Devaneios de consumo

Este texto não sou eu. Foi escrito em primeira pessoa, mas veio de outro lugar, apenas dou voz a ele, sabendo que representa muitos pensamentos. Procure bem e encontrará alguém próximo a você que se sentirá representado e reconfortado com a leitura.

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Sempre vejo gente que se acha super inteligente e crítica, no Facebook. Pessoalmente eu quase não encontro essas pessoas e as que encontro são muito chatas, montadas em seus discursinhos politicamente corretos, metidos a comunistas e que sabem o melhor para todo mundo, inclusive eu. Tem gente que vive metendo o bedelho no meu estilo de vida, nas coisas que compro ou que deixo de comprar. Sabe o que mais? Vou falar para essas pessoas: Parem de cuidar da minha vida!

Eu trabalho (ou estudo, no caso de outras pessoas) o dia todo. Acordo bem cedo, pego meu carro, enfrento trânsito até chegar no serviço e fico lá até o fim do dia fazendo tudo que meu chefe pede. Sou um bom funcionário e sei que dessa forma vou subir na empresa e na vida. Quando chego em casa, estou cansado. Tudo que quero é me informar através do Facebook, comer e jogar um pouco, as vezes ver um filme.

Quando vou escolher meu jogo, meu filme, meu livro (esse é mais raro, só quando não tenho nenhum dos outros dois mesmo) não quero nem saber da opinião desse pessoal que se diz intelectual. Eu quero ter uma vida confortável, igual aquelas que vejo na televisão e no cinema. Eu sei que sou pobre. Não sou pobre do tipo que mora em favela, mas não sou rico. Ou seja, sou um pobre, mas acho que sou menos pobre que outros. Só que ninguém gosta de se sentir pobre, mesmo sabendo que é. Eu sou assim. Quero me sentir bem, me sentir parte daquela galera que consome as coisas bacanas.

Na hora em que ligo o videogame e jogo aquele game da moda, eu me sinto por dentro do esquema. Tento reproduzir de forma bem fiel: Arrumo uns salgadinhos, uma Coca e me preparo pra atirar em quem vier pela frente. Não to afim de pensar muito, já passei o dia no trabalho, cansado. Em casa eu não quero pensar, quero atirar. Só que aí você vai conversar com esses seres inteligentes e eles dizem que seu jogo não é crítico, que sou escravo do consumo, que compro qualquer ideia que os EUA colocam na minha cabeça. Só que eu acho que eles só falam isso porque devem ser pobres também, ou porque fingem ser. No fundo eles queriam era morar lá nos EUA também, andar de carrão e ter essa vida de celebridade.

Sem contar que pra mim isso é tudo papo furado. Videogame é videogame, cinema é cinema, TV é TV. Se você não gosta do que tá vendo, é só mudar, não precisa ficar falando isso pra mim, eu não to nem aí para o que você pensa. Se quer assistir seus filmes chatos metidos a cult, jogar seus joguinhos indie, vá em frente, mas não me leve junto com você. Eu quero barulho, porrada, descansar e me divertir. Tem coisa mais gostosa do que assistir Vingadores e ver o Hulk arrebentando com a cara daqueles que querem destruir a Terra? Não quero chegar no final da história e ter que pesquisar em 10 sites e 30 livros para entender as “referências” e conceitos do que aconteceu. Quero terminar a história, recuperar o fôlego e dormir, afinal amanhã tenho que chegar cedo no trabalho, senão meu chefe não me promove. Quem fica reclamando e faz greve deveria era procurar por outro emprego. Isso é coisa de quem não gosta de trabalhar.

Então da próxima vez que for criticar as coisas que eu consumo, saiba que faço isso com muito orgulho. Quero sim me sentir como um consumidor da elite, que vocês tanto falam. Quem não quer? Se não quer, vá morar em Cuba. Não vejo a hora de por as mãos no próximo Call of Duty e de entrar no cinema com um baldão de pipoca para ver o Hulk gritando “Hulk Smash”.

E quando vier me falar que não sou politizado e blá blá blá, saiba que não estou nem aí. Quero mais é chegar em casa e descansar, do jeito que eu bem entender, você não tem nada com isso!


Psicografado por Gustavo Nogueira de Paula

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Os vingadores, o segredo da cabana e mais sobre narrativa

Dias atrás eu finalmente assisti ao tão falado “Os vingadores“, sucesso de bilheteria e de crítica perante o público. Fiquei curioso para saber porque falavam tanto desse filme, aluguei a versão em blu ray (sim, eu alugo filmes as vezes ao invés de baixar) e assisti em casa numa boa.

Avengers

Devo admitir que tive uma grata surpresa. Não apenas o filme é belíssimo, muito bem feito tecnicamente, como também é realmente divertido. Ao que se propõe “Os vingadores” não deixa nem um pouco a desejar, entregando entretenimento puro para o espectador. Fico imaginando o quanto os fãs de quadrinhos  devem ter adorado assistí-lo (pelo menos a maioria, não me refiro aos ratos de revistas que passam o filme todo procurando por defeitos que só eles são capazes de notar). Os personagens são bem desenvolvidos e ganharam uma personalidade realmente distinta, sendo fiel a suas origens, mesmo o Hulk sendo um pouquinho forçado não tem como não simpatizar com cada um deles.

Já devem estar se perguntando: mas se isso é um blog sobre jogos, então por que está falando de um filme? A resposta já deve ser óbvia para a maioria, devido as coisas que costumeiramente escrevo por aqui, mas vou deixar tudo um pouco mais claro.

A experiência de assistir Os vingadores é marcante para quem é jogador de videogame, pois o filme se parece muito com um jogo, em vários aspectos. Afora os cortes de cena ultra rápidos e as sequencias de ação bastante dinâmicas, toda a estrutura do filme é notoriamente gamificada. As novas gerações de diretores cresceram jogando e possuem uma noção de estética diferente e produzem filmes destinados a esse público. Em muitos momentos do filme parece que estamos jogando algum clássico beat’n up, como Final Fight ou Streets of Rage, pois é essa impressão que o filme nos causa. Seria como se tivéssemos escolhido algum dos personagens para cumprir determinada missão dentro da história, cada um com suas características: o fortão, o que atira, o rápido que voa, a sorrateira etc.

Tudo isso é feito de uma forma bem trabalhada. Os diálogos mais longos (que não são muitos e nem são longos) parecem cut scenes, para dar um tempo na ação e faser o jogador/espectador dar uma respirada entre cada “fase”. A história toda é contada de forma sútil e rápida e em pouco tempo já se sabe quase todo o contexto, algo típico nos jogos. Mesmo sendo simples, a narrativa é bem conduzida e devido as boas cenas de ação o filme acaba caminhando muito bem.

Obviamente não se trata de nenhum filme profundo, cult ou coisa do tipo, mas cumpre muito bem seu papel. Mesmo para quem não é fã de filmes de super heróis (como eu) vale a pena dar uma conferida e construir sua própria crítica. Esse é o exemplo de um fime que soube mesclar de melhor da narrativa filmica com a dos jogos.

Porém, como está dito no título, há outro filme para ser comentado ” O segredo da cabana“. Esse eu não assisti em casa, meu cunhado havia baixado na internet e resolvemos conferir. Só não digo que me arrependi de tê-lo visto pelo fato de ser um bom exemplo do que é algo ruim e ser utilizado como símbolo nesse texto.

Clichês e bobeiras, os pontos fortes do filme

O filme é simplesmente terrível, uma grande bobagem ao estilo mais bobo. De início percebi que seria um filme pastelão, mas não pensei que fosse tanto.  Mesmo se tratando de um filme B, ele precisaria melhorar muito para ser considerado ruim. Sei que a intenção não era criar um filme épico, mas até para fazer piada as pessoas precisam ser boas.

A história começa clichê: jovens bonitões indo passar uma noite numa cabana velha na colina. Até aí “tudo bem”, pois vários filmes são clichês e nem por isso são ruins, mas daí pra frente tudo só piora. A narrativa não conta nada do porque das coisas acontecerem, deixando tudo jogado. Dá a impressão que o diretor foi inventando as coisas na hora, juntando peças de um enorme quebra cabeças sem sentido algum. Não vou perder meu tempo descrevendo toda história por aqui, digo apenas que são diversos monstros presos em uma espécie de laboratório ou sei lá o que, com o intuito de matar os jovens para acalmar algum deus maligno. Sim, é uma porcaria, eu já havia dito.

A questão aqui é o quanto esse filme é um péssimo exemplo de narrativa feita aos moldes dos jogos. Num jogo você talvez não precise de tantos detalhes na história, pois o desafio e a diversão podem suprir essas lacunas. Não necessariamente você precisa saber de onde vem o poder desse personagem ou daquele monstro, desde que sejam bem encaixados na jogabilidade etc. Mas num filme fica muito complicado colocar campos de força invisiveis, monstros de todos os tipos presos em cubiculos, zumbis, bichos papões e um deus raivoso que destroi a Terra se não receber o sangue de uma virgem.  Um filme não pode se dar ao luxo de ser tão bobo e incompleto.

No final das contas o filme não te conta nada e tem-se a sensação de ter perdido um precioso tempo da sua vida. Os produtores parecem não terem percebido que há uma nítida diferença entre jogos e filmes e que por mais que atualmente ambos estejam se influenciando cada vez mais, os dois lados precisam manter suas origens. Um jogo em que o jogador fique apenas parado observando as cut scenes com certeza não seria bem avaliado pelos jogadores. Mesmo que digam que o filme talvez seja mais satírico do que sério, me desculpem, mas precisava melhorar muito

Caso tenha a oportunidade assista ambos e faça também essa avaliação. Através desses dois exemplos bastante distintos talvez fique mais simples estabelecer essa realção entre cinema e jogos.

Até!

OBS: Homem de ferro muito bem no filme, enquanto o Thor, meninas que me perdoem, o cara pode até ser bonitinho, mas como ator ele me lembra mais uma atendente eletrônica de telemarketing.

Atuações bastante distintas…