Devaneios de consumo

Este texto não sou eu. Foi escrito em primeira pessoa, mas veio de outro lugar, apenas dou voz a ele, sabendo que representa muitos pensamentos. Procure bem e encontrará alguém próximo a você que se sentirá representado e reconfortado com a leitura.

frase-nada-no-mundo-e-mais-perigoso-que-a-ignorancia-sincera-e-a-estupidez-conscienciosa-martin-luther-king-jr-131053


Sempre vejo gente que se acha super inteligente e crítica, no Facebook. Pessoalmente eu quase não encontro essas pessoas e as que encontro são muito chatas, montadas em seus discursinhos politicamente corretos, metidos a comunistas e que sabem o melhor para todo mundo, inclusive eu. Tem gente que vive metendo o bedelho no meu estilo de vida, nas coisas que compro ou que deixo de comprar. Sabe o que mais? Vou falar para essas pessoas: Parem de cuidar da minha vida!

Eu trabalho (ou estudo, no caso de outras pessoas) o dia todo. Acordo bem cedo, pego meu carro, enfrento trânsito até chegar no serviço e fico lá até o fim do dia fazendo tudo que meu chefe pede. Sou um bom funcionário e sei que dessa forma vou subir na empresa e na vida. Quando chego em casa, estou cansado. Tudo que quero é me informar através do Facebook, comer e jogar um pouco, as vezes ver um filme.

Quando vou escolher meu jogo, meu filme, meu livro (esse é mais raro, só quando não tenho nenhum dos outros dois mesmo) não quero nem saber da opinião desse pessoal que se diz intelectual. Eu quero ter uma vida confortável, igual aquelas que vejo na televisão e no cinema. Eu sei que sou pobre. Não sou pobre do tipo que mora em favela, mas não sou rico. Ou seja, sou um pobre, mas acho que sou menos pobre que outros. Só que ninguém gosta de se sentir pobre, mesmo sabendo que é. Eu sou assim. Quero me sentir bem, me sentir parte daquela galera que consome as coisas bacanas.

Na hora em que ligo o videogame e jogo aquele game da moda, eu me sinto por dentro do esquema. Tento reproduzir de forma bem fiel: Arrumo uns salgadinhos, uma Coca e me preparo pra atirar em quem vier pela frente. Não to afim de pensar muito, já passei o dia no trabalho, cansado. Em casa eu não quero pensar, quero atirar. Só que aí você vai conversar com esses seres inteligentes e eles dizem que seu jogo não é crítico, que sou escravo do consumo, que compro qualquer ideia que os EUA colocam na minha cabeça. Só que eu acho que eles só falam isso porque devem ser pobres também, ou porque fingem ser. No fundo eles queriam era morar lá nos EUA também, andar de carrão e ter essa vida de celebridade.

Sem contar que pra mim isso é tudo papo furado. Videogame é videogame, cinema é cinema, TV é TV. Se você não gosta do que tá vendo, é só mudar, não precisa ficar falando isso pra mim, eu não to nem aí para o que você pensa. Se quer assistir seus filmes chatos metidos a cult, jogar seus joguinhos indie, vá em frente, mas não me leve junto com você. Eu quero barulho, porrada, descansar e me divertir. Tem coisa mais gostosa do que assistir Vingadores e ver o Hulk arrebentando com a cara daqueles que querem destruir a Terra? Não quero chegar no final da história e ter que pesquisar em 10 sites e 30 livros para entender as “referências” e conceitos do que aconteceu. Quero terminar a história, recuperar o fôlego e dormir, afinal amanhã tenho que chegar cedo no trabalho, senão meu chefe não me promove. Quem fica reclamando e faz greve deveria era procurar por outro emprego. Isso é coisa de quem não gosta de trabalhar.

Então da próxima vez que for criticar as coisas que eu consumo, saiba que faço isso com muito orgulho. Quero sim me sentir como um consumidor da elite, que vocês tanto falam. Quem não quer? Se não quer, vá morar em Cuba. Não vejo a hora de por as mãos no próximo Call of Duty e de entrar no cinema com um baldão de pipoca para ver o Hulk gritando “Hulk Smash”.

E quando vier me falar que não sou politizado e blá blá blá, saiba que não estou nem aí. Quero mais é chegar em casa e descansar, do jeito que eu bem entender, você não tem nada com isso!


Psicografado por Gustavo Nogueira de Paula

Anúncios

5 comentários sobre “Devaneios de consumo

    1. Gustavo de Paula

      Li outra frase muito boa também: Os protestos atuais são motivados pela vontade e não pela necessidade.

      Ou seja, é mais ódio e vontade de tirar quem fez alguma coisa e investiga minimamente, do que realmente uma preocupação com o país etc

      1. Gustavo de Paula

        Sei que estão esperneando cada vez mais. Diminuir a desigualdade social nesse país tem se mostrando uma tarefa bastante árdua. Além da falta de vontade e inércia do poder público nós temos o ódio da classe da dominante.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s