Apoio mútuo – GLITCH

Pare para pensar e responda rapidamente: Quantas pessoas que trabalham e/ou produzem jogos eletrônicos você conhece? E se conhece, quantas vezes teve a oportunidade de jogar algum de seus jogos?

Em geral, poucos tem esse “privilégio” de conhecer o futuro amigo rico (não é tão simples assim) e os que tem, muitas vezes não tem acesso as produções caseiras/independentes que partem dessas mentes muitas vezes brilhantes. Os motivos são os mais variados. Para aproximar os jogadores em geral, interessados, curiosos e outros produtores de jogos, foi criado o GLITCH – GameLab, fruto de parceria entre alunos da Unesp Bauru e o Sesc Bauru (representado lá pela minha pessoa).

GLITCH

A mecânica é muito simples, aqueles grupos que desejam apresentar seus jogos levam seus computadores (ou você acha que tem mídia e arquivo de fácil instalação dos jogos que ainda estão sendo produzidos?) e os projetam no telão. Falam sobre o funcionamento do jogo, apresentam em que fase de produção estão etc. Depois, todos os participantes se espalham pela sala e tem a chance de colocar as mãos no controle de cada um dos jogos, livremente, no melhor esquema que a bagunça pode oferecer.

O clima é leve, descontraído e bem barulhento. Normalmente são apresentados cerca de 4 jogos, alguns já em fase mais adiantada de desenvolvimento, outros menos. Dá pra dizer que tem muita qualidade saindo das garagens nacionais, mas sem apoio, tempo, espaço e, acima de tudo, grana, não é tão fácil assim de fazer o jogo decolar. Além do que, um detalhe que parece simples acaba por causar  muita dor de cabeça em quem está fazendo o jogo, as sessões de teste.

Em tese, todos gostariam de por as mãos num jogo novo e depois bater no peito dizendo que ajudou durante sua construção, testando-o. Porém, isso se aplica quase que exclusivamente a títulos das gigantes do segmento, como Blizzard, Valve etc. Os beta testes são disputadíssimos e atingem milhões de pessoas, ávidas a criticar o futuro game. Já nas pequenas produções independentes, muitas vezes os testes se resumem a sessões com amigos, estudiosos e mais um ou outro conhecido. Nesse ponto o Glitch tem funcionado muito bem, pois todos podem jogar os jogos uns dos outros e dar seu feedback instantâneo.

Foto retirada do site www.oplayer2.com.br/
Foto retirada do site http://www.oplayer2.com.br/

A ideia é expandir o Glitch, disponibilizar alguns dos jogos em lugares de maior acesso e ampliar a quantidade de testers, trazer produtores de outras regiões e contar com pequenas palestras de produtores de empresas já estabelecidas. O importante é ouvir novas ideias e cada vez mais ampliar esse encontro, sempre favorecendo quem faz e quem quer conhecer as novidades que vem por aí.

Acreditamos que é a partir destas pequenas atitudes que seremos capazes de melhorar o cenário dos jogos nacionais, sobretudo aquilo que é produzido fora das capitais. O interior tem muitas universidades e cursos de qualidade, além de muita gente criativa e capaz, difícil é encontrar espaço.

Um dia esses encontros serão cada vez mais comuns e as produções independentes deixarão de ser algo exótico, se tornando comum na vida dos jogadores. Para que isso aconteça precisamos de mais eventos, mais encontros, mais debates de ideias. É um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para os indies.

Gustavo Nogueira de Paula

Jogo de cem fases: Bem vindo centésimo post!

Hoje é dia de comemorar!

o bolo não é uma mentira
o bolo não é uma mentira

Não é aniversário, não é feriado e nem faço parte da jornada mundial da juventude que comemorou a vinda do papa ao Brasil. Esse é simplesmente o post de número 100 do Game & Críticas!

Quando olho para trás ainda vejo esse blog apenas como uma ideia, como um plano ou um projeto a ser executado, mas quando percebo que já chegamos ao centésimo post isso me faz refletir no quanto já foi percorrido até agora.

Foram muitos comentários, críticas, sugestões e também, por que não dizer, elogios. Prestes a presenciar o surgimento de uma nova geração de consoles, muitos jogos terminados, debatidos e comentados, discussões lançadas, notícias debatidas e uma imensa satisfação em saber que faço aquilo que gosto e para pessoas interessadas.

Não sei se o game & críticas fomenta algum senso crítico em todos seus leitores, mas se 10% deles pelo menos se sentirem provocados pelos textos e reflitam sobre seus jogos, atitudes e pensamentos isso já seria fantástico para mim. Eu espero e torço profundamente para que eu colabore com o crescimento dessa mídia, que é mal vista e mal utilizada no Brasil, mas sei perfeitamente que sem ajuda dos meu leitores isso seria impossível.

