Nós diremos quantas vezes forem necessárias: JOGOS NÃO MATAM

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É impressionante como determinadas coisas parecem não mudar. Quando comecei a estudar jogos de videogame, lá nos idos anos de 2006 (minha nossa, já se vão 10 anos), uma das primeiras coisas que precisei fazer foi tentar quebrar o preconceito em relação aos games. Não matam, não fazem matar, não derretem o cérebro, não isolam etc etc. Mas não adianta, a cada tragédia acontecida no Brasil ou no exterior, a grande mídia aproveita para fazer seu show de horrores sensacionalista a respeito do caso.

No mais recente, após a trágica morte de um garoto de 13 anos em São Vicente – SP, que se enforcou após perder uma aposta para amigos, um culpado já foi logo encontrado: League of Legends, o popular jogo online. Impossível medir a dor que estes pais e  familiares estão passando, bem como é impossível imaginar como estes adolescentes irão lidar para o resto das suas vidas com a imagem mental da morte do amigo diante de seus olhos. Um momento que exige toda uma reflexão sobre a vida de nossas crianças e adolescentes, sobre os espaços de lazer que possuem, sobre a criticidade que possuem em relação a conteúdos online, sobre aceitação de grupo, sobre bullying. Mas não, mais fácil relacionarmos tudo isso a um jogo, culpabilizá-lo e manter as coisas como estão.

Computadores e videogames não devem ficar isolados e trancafiados num quarto, afinal, um jogo seria dos melhores conteúdos que um jovem poderia ter acesso nesse caso. Aparelhos assim precisam ficar na sala, ou pelo menos o quarto precisa estar de porta aberta, de forma que os pais possam ver o que se passa no PC. Todos gostamos de privacidade, mas sinto dizer: adolescente dentro de casa não pode ter 100% de privacidade não, precisa é de atenção dos responsáveis. Rede social é coisa para maior de idade. Vai permitir que a criança/adolescente tenha acesso ao Facebook? Ok, tenha a senha também, acompanhe as conversas etc. Parece chato não é? Então, ser responsável às vezes é chato mesmo, talvez tenha faltado avisar.

E um adendo: Quem acha que os videogames podem ser perigosos deveriam justamente lutar para que eles adentrem a escola, pois quanto mais o conhecermos, mais confiantes ficaremos.

O texto de hoje é curto, em respeito a Gustavo Riveiros Detter, seus amigos e familiares. Apenas um lembrete de que, mesmo após 10 anos, vamos continuar combatendo os preconceitos relacionados aos jogos de videogame.


Gustavo Nogueira de Paula

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Um comentário sobre “Nós diremos quantas vezes forem necessárias: JOGOS NÃO MATAM

  1. Renato B.

    Ok, eu até concordo que a história do menino paulista, apesar de muito triste, pouco tem haver com jogos. Gente tentando se intoxicar com a sensação de sufocamento é algo antigo que ainda vai matar muita gente por acidente. Mas falando em tóxicos, as drogas viciam? O “sim” parece óbvio mas experimentos como o Rat Park, de Bruce Alexander mostram que a questão está longe de ser tão simples.

    Ok, agora não mate o mensageiro por favor :-). Comento isso porque Dave Grossman, um militar americano que estuda a psicologia e fisiologia do combate levantou uma hipótese. Em seu livro Matar: Um estudo sobre o ato de matar o autor liga fenômenos como tiroterios em massa e os videogames. Ele argumenta que o ser humano, na verdade, tem uma dificuldade natural em matar seu semelhante, só fazendo isso se considerar absolutamente necessário. Não me lembro os autores, mas já ouvi falar que na segunda guerra foram observados vários casos de soldados que atiravam o mínimo possível. Não por covardia, mas porque não queriam matar gente que sequer conheciam. Essa “trava” desaparecia com a realidade do combate, mas podia demorar. Para superar esse problema os americanos incluíram nos treinamentos militares exercícios de condicionamento para desligar essa trava natural. O autor sugere que esse condicionamento acabou indo para alguns gêneros de videogame, como o FPS.

    Eu não acredito numa relação direta entre videogames e violência, já temos várias pesquisas que não encontraram essa relação. Mas, assim como nem todo mundo pode se drogar ou ter uma arma, talvez seja interessante mapear quem pode ou não jogar. O contexto social parece ser mais interessante que o objeto de análise, seja jogo, droga etc. Eu tenho minhas ressalvas, mas acho que seria interessante testar essa hipótese dele com calma, ao menos descobrir alguns indicadores pode ser algo interessante.

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