O fantástico mundo do empirismo ignorante

É de situações assim que muitas vezes partem os comentários mais desnecessários no mundo dos games
É de situações assim que muitas vezes partem os comentários mais desnecessários no mundo dos games

Vou falar um pouco de mim. Falar um pouco de certa lógica que tem dominado as postagens de muita gente nas redes sociais. E falar do que os dados nos mostram a respeito de determinado tema.

Tenho 30 anos, sou formado em Educação física, mestre em linguística aplicada, ambos títulos pela UNICAMP. Estudei em escola pública a vida toda, sendo que isso aconteceu também no ensino superior. Não nasci em família rica, tão pouco sou rico atualmente, apesar de ter melhorado bastante de vida. Namoro. Minha namorada é uma mulher alta, loira, olhos verdes, muito bonita. Possui duas graduações, já viajou para diferentes partes do mundo. Tem opiniões bem embasadas, autonomia, trabalha e é uma mulher que não aceita discursinho machista babaca. Em meu ambiente de trabalho a maioria das pessoas possui ensino superior e na medida do possível é um local justo, que condena preconceitos e propicia a reflexão das pessoas.

Neste breve descritivo da para imaginar que não dou de cara no meu dia dia com comportamentos do tipo condenáveis e quando isso acontece são prontamente combatidos. Desta forma, poderia dizer que no Brasil não há preconceitos, que vivemos numa sociedade igualitária e que aquele que persevera sempre alcança seus sonhos.

Não é bem assim que acontece. Não posso generalizar e acreditar que é dessa forma que as coisas acontecem.

Mas esse blog é de games e já estamos chegando lá. Eu já falei aqui no blog e não é difícil encontrar em buscas simples a quantidade de mulheres que são ameaçadas por: jogarem, produzirem ou escreverem sobre games. Agora o confronto de ideias.destaque-samus

O comentário mais comum que vemos em foruns, bate papos e na maioria dos lugares em que as pessoas discutem games é que não existe misoginia e que isso é mimimi ou baboseira politicamente correta. Os argumentos não poderiam ser mais infantis: “nunca vi acontecer”, “conheço até amigas que jogam”, “não existem produtoras de jogos porque as meninas não gostam de jogar” e por aí vai, um verdadeiro desfile de panaquices.

É assustador acreditar que os jogadores pensam e  agem dessa forma. Os casos são inúmeros e recorrentes, mas muita gente prefere acreditar que vive num mundo cor de rosa, avaliando as coisas a partir do próprio umbigo e do seu limitado arredor. Parece que a opinião dos amigos do facebook são suficientes para apresentar um extrato real da sociedade brasileira, quiçá do mundo.

Fico bastante preocupado, pois quando pensamos no videogame como arte, como meio de contar histórias e como uma linguagem própria, torna-se inadmissível tolerar esse tipo de comportamento. Parece que no ambiente dos games estamos indo na contra mão do restante das coisas. Não há personagens femininas, a perseguição com as mulheres que produzem e as jornalistas e acadêmicas de jogos passam por situações mais do que constrangedoras, para não dizer coisa pior.

Além disso, vemos uma inversão dos valores: Quem vai contra e não aceita esses comportamentos acaba sendo visto como intolerante, fechado e segregador, sendo que na verdade é exatamente o contrário. No mínimo entristecedor.

Cabe ainda um aviso aos desapercebidos: Se você joga em servidores que aceitam esse tipo de comportamento, se você participa de fóruns em que as pessoas emitem comentários preconceituosos e violentos, se você não reclama com os amigos “para não ficar com clima ruim”, se você acha que esse tipo de coisa é liberdade de expressão, então lamento informá-lo, mas você é parte integrante do problema.

Pense nisso, ok?


Gustavo Nogueira de Paula

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3 comentários sobre “O fantástico mundo do empirismo ignorante

  1. Opa e ai!
    Sou Eduardo, tento manter um canal no YT e sou gamer desdo PollyStation kkk ou seja sou meio termo passei pelo Polly, PS1 & 2, xbox 360 e só ano passado montei um PC que rodasse uns games de qualidade gráfica legal!
    Bem a questão de preconceito é mundial…e como todos dizem ninguém é igual…meninas jogam sim…e não é de hoje…algumas se destacam como minha irmã que conseguiu 4k de kill cm uma unica arma no BF3…conheço outra garota q jogou rust cmg eramos uma equipe, eu a garota e mais dois garotos, eu claro achei exótico jogar cm uma estranha kkk mas agora ta normal, porém a guria sabia jogar rust…foi o que gostei…uma garota que não apenas joga, mas que sabe jogar…eu e ela meio que se tornamos os lideres, e ela sempre falava q nos game era insuportável jogar quando o pessoal sabia q era menina…sabe piadinha de tarado…mas um dia combinamos um partida de CS go e no time adversário tinha as famosinha dona de escravoceta kkk se achava, xingava, falava e falava dai minha amiga abriu o bico kkk falo pros cara e pra menina um monte, foi legal, ela se destacava, não queria apenas dizer q era um menina e estava lá…queria apenas jogar.
    Resumindo:Preconceito em games é imensa…começa com a turma que diz q gaúcho é gay e que nordestino é pessoal que vota no PT…começa com a trupe do revoltados com politica, com o grupinho arrogante que se diz moderninho…as pessoas esqueceram de apenas se divertir, mas querem expressar suas idéias, o mais errado que seja. Eu expressei a minha ideia aqui, assim como a sua e que curti muito!

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