Essa postagem é dedicada a você que pelo menos uma vez já acessou o game & críticas e me incentivou a continuar com esse blog, a buscar novos assuntos, a traçar novas metas e querer crescer sempre.

Não é muito fácil abordar esse assunto sem alguma espécie de patrocínio, já mencionei isso, mas tenho grandes amigos que estão sempre dispostos a me ajudar e a eles também sou muito grato. Mas mesmo que as vezes eu fique defasado em relação aos lançamentos, não é só de jogos novos que vive um jogador. A busca é sempre por temáticas interessantes que tragam algo que tire o jogador de seu lugar comum, de sua zona de conforto. Até porque já existem muitos sites, blogs etc que discutem e apresentam as novidades desse universo dos jogos.

Que venham logo os próximos cem posts e que venham recheados de grandes ideias. Obrigado a todos

Gustavo Nogueira de Paula

Seu jogo agora é nosso

A expectativa era grande em torno da conferência da Microsoft que iria anunciar detalhes e novidades de seu novo console, o sucessor do Xbox 360, até então conhecido por Xbox 720.

O Xbox One foi revelado: ele vai integrar serviços de Tv, internet, comunicação e um monte de coisas. O kinect vai reconhecer rostos, falas, gestos e deve até fazer previsão para seu signo no amor e no trabalho.

Muita coisa foi apresentada, muita gente ficou animada e muito barulho foi feito. Mas em todo lugar para o qual projetamos muita luz acabamos por também gerar muita sombra. No caso do novo Xbox não foi diferente. Na verdade são essas sombras que estão assustando as pessoas.

O novo Xbox (one)
O novo Xbox (one)

Pouco vi em termos de inovação. O que os jogos do Xbone terão de diferente? Gráficos mais avançados, controle de movimentos… tá, mas o que isso representa para os jogadores? Isso significa jogos melhores? Isso significa espaço maior para a criatividade? Não vi nada muito atrativo a esse respeito.

Ao que tudo indica a Microsoft vai voltar com aquela famigerada trava por regiões para seus jogos. Não há explicação de mercado que justifique para mim essa trava por região. Por que eu não poderia comprar ou ganhar um jogo da Europa e jogar no meu console na América do Sul. Voltamos aos tempos do Super Nintendo.

Mas o pior de tudo ainda está por vir: pelo visto o Xbone virá com uma trava para jogos usados, ou seja, se você comprar um jogo usado terá que pagar uma taxa para poder habilitá-lo. E nem adianta achar que vai burlar isso, pois a Caixa precisará conectar na internet todos os dias. Excelente avanço esse da Microsoft.

Se você quer emprestar seu jogo para um amigo, esqueça, pois ele terá que pagar. A justificativa é a de que o mercado de jogos usados é terrível para a indústria e que sem eles as empresas teriam mais dinheiro, o que resultaria em mais jogos e de maior qualidade. Uma vergonhosa balela.

Realmente ao deixar de comprar um jogo novo a empresa teoricamente perde dinheiro, mas é um absurdo o que estão para fazer. Você perde o direito sobre aquilo que comprou. Seria praticamente um contrato: “Nós da Activision lhe permitimos jogar nosso novo Call of Duty 10 por essa pequena quantia, mas não ouse deixar mais alguém jogar”.

Como se as empresas não andassem mal das pernas devido aos péssimos jogos que tem produzido, ao desrespeito com os jogadores, à falta de criatividade, aos incontáveis DLC’s pagos, aos jogos lançados cheios de bugs e pela metade, entre outros motivos.

É uma pena ver um mercado tão novo e que poderia fazer tanta coisa diferente ser tão mesquinho e quadrado como outros já foram no passado, como o caso da música versus internet. A indústria automotiva não vai mal das pernas devido a venda de usados.

Eu não estava muito preocupado com a conferência da Microsoft, nem sei o porque de tanto hype em cima disso, mas depois de tais anúncios fiquei mais descrente ainda. O pessoal da Sony, vendo toda essa repercussão negativa, deve estar se virando para mostrar algo oposto a isso na E3, é esperar para ver.

Mais uma vez, espero que os jogadores não engulam essa e façam a Microsoft se arrepender amargamente das decisões que tem tomado.

Até mais,

Gustavo Nogueira de Paula

 

Problemas com os jogadores brasileiros

O Game & Críticas ficou sem postagem na semana passada, mas isso se deveu a outros compromissos que surgiram para mim repentinamente. Tudo bem, pois nesse pequeno espaço de tempo foram vários os assuntos que pipocaram por aí e escolhi um deles em específico para comentar hoje, os problemas com jogadores brasileiros em jogos online.

