Ferramentas de criação e criatividade – Não são a mesma coisa

História oral, desenhos rústicos, esculturas, papel e tinta, entalhes, impressões, gravações, fotografias, filmagens, montagens, animações, realidade virtual, jogos… são várias as formas que temos para criar e contar histórias. Talvez estejamos fazendo parte da geração com a maior quantidade de ferramentas de criação, bem como com o maior acesso a maioria delas.Contudo, o que se vê, em geral, é um sem fim de obras extremamente semelhantes e que são espremidas até a última gota de lucro possível.

Já falei sobre nostalgia e não vou ficar aqui argumentando que as produções de antigamente eram melhores, nem nada disso, mas algumas coisas andam me assustando mais do que de costume. Recentemente fui ao cinema e antes do filme começar foram exibidos vários trailers, vários. Vamos a eles: Mais um Star wars (me perdoem os fãs, mas parece que virou série, só que no cinema), MaxSteel, filme de heróis que já nem lembro qual, spin off de Harry Potter (que também vai durar 5 filmes), outro Resident Evil e mais algum outro remake que não me lembro.

O intuito aqui nem é o de julgar a qualidade destas produções. Animais fantásticos tem sido muito bem recebido pela crítica e pelo público. O último Star wars quebrou paradigmas etc. Tudo isso é ok, mas não deixo de me surpreender com a falta de criatividade. Tanto por parte de quem produz como por parte de quem assiste.

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Essa via de mão de dupla é retroalimentada por um público que vai consumir qualquer coisa que sair a respeito de Star Wars, mas que não necessariamente se arriscaria em uma nova ficção espacial. Muito provavelmente ainda encheriam de críticas, justamente mostrando o quão Star Wars ou Star Trek são superiores etc. O consumo de franquias se tornou algo obrigatório. Quem não viu ou não jogou, está por fora, vira pária. Isso de tornar os jogos anuais é algo que assusta.

Os jogos são lançados abarrotados de bugs e com inovação quase nenhuma. Recentemente, sem muito o que fazer, comprei um RPG que havia sido também bem recebido pelo público etc, Dragon Age 3. Há tempos não ficava tão desapontado. O jogo não traz nada, absolutamente nada de novo e se mostrou mais um RPG comum. Parecia que eu estava jogando algo de 15 anos atrás, mas com novos gráficos, que decepção.

Parece que estamos cada vez mais a produzir pessoas incapazes de saírem de suas zonas de conforto, da bolha de informações do Facebook, das mesmas séries, das mesmas franquias, dos mesmos sabores etc. O medo de perder é muito maior do que a vontade de ganhar e com isso se arrisca cada vez menos a conhecer trabalhos alternativos, para toda e qualquer linguagem artística.

Uma pena que, justamente quando temos tanto acesso a informação e ferramentas de produção, seja o mesmo período de tantas reproduções e consumo impensado.


Um texto mal humorado de Gustavo Nogueira de Paula

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Esse é pra casar, mas alguns são apenas pra diversão rápida

A maioria por aqui já deve ter entrado em contato com aquela clássica filosofia machista que diz que certas mulheres são pra casar (em geral as belas, recatadas e do lar), enquanto outras são apenas para curtir, ou passar a noite (em geral aquelas que usam roupas mais ousadas, independentes etc). Creio que hoje em dia essa nobre filosofia já tenha se estendido até aos homens, que também já são classificados como “para casar” e para curtir”, uma pena, isso limita e rotula bastante as pessoas.

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Comentários imbecis são bem fáceis de se encontrar pela internet, como este da imagem

Bom, não sou psicólogo, então não sou capaz de analisar o relacionamento das pessoas, nem sou concursado para juiz  para poder julgar nada, ou seja, vou falar de games e mídia, algo que me sinto mais apto a comentar e debater. Espero que assim minha analogia fique mais clara.

