresentar algo diferenciado e que elevem cada vez mais o status dos jogos enquanto arte capaz de produzir críticas e contar as mais variadas histórias.
Gustavo Nogueira de Paula, animador cultural do Sesc Bauru.
Mestre em linguistica aplicada pelo IEL – Instituto de Estudos da Linguagem – Unicamp.

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2 comentários sobre “Independência indie

  1. Sou um dos que insistem que videojogos são uma forma de arte e que precisam começar a serem vistos mais através dessa ótica. E queria ter a coragem/paciência que você teve pra fazer um blog falando sobre isso. Parabéns!

    Aliás, existe alguma possibilidade de se dar uma lida na sua dissertação? Achei fabuloso que alguém tenha se debruçado sobre o tema.

    1. Gustavo de Paula

      Olá Thiago. Muito obrigado por participar deste blog. Realmente não é muito fácil mantê-lo atualizado, pois o trabalho e as tarefas do dia dia acabam por consumir muito tempo, mas seguimos na luta.

      Me passe seu email e terei prazer em compartilhar minha dissertação;

      Mais uma vez obrigado

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