Saiu semana passada uma reportagem no UOL sobre alguns comportamentos nada interessantes brilhantes: são arrastões, roubos, mentiras, “terrorismos” confusão e por aí vai. Muita gente aproveitou para destilar aquele veneno comum e falar mal do Brasil, dos brasileiros, do PT, do Lula, Pelé e qualquer coisa que viesse a cabeça das pessoas que normalmente mais falam mal do que procuram entender o problema e suas soluções.

As acusações, apesar de graves, são todas verdadeiras. Não que isso seja exclusividade de brasileiros, mas é realmente um comportamento típico de muitos e em vários tipos de jogo. Em Counter Strike você encontra cheaters, team killers, chatos etc. Nos MMORPG não é difícil encontrar gente mendigando (sim, mendigando, parece piada, mas não é), roubando spots, enganando novatos, tomando itens do chão, provocando arrastões e muitas outras coisas que vão além da imaginação de qualquer um. E olha que todos estes exemplos eu dou apenas de cabeça, pela minha pequena experiência com esse tipo de jogo.

Porém, antes de as pessoas atirarem pedras e argumentar que esse é um comportamento típico de brasileiros e reclamar da inclusão digital, vale a pena raciocinarmos minimamente sobre esse fenômeno.

O Brasil pode ser a sexta economia do mundo atualmente, mas continua pobre como nunca, devido a desigualdade social ainda encrustada em suas entranhas. Essa desigualdade faz com que a população em geral continue muito distante dos países ricos e isso não seria diferente dentro dos jogos, sobretudo os MMORPGS, que cada vez mais exigem tempo e dinheiro de seus jogadores. Dessa forma, nada mais “óbvio” do que encontrar jogadores mendigando, pedindo e implorando ajuda dos jogadores mais evoluídos. Isso vale também para os roubos etc.

World of warcraft, um dos maiores MMORPG de todos
World of warcraft, um dos maiores MMORPG de todos

Mas calma, não estou dizendo que isso se deve a falta de dinheiro dos jogadores, pois esse tipo de comportamento deplorável não é exclusivo dos jogadores mais pobres, não mesmo (até porque quem é pobre de verdade no Brasil não tem um pc para jogar, não tem o jogo e nem a conexão banda larga veloz exigida por esses jogos). O grande problema, mais uma vez, é que não somos um país educado. O jeitinho brasileiro ainda impera por aqui e costuma causar conflitos quando vivenciado ao lado de jogadores europeus e/ou norte americanos. Em geral temos péssimos índices educacionais e absolutamente nada sobre educação voltada para as mídias, nesse caso especificamente os jogos.

Enquanto continuarmos desvalorizando a educação em geral continuaremos observando esse tipo de comportamento. Se lembrarmos ainda que as leis que regulamentam as partidas online variam de país para país e que no Brasil ela é quase inexistente, pronto temos a receita completa.

Espero que os jogadores brasileiros mudem essa imagem e percebam que só há um prejudicado com isso tudo, ele mesmo. Chegou-se a comentar em alguns jogos online da possibilidade de banir ou até mesmo proibir a presença de jogadores brasileiros (o que também carrega uma bela dose de preconceito), fazendo com que muitos jogadores até omitam sua verdadeira nacionalidade, temendo represálias.

É triste, mas com o tempo e através de um comportamento mais educado eu creio que essa imagem seja desfeita. Porém, se continuarmos desvalorizando a educação e não tratando os jogos de forma séria, então esse será mais um setor em que o Brasil será atrasado em relação aos outros países.

Gustavo Nogueira de Paula

PS: Dias atrás aconteceu o capítulo final da novela das 21h na globo. Não vou ser demagogo, mas a violência que presenciei sendo transmitida na tv aberta me impressionou. Homem amarrado sendo espancado por várias mulheres, morte, sexo pra todo lado e comemoração das pessoas ao verem os vilões sendo “derrotados”. Deu pena, ao mesmo tempo em que me chocou saber a quantas andam as novelas hoje em dia. Não vou colocar o link aqui, mas quem quiser conferir basta procurar no youtube e lamentar por si mesmo.

Nos bastidores da Tv

Finalmente saiu no youtube a primeira parte do programa Educação Brasileira, da UNIVESP TV, em que participei algum tempo atrás. Em clima de felicidade com a divulgação do meu trabalho eu vou falar um pouco de como foi essa experiência e comentar um pouco sobre o que falei durante a gravação. A segunda parte misteriosamente ainda não está disponível, mas assim que ela estiver eu atualizarei o post para acrescentá-la aqui.