Neste fim de semana fui ao cinema assistir ao novo filme dos X-men: X-men Apocalipse. Particularmente achei o filme bem fraquinho, sobretudo se levarmos em conta o bom elenco e o potencial do próprio Apocalipse. Antes que alguém  em pergunte, não sou fã de quadrinhos e meu conhecimento a respeito dos X-men é superficial, baseado quase inteiramente na série animada que passava na Tv (muitos anos atrás). Ainda assim, por pagar meia, consegui assistir ao filme tomando chope e numa cadeira bem reclinada na sala Vip do cinépolis, ao lado da minha namorada. No conjunto, uma experiência agradável, mas não pelo filme em si. Dada a situação, volto à discussão inicial, destacando um pequeno trecho da crítica de X-men Apocalipse do Omelete.

Se não cumpre a expectativa em torno dos voo que alça, X-Men: Apocalipse ao menos tem o suficiente para cumprir seu papel como fonte de entretenimento.

Por que um jogo, um filme, livro etc pode ser “ruim”, mas ser salvo por apresentar “bom entretenimento”? O mesmo vale para o contrário: Por que algo (minimamente) mais denso não pode ser considerado diversão, passa tempo e tudo mais? Parece que temos maxresdefaultjogos/filmes que são para casar, ou seja, que devem ser levados a sério, que possuem qualidades mais profundas, que tem algo a nos dizer, mas fazem menos barulho, possuem menos explosões, menos pessoas morrem, possuem menos efeitos especiais, entre outras coisas. Enquanto outros, são mais rasos, mas são muito bonitos, então são apenas para curtir uma noite, não gerando grande conteúdo posteriormente. Nos entretém com grande visual, mas não da para levar muito a sério a longo prazo. Se da vergonha apresentar para a mãe aquela pessoa de uma noite, pega mal falar que gosta da mídia pop no meio das pessoas cult.

Considero essa divisão como algo bem ruim e bastante desnecessário. As pessoas precisam saber do que gostam e assumir isso sem medo. Acabamos vendo discussões ridículas nas redes sociais em que as opiniões se resumem a considerar aquilo que o outro gosta como lixo. Sou do tipo que gosta de algo mais profundo, tanto que é raro assistir a filmes de super heróis. Porém, se eu gostasse de super heróis, assistiria a todos, sem problema algum em dizer isso. O problema é assistir somente a filmes assim e acreditar que esta é a única “proposta” do cinema. Bem como o contrário, assistir apenas a filmes iranianos e acreditar que histórias do mundo pop não possuem valia. Vejo ambos como potencial de entretenimento, apesar de considerar apelação contar histórias cheias de furos, apenas para desfilar efeitos visuais e sonoros que hipnotizam os espectadores.

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Quantas vezes você já viu ou passou por isso?

Citando um exemplo bem pessoal, gosto tanto de Journey, como de Team Fortress 2, jogos com propostas bastante distintas, mas que possuem imenso potencial criativo e de divertimento, dependendo do olhar de quem os joga.

Que tenhamos mais jogos/filmes pra casar, independente da roupagem ousada que possuam, ou das atitudes que apresentem.

Gustavo Nogueira de Paula


Em tempo, gostaria de registrar aqui que o autor deste blog é completamente contra o golpe político em curso no Brasil. Que os leitores concordem ou discordem, é fundamental deixar claro que sou completamente contra o governo Temer e suas atitudes nefastas e conservadoras.

Devaneios de consumo

Este texto não sou eu. Foi escrito em primeira pessoa, mas veio de outro lugar, apenas dou voz a ele, sabendo que representa muitos pensamentos. Procure bem e encontrará alguém próximo a você que se sentirá representado e reconfortado com a leitura.

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Sempre vejo gente que se acha super inteligente e crítica, no Facebook. Pessoalmente eu quase não encontro essas pessoas e as que encontro são muito chatas, montadas em seus discursinhos politicamente corretos, metidos a comunistas e que sabem o melhor para todo mundo, inclusive eu. Tem gente que vive metendo o bedelho no meu estilo de vida, nas coisas que compro ou que deixo de comprar. Sabe o que mais? Vou falar para essas pessoas: Parem de cuidar da minha vida!

Eu trabalho (ou estudo, no caso de outras pessoas) o dia todo. Acordo bem cedo, pego meu carro, enfrento trânsito até chegar no serviço e fico lá até o fim do dia fazendo tudo que meu chefe pede. Sou um bom funcionário e sei que dessa forma vou subir na empresa e na vida. Quando chego em casa, estou cansado. Tudo que quero é me informar através do Facebook, comer e jogar um pouco, as vezes ver um filme.

Quando vou escolher meu jogo, meu filme, meu livro (esse é mais raro, só quando não tenho nenhum dos outros dois mesmo) não quero nem saber da opinião desse pessoal que se diz intelectual. Eu quero ter uma vida confortável, igual aquelas que vejo na televisão e no cinema. Eu sei que sou pobre. Não sou pobre do tipo que mora em favela, mas não sou rico. Ou seja, sou um pobre, mas acho que sou menos pobre que outros. Só que ninguém gosta de se sentir pobre, mesmo sabendo que é. Eu sou assim. Quero me sentir bem, me sentir parte daquela galera que consome as coisas bacanas.

Na hora em que ligo o videogame e jogo aquele game da moda, eu me sinto por dentro do esquema. Tento reproduzir de forma bem fiel: Arrumo uns salgadinhos, uma Coca e me preparo pra atirar em quem vier pela frente. Não to afim de pensar muito, já passei o dia no trabalho, cansado. Em casa eu não quero pensar, quero atirar. Só que aí você vai conversar com esses seres inteligentes e eles dizem que seu jogo não é crítico, que sou escravo do consumo, que compro qualquer ideia que os EUA colocam na minha cabeça. Só que eu acho que eles só falam isso porque devem ser pobres também, ou porque fingem ser. No fundo eles queriam era morar lá nos EUA também, andar de carrão e ter essa vida de celebridade.

Sem contar que pra mim isso é tudo papo furado. Videogame é videogame, cinema é cinema, TV é TV. Se você não gosta do que tá vendo, é só mudar, não precisa ficar falando isso pra mim, eu não to nem aí para o que você pensa. Se quer assistir seus filmes chatos metidos a cult, jogar seus joguinhos indie, vá em frente, mas não me leve junto com você. Eu quero barulho, porrada, descansar e me divertir. Tem coisa mais gostosa do que assistir Vingadores e ver o Hulk arrebentando com a cara daqueles que querem destruir a Terra? Não quero chegar no final da história e ter que pesquisar em 10 sites e 30 livros para entender as “referências” e conceitos do que aconteceu. Quero terminar a história, recuperar o fôlego e dormir, afinal amanhã tenho que chegar cedo no trabalho, senão meu chefe não me promove. Quem fica reclamando e faz greve deveria era procurar por outro emprego. Isso é coisa de quem não gosta de trabalhar.

Então da próxima vez que for criticar as coisas que eu consumo, saiba que faço isso com muito orgulho. Quero sim me sentir como um consumidor da elite, que vocês tanto falam. Quem não quer? Se não quer, vá morar em Cuba. Não vejo a hora de por as mãos no próximo Call of Duty e de entrar no cinema com um baldão de pipoca para ver o Hulk gritando “Hulk Smash”.

E quando vier me falar que não sou politizado e blá blá blá, saiba que não estou nem aí. Quero mais é chegar em casa e descansar, do jeito que eu bem entender, você não tem nada com isso!


Psicografado por Gustavo Nogueira de Paula

Jogo bom, jogo ruim e o jogo que eu gosto

Recentemente ocorreu mais uma entrega do Oscar aos melhores do cinema. Passