Crítica: Bioshock Infinite

O que você acha de encontrar uma imagem como essa logo no início de um jogo?
O que você acha de encontrar uma imagem como essa logo no início de um jogo?

As vezes nos deparamos com produções bonitas, instalações interessantes, lemos um verso que nos inspira, ouvimos algum depoimento emocionante, paramos para observar um quadro que nos causa estranheza, curtimos uma música em alto e bom som para alegrar o fim de tarde, frequentamos museus, assistimos a peças, filmes e shows. Há muita coisa boa por aí, basta procurar. Porém, as vezes nos deparamos com algo diferente, com uma grandeza que vai além das coisas mundanas, que te surpreende e te toca, que evoca sentimentos e que faz refletir, pois ali há algo a ser apreciado. Esse é o caso de Bioshock Infinite.

A série Bioshock é um sucesso de vendas e crítica, sobretudo o primeiro jogo da série. Eu mesmo já falei muito sobre ele e sou admirador confesso desse trabalho. Mas Infinite é diferente, consegue elevar a narrativa nos videogames a outro patamar. Aqui o personagem principal não é o jogador, mas o cenário e o enredo incrivelmente caprichado. A cidade flutuante de Columbia é viva e linda, com detalhes que fazem o queixo cair, o que te transporta no tempo e no espaço.

Ouvir a trilha sonora desse jogo é um agrado a parte, de tão bem feita, bem produzida e bem encaixada. Seja nos momentos de tensão, de disputa, de fuga ou de passeio por Columbia o jogador é levado através da música, constante e que mexe com os sentimentos de quem empunha os controles.

O final do jogo é uma enxurrada de informações e, por que não, de conceitos que beiram a maluquice, que atingem o jogador como um direto, atordoando e deixando qualquer um bastante perplexo. É uma chave de ouro que fecha uma trilogia e um jogo fantástico.

Mas o grande trunfo desse jogo é seu cenário, assim como já o era em seus antecessores. Vagar por Columbia é interessante, com sua música de época, seus trajes e toda sua estética, contudo nada se compara a andar pela favela, encontrar os Vox Populi e ler os cartazes que o governo totalitário e preconceituoso espalha por todo lado. Chega a ser impressionante um jogo tão mainstream tocar em assuntos tão delicados e de forma tão escancarada. É tudo bastante exposto e não deixa de ser uma crítica social dura contra a sociedade americana, rejeitando negros, estrangeiros e pobres. Tudo em nome de uma pureza racial e também intelectual.

Se junte a Vox populi
Se junte a Vox populi

Acontece que isso é apenas pano de fundo. Por mais que esse conflito constante entre os ricos e os pobres acabe cruzando com o caminho do jogador, não é a história principal, pelo menos na teoria. No fundo, me parece o contrário, sendo os tiroteios e a fantasia um imenso pano de fundo para mostrar que os jogos são capazes de trazer a tona conflitos sociais e temas de interesse do público de forma interativa e desafiadora.

Abaixo segue aquela que foi para mim uma das cenas mais marcantes que já tive a oportunidade de jogar, com a Vox Populi armada em uma realidade “alternativa”. Mesmo o vídeo não transmitindo toda a emoção que se sente enquanto jogamos esse momento do jogo, é possível ter uma ideia do que se passa, pois ouve-se os gritos das pessoas revoltadas e a música… bom, a música eu não preciso comentar.

Muitos ainda falam da jogabilidade refinada, com saltos pelos trilhos e muito tiroteio de boa qualidade. Outros lembram de Elizabeth, uma personagem e tanto, que nos acompanha durante toda a jornada e que jamais pode ser esquecida. Mas a Vox e os desdobramentos do jogo são simplesmente incríveis e foi aquilo que mais marcou minha experiência ao jogar.

Quebre o preconceito com jogos de tiro e se arrisque em Bioshock Infinite, o potencial desse jogo está muito além do que poderíamos imaginar.

A revolução
A revolução

Gustavo Nogueira de Paula

 

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Quanto vale uma nota 10?

Se você é estudante, vai a escola todos os dias, não arruma encrenca com os professores/professoras, faz suas tarefas direitinho e estuda para as provas, então provavelmente você é um estudante nota 10.

Mas e se ao invés de estudante você toca na bateria da Mangueira, vai a todos os ensaios, pratica em casa, se aprofunda em música e é uma pessoa disciplinada, há uma boa chance de sua escola receber nota 10 nesse quesito.

Ou então se você for jogador de futebol, treinar forte, acertar todos os passes, ajudar na marcação, não levar cartões, correr o jogo todo e ainda marcar o gol decisivo para o seu time no campeonato talvez você receba nota 10 dos jornalistas corneteiros de plantão.

E se ao invés disso você for uma dessas mulheres que concorrem em concursos de beleza bizarros, como nova participante do Big Brother ou nova “assistente de palco” do Pânico. Vai malhar muito, se alimentar bem, utilizar alguns anabólicos, um pouco de silicone, conhecer as pessoas certas e o 10 pode, quem sabe, cair no seu colo.

Ok, mas e se você for um jogo de videogame, do que vai precisar? Uma boa história, gráficos bonitos, boa jogabilidade, variedade, inovação, profundidade, diversão e talvez mais algum  outro aspecto mais ou menos técnico. Isso garante a tão falada nota 10? Pode ser que sim, mas nesse meio (assim como em vários outros) a nota 10 pode vir de diversas formas e de diferentes maneiras.

Esse assunto voltou a despertar minha atenção pelo seguinte motivo: Nessa terça feira dia 26 ocorre o lançamento mundial de Bioshock Infinite, terceiro da série que já vendeu mais de 5 milhões de cópias e que eu mesmo já elogiei muito por aqui. Acontece que mesmo antes do lançamento do jogo já existem dezenas, isso mesmo dezenas, de análises sobre ele e a maioria com notas 10.

É bastante comum que as produtoras liberem cópias antecipadas para os meios especializados (o qual ainda não faço parte, uma pena), mas revelar notas na véspera do lançamento é algo no mínimo desagradavel para mim. São avaliações que chegam a ser feitas com poucas horas de jogo e escritas as pressas em vários casos. No metacritic já constam 35 análises, isso apenas para Pc.

Não estou aqui a duvidar da capacidade do jogo, nem de seu potencial e quem quiser pode conferir nas minhas previsões para 2013, que escrevi ainda em 2012. Mas o fato a ser debatido aqui é a importância da nota. Bioshock Infinite esteve em produção durante 4 anos e contou com um orçamento de 100 milhões de dólares, considerado alto até mesmo para franquias como GTA ou Call of Duty, isso sem contar o marketing, que deve atingir cifra semelhante.

bioshock-infinite

Agora imagine um cenário em que um jogo caro e importante como esse recebesse notas baixas antes mesmo do seu lançamento. Muito pouco provável, a menos que o crítico fosse alguém independente como eu, pois a grande mídia não “pode” bater de frente numa situação como essa.

O que cabe a nós é aguardar o lançamento do jogo e conferir se as notas batem com a realidade, sendo sérios e não apenas passionais. O hype que tem sido criado em torno desses grandes lançamentos tem me assustado um pouco e também me preocupado. O que se vende logo na primeira semana é o que garante o lucro da produtora, então nada mais fundamental do que criar um mito antes mesmo do jogo chegar as prateleiras das lojas.

Vamos esperar para ver.

Gustavo Nogueira de Paula