A Univesp Tv, segundo eles mesmos

A Univesp TV é o canal de comunicação da Universidade Virtual do Estado de São Paulo, a quarta universidade pública paulista e visa ao incentivo à formação integral do cidadão. Nosso objetivo principal é apoiar o aprendizado dos alunos de cursos da Univesp, através de programas específicos e também de interesse geral.

Os estúdios de gravação ficam dentro da fundação Padre Anchieta, ou popularmente Tv Cultura. Diga-se de passagem a estrutura da fundação Padre Anchieta é bem grande, contando com muito espaço e bom equipamento. Foi uma sensação muito agradável caminhar ao lado de onde são gravados o Jornal da Cultura, Cocóricó, entre outros.

Após falar com o diretor do programa Tiago de Araujo Silva, que me recebeu muito bem nas intalações do canal, fomos para a produção. Lá fomos maquiados e preparados para a gravação (no mínimo engraçada essa coisa de ser maquiado etc).

Junto comigo estava Rebeca Otero, da Unesco Brasil e fomos entrevistados por Ederson Granetto, outra figura muito simpática e nitidamente muito capaz.

Sempre rola uma pequena tensão antes de começar o programa, mas eu estava bastante tranquilo no dia. A Rebeca estava um pouquinho mais nervosa, com as mãos mais agitadas, mas também foi bem e conseguiu expor bem o seu ponto.

Logo em mniha primeira pergunta o Ederson, na boa intenção, fez uma pergunta que já está quase se tornando um clássico, sobre a utilização de “qualquer” jogo em sala de aula, focando na questão dos jogos de tiro etc. Obviamente que nenhum professor vai usar qualquer jogo a qualquer hora e em qualquer aula, mas isso depende mais dos objetivos do professor do que jogo propriamente dito. Por que não explorar as questões da guerra? As mortes de inocentes? Geografia? etc… gostei dessa minha resposta, apesar de ser chato falar de mim mesmo.

Uma diferença que existia entre o que a Receba dizia e o que eu dizia se referia a relação dos objetos tecnológicos com os conteúdos escolares, pois acredito que num futuro não muito distante os próprios jogos serão “o” conteúdo escolar, sendo estudados e aprofundados, enquanto ela apresentava os celulares e tablets como ferramentas, a serviço do professor/aluno.

O que da pra perceber é que ao mesmo tempo que há urgência em inserir essa tecnologia em sala de aula ainda há muito despreparo e receio em relação a esses objetos. A grande satisfação de participar de um programa desses é crer que ele pode ajudar aqueles que buscam por uma educação de qualidade em nosso país.

No decorrer do programa outras questões foram levantadas, mas trinta minutos passaram voando e isso apenas me convence do quanto ainda tempos por fazer. Jogos em sala de ula é um tema que precisa ser mais pesquisado e isso é um convite para os jovens universitários. As lacunas ainda são imensas e diversas são áreas possíveis de atuação.

Seja com jogos de realidade aumentada, jogos de celular, tablet, computador ou videogame, seja online ou sozinho, seja como tarefa de casa ou em grupo na escola, seja violento ou seja fofinho, não podemos mais negar que a tecnologia veio para ficar e que precisamos aprender o máximo sobre ela para “invertermos” essa situação, não sendo apenas dominados, mas também agentes dessa transformação.

Foi um prazer ter participado do programa e que no futuro surjam mais oportunidades.

Até mais,

Gustavo Nogueira de Paula

Videogame é cultura?

Apesar de estar um pouco atrasado resolvi tratar de uma polêmica surgida recentemente, quando a ministra Marta Suplicy afirmou que os jogos de videogame não são cultura. Parte ignorância, parte má vontade de entender essa mídia, mas seja o que for a ministra deu uma grande bola fora e atraiu a ira dos pesquisadores da área, inclusive a minha.

Os games serão beneficiados?
Os games serão beneficiados?

Vasculhando nas minhas coisas encontrei um texto meu que trata exatamente disso, publicado no SBGames de 2009. Trago aqui alguns trechos na integra para mostrar a nossa companheira que ela precisa ampliar um pouco mais seus horizontes.

///

Antes de começar a falar especificamente sobre o jogo digital, cabe aqui pensarmos em uma questão que já existia antes mesmo de sua grande propagação: a globalização e os eventuais efeitos causados nas mais diversas culturas onde este fenômeno é analisado.

Falar de Cultura não é algo simples, pois se trata de um complexo objeto de estudo. Não podemos fazer simplificações e análises levianas sobre modos de vida, pensamentos, ações valores e signos. Pensar em Cultura implica pensar no que diferencia os homens, é pensar em constante transformação.

Nessa perspectiva, cultura passa a ser entendida como todo um sistema semiótico, assim envolvendo diferentes tipos de textos, sons, imagens, formas e gestos, não se
estruturando de forma individual, mas coletiva, fazendo parte de toda sociedade (ALVES, 2005).

Weiner (2000) nos mostra que as transformações que vem ocorrendo nas mais diversas sociedades ao redor do globo, em muitos casos devido a temida globalização, tem feito com que ocorra uma mundialização de culturas e não simplesmente de uma Cultura em detrimento de outras.

O autor nos mostra dessa forma que:

“o ponto de vista global sobre a globalização da cultura isola os produtos culturais de seu contexto, agrega-os por categorias e quantifica sua produção e sua distribuição em escala planetária. Ele está mal armado para compreender a maneira como os produtos culturais são recebidos, decodificados, recodificados, domesticados, reapropriados. O ponto de vista global não tem acesso à atividade das instâncias intermediárias, que fazem a triagem e recontextualizam os produtos das culturas-industriais”. (WEINER:145)

Videogame e cultura

Dando continuidade aos argumentos apresentados na sessão anterior, vale lembrar
aqui que muito tem se falado sobre a Cibercultura (LÉVY, 1999) e sobre a cultura de simulação em que vivemos hoje. Esclarecendo este termo “cultura da simulação”, podemos nos valer das palavras de Turkle (1989) que nos diz especificamente
como os videogames se inserem nesse mundo tecnológico.

Os videogames são uma janela para um novo tipo de intimidade com máquinas, que caracteriza a cultura do computador nascente. O relacionamento especial que os jogadores estabelecem com os videogames tem elementos comuns a interação com outros tipos de computador. O poder dominador dos videogames, o seu fascínio quase hipnótico, é o poder dominador do computador. As experiências de jogadores de videogame ajudam-nos a compreender esse poder dominador e algo mais. No fulcro da cultura de computador está a idéia de mundos construídos, ‘governados por regras’. Utilizo o jogo de videogame para iniciar um debate sobre a cultura de computador deregras e simulação.

Manovich comenta que

o computador com dados em 3-D e o computador baseado em espaço virtual tornaram-se verdadeiras formas culturais – formas gerais utilizadas pela cultura para representar a experiência humana, o mundo, e a existência humana neste mundo.”

Além disso, Lindley e Craig (2001) afirmam também que estamos em um processo de

desenvolvimento de sistemas em que estamos a criar novas formas de significado, novos modos de expressão e, potencialmente, novas formas de função estética (e que) entender esses sistemas (portanto) exige abordagens que podem identificar princípios de semiose a partir de uma perspectiva de que cada forma é fluida e altamente variável.

Tratando especificamente dos videogames, sabemos que estes são tidos como uma mistura entre o cinema, a música (o som), o
jogo, a narrativa ficcional em Literatura e diversas outras Linguagens. Isto em muitos casos chega a causar problemas para sua
definição, devido à heterogeneidade que o constitui. Como resultado, o que tem ocorrido são estudos transdisciplinares sobre esta mídia, visto que tentar meramente definí-lo para encaixá-lo em qualquer área clássica de estudo poderia servir apenas para reduzir seu potencial, pois isto tenderia a uma simplificação do objeto. Porém, apesar da crescente visão dos
videogames como objetos complexos e heterogêneos, o que se fala no senso comum (além dos eternos comentários sobre sua
violência) é que estes serviriam apenas para inculcar na cabeça dos jovens um jeito americano de ser. Contudo, ao olharmos mais de perto veremos que esta afirmação mostra falta de conhecimento e uma superficialidade notáveis.

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Este foi apenas um resumo com alguns trechos do texto completo, mas parece suficiente para, no mínimo, mostrar o quão infeliz foi a fala da Marta.

Para sua diversão e também como argumento nesse debate, aproveite um pouco o jogo da Martinha.

Até mais,

Gustavo Nogueira de Paula

Exclusividades, novidades e o que vem por aí

Na minha volta dos EUA, trouxe na bagagem (entre outros) dois jogos exclusivos do PS3: Uncharted 3 (que veio dublado, ou a instalação é mais inteligente do que eu imaginava) e Journey collector’s edition (que conta também com flower e flow).

Hoje em dia os títulos exclusivos tem sido motivo de discussão entre jogadores, cada qual defendendo seu console, ou sua franquia favorita. Tempos atrás a disputa se dava principalmente entre Mario e Sonic (apesar de terem existido outros jogos exclusivos, eu sei disso), mas atualmente o encanador ganhou outros rivais de peso.

Mario vs Sonic

Pela Nintendo o elenco é forte: De cabeça lembro do Mario e toda sua turma, Link (na série Zelda), Samus nos Metroids da vida e os macacos simpáticos de Donkey Kong, isso pra citar apenas alguns. Por serem personagens antigos, creio que eles ainda estejam na frente em relação a sua popularidade junto aos jogadores. Mario já virou ícone pop e ultrapassa os limites dos videogames. A Nintendo tem aí seu carro forte.

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No Xbox creio que os principais nomes sejam de Halo e Gears of war. Não joguei nenhum dos dois para falar com propriedade, mas são bastante elogiados, tanto pela crítica, quanto pelos jogadores e seus números confirmam isso, de certo modo. Ambos vendem muito e já se tornam clássicos instantâneos logo no seu lançamento. São jogos de tiro e guerra, apesar de possuirem estilos diferentes e contam com um poderoso sistema de multiplayer. Apesar de existirem outros títulos exclusivos para a Caixa, creio que esses sejam seus principais representantes (se souber de mais algum que mereça ser relatado aqui, por favor não deixe de escrever nos comentários). No meu ponto de vista não são eles os grandes atrativos para que alguém opte por ter um Xbox, mas sim outros fatores, como o preço, kinect, controle etc.

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No Ps3 a lista é um pouco maior do que a do Box. Uncharted e God of war já ocupam um espaço bem marcado no coração dos jogadores do console da Sony, seguidos de perto pelo absurdamente simpático Sack Boy de Little Big Planet. Além deles temos Heavy Rain, futuramente Last of Us e o anteriormente citado Journey. Talvez você possa dizer que nunca ouviu falar de Journey, mas não posso deixar de fora o jogo mais premiado de 2012 e que, pelo pouquissimo que joguei, já pude perceber se tratar de um jogo realmente diferente do que estamos acostumados. No caso do Ps3, se não estou enganado, nenhum dos seus títulos exclusivos estão na lista dos jogos mais vendidos, apesar de serem excelentes jogos. Na Nintendo e na Microsoft isso é diferente e os exclusivos estão nas cabeças das listas de vendas.

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Estou comentando sobre essas exclusividades hoje, pois foi feito o anúncio oficial do próximo console da sony, o Ps4. Foram várias as novidades em termos de hardware e todo aquele marketing que permeia o anúncio de algum novo produto eletrônico. Mas esse não é nosso foco agora, pois muito ainda falar e alardear sobre esse novo console e até seu lançamento muito água vai rolar, portanto não há pressa para fazer uma análise de algo que ainda nem existe.

Mas logo nos vem a mente como serão tratados os títulos exclusivos. Para além do hardware, qual será o grande atrativo de cada grife para ganhar seus jogadores? Eu gostaria de ver mais títulos exclusivos, que cada console investisse mais em criatividade. Não que eu queira uma segregação, que os jogadores precisem ter todos os videogames em casa nem nada disso. Mas é dessa disputa pelos melhores exclusivos que costumam produzir os jogos mais belos, os mais criativos e as vezes até os mais inovadores.

Todas as franquias citadas possuem jogos excelentes e com um nível muito maior do que os jogos em geral.

Será que um novo console irá dar atenção a isso, ou apenas tentarão melhorar o hardware, bloquear os jogos usados (notícia até agora desmentida) e investir em periféricos e acessórios?

Espero sempre que as novidades venham para alimentar os sonhos e a criatividade das pessoas. Espero que com a nova geração de consoles, uma nova geração de jogos surja e faça valer todo o investimento que recebem. Que haja realmente uma evolução, que os jogos sejam mais maduros e que se tornem um marco na história dos games.

Não custa sonhar, não é mesmo?

Até mais,

Gustavo Nogueira de Paula

Breve intervalo

O gamecriticas está fazendo um pequeno intervalo em suas publicações por um motivo muito nobre: Vou viajar para o Texas.

Texas - USA
Texas – USA

Quando estiver lá pretendo visitar três grandes lojas: Walmart, BestBuy e Gamespot. Após as visitas (que pretendo registrar) farei uma apresentação de como foi e comparar com o que normalmente encontramos no Brasil em termos de mercado de jogos.

Se por ventura surgir alguma outra novidade eu com certeza escreverei a respeito.

Até lá… ou melhor, see ya!

Jogos mais vendidos de 2012 e o publico que pouco reflete

Poucos dias atrás o professor Nelson Zagallo discutiu sobre os jogos mais vendidos de 2012 nos EUA, em um bom post no seu blog, intitulado “mais vendidos, menos criativos“. Por lá a lista ficou assim:

Os 10 jogos mais vendidos nos EUA em 2012

  1. Call of Duty: Black Ops II (360, PS3, PC, Wii U)
  2. Madden NFL 13 (360, PS3, Wii, PSV, Wii U)
  3. Halo 4 (360)
  4. Assassin’s Creed III (360, PS3, PC, Wii U)
  5. Just Dance 4 (Wii, 360, Wii U, PS3)
  6. NBA 2K13 (360, PS3, Wii, PSP, Wii U, PC)
  7. Borderlands 2 (360, PS3, PC)
  8. Call of Duty: Modern Warfare 3 (360, PS3, Wii, PC)
  9. Lego Batman 2: DC Super Heroes (Wii, 360, NDS, PS3, 3DS, PSV, PC
  10. FIFA Soccer 13 (360, PS3, Wii, PSV, 3DS, Wii U, PSP)

Antes de comentar sobre essa lista, apresento outra, a dos mais vendidos no Brasil em 2012. Vamos ver se ela é muito diferente:

1 Pro Evolution Soccer 2012 Konami
2 Pro Evolution Soccer 2013 Konami
3 FIFA Soccer 13 Electronic Arts
4 Kinect Sports II – Season Two Microsoft
5 Call of Duty: Black Ops II Activision
6 Gears of War 3 Microsoft
7 Dance Central 2 Microsoft
8 Dance Central Microsoft
9 Assassin’s Creed Ubisoft
10 Kinect Star Wars Microsoft

Semelhanças? Muitas!

A começar pelo predomínio de jogos esportivos. A diferença é que no Brasil preferimos comprar dois PES (2012 e 2013) a comprar um jogo de futebol americano. CoD, sempre presente, outros jogos de esporte, Assassin’s Creed e outros jogos de tiro.

É terrível. Não quero nem entrar no mérito da qualidade de nenhum desses jogos, mas é muito triste ver que os jogos mais vendidos não passam de mais do mesmo. CoD é uma formula já batida, mas ainda vende muito. Sob esse ponto de vista, por que iriam querer mudar? Assassin’s Creed sai todo ano e pelo visto, deve continuar saindo. Os jogos de futebol pouco mudam (quando mudam para melhor) no entando seguem firmes entre os mais vendidos.

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Será que os jogadores realmente precisam “atualizar” seus jogos dessa forma? Por que não encontramos nenhum jogo mais criativo, ou independente nessa lista?

Ainda prefiro viver na esperança (não utopia) de que teremos uma educação para mais focada nas mídias, especificamente o videogame, para que as pessoas saibam “consumir” melhor. Do contrário teremos uma lista extremamente semelhante no início de 2014, mesmo contando com excelentes lançamentos esse ano.

De qualquer forma sempre caímos na pergunta de quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? As produtoras fazem sequencias mastigadas com mais do mesmo porque os jogadores preferem isso, ou os jogadores preferem isso porque é a unica coisa que as grandes produtoras fazem? Um pouquinho de cada, sendo que ambos tem grande dose de culpa nessa história.

Até mais e mais uma vez obrigado pelas mais de 10 mil visitas!

Gustavo Nogueira de Paula

2013 previsões

Passada a ceia de natal e o pequeno recesso forçado que tive, venho para o último post de 2012. Aproveitando a onda que se espalha em todas as esferas, vou apresentar as minhas previsões para 2013 no mundo dos games. Mais do que qualquer coisa séria ou científica esse é um momento de descontração de dar palpites, arriscar sobre o que vai acontecer no ano que chega. Todas as opiniões são baseadas em vídeos, experiência própria, mercado etc.

Ao que tudo indica 2013 será um ano movimentado, contrário do que foi 2012 um ano atipicamente frio no que se refere a games e seus arredores. As promessas de grandes lançamentos tem mexido com a cabeça das pessoas, que aguardam ansiosas para ver o resultado das continuações de franquias consagradas a darem as caras novamente no ano que vem. Vamos a algumas delas:

1 – GTA V

GTA V promete muito
GTA V promete muito

Já cravo aqui: GTA V será considerado o jogo do ano em 2013. Obviamente eu posso me enganar, mas duvido bastante. GTA é um jogo popular entre jogadores e críticos, o último da série foi extremamente elogiado e ao que tudo indica o pessoal da Rockstar não perdeu o jeito de fazer jogos. Sem contar que Red Dead redemption também faturou prêmios no ano de seu lançamento, ou seja, esse é o candidato mais forte para o ano que vem. Se você quer apostar com algum amigo seu, vá de GTA, pois seria o mais seguro palpite.

2 – Tomb Raider

Lara Croft estará de volta em mais um Tomb Raider
Lara Croft estará de volta em mais um Tomb Raider

Aqui já me preparo para receber minhas maiores críticas. Tomb Raider parece ser um jogo belíssimo, gráficos excelentes que dão muita vida a musa Lara croft. Musa que aliás nunca foi tão “humana” pois parece que os produtores do jogo eram sádicos que queriam ver a garota sofrer, pois nos trailers da pra ve-la sangrando, suja, cansada e berrando de dor. Isso tudo é bem interessante e faz com que nos aproximemos da protagonista. Porém, no pouco que vi do gameplay, parece que Uncharted deixou um legado “maldito”. Drake roubou o lugar no coração de muitos fãs dos jogos de ação, que antes pertencia a Lara Croft e para reaver esse posto eu percebi significativas semelhanças com a jogabilidade de Uncharted. Espero muito estar enganado e que a história do jogo me convença do contrário, pois tenho bastante receio de que a sombra de Drake tenha afetado a bela Lara e seu mais novo jogo.

3 – Last of Us

Last of us chegará exclusivo para Ps3
Last of us chegará exclusivo para Ps3

Mais um apocalipse zumbi, esse aos moldes de “Eu sou a lenda”. Dos mesmos produtores de Uncharted, Last of Us é outo jogo que chega com gráficos muito bem trabalhados e um enredo que, a princípio, já é conhecido por todo gamer. As semelhanças com Uncharted são óbvias e isso também me preocupa em certos aspectos, mas os personagens do jogo parecem ter grande carisma e personalidade. Estou bastante curioso com esse jogo e acredito que levará a estatueta de melhor jogo de Ps3 em 2013. Particularmente eu quero muito poder jogá-lo, pois esse será um apocalipse zumbi diferente de Left 4 dead ou resident evil. Só espero que não façam um jogo parecido demais com Uncharted e que explorem bem esse enredo tão “clássico”.

4 – Bioshock Infinite

Saindo das aguas de rapture e voando para Columbnie, a nova cidade utopia de Bioshock
Saindo das aguas de rapture e voando para Columbine, a nova cidade utopia de Bioshock

Bioshock infinte vem enfrentando problemas em sua produção, com trocas de pessoas importantes no time desenvolvedor. O jogo já foi adiado duas vezes e ao que parece existem várias discussões internas sendo realizadas a respeito da  sua jogabilidade. Mas anotem, esse jogo vai ser grandioso. Ao que tudo indica os produtores querem inovar alguma coisa na jogabilidade de um estilo que quase não muda, os FPS. A história de Infinite me atraiu logo de início e essa imagem acima resume bem isso. O tom político e maduro presente nos dois primeiros jogos da série parece ser ainda mais forte agora. “Correndo por fora” Bioshock infinite vai surpreender positivamente muitos jogadores despreparados. Anotem e me cobrem depois, esse será um jogo incrível.

E são vários outros jogos a serem lançados também em 2013. Não comentarei todos, pelo menos não agora, mas farei uma menção aqui. Não quero dizer que esses dos quais eu não comentei tenham menor importância, pois não é isso. Acontece que dei destaque aqueles que considerei os que tenho mais propriedade para falar e curiosidade para conhecer. Além disso esse post teria quilométrico se fosse falar de todos os bons lançamentos do ano que vem. São eles:

Devil may Cry; Dead Space 3; Crysis 3; God of War Ascension; Starcraft II Heart of the swarm; Metal Gear risgin: revengeance; Castlevania lord of shadows 2; Beyond two souls. Esqueci de algum?

E aí, já preparou os bolsos? A lista de jogos interessantes é grande e é bom se preparar. Eu já prevejo uma calamidade financeira, mas já adianto que minhas análises sempre sofrerão um delay, pois é bem pouco provável de eu conseguir jogar esses jogos logo em seguida de seus lançamentos. É uma pena, mas todos sabemos como os jogos são caros no Brasil e não é toda hora que conseguimos traze-los de fora.

Ainda nesse último post de 2012 eu gostaria imensamente de agradecer a colaboração de todos. Já ultrapassamos por muito a marca das 8 mil visitas e o gamecriticas não para de crescer. Para o ano que vem o blog deve passar por uma repaginada, impulsionado pelas visitas e pelos comentários que recebo. Também prometo as análises dos seguintes jogos: Journey, Batman Arkhan city, Deus Ex human revolution, Uncharted 3, Shadow of colossus e ICO, pois terei acesso a eles em breve.

Muito obrigado a todos e que em 2013 possamos jogar ainda mais!

Até,

Gustavo Nogueira de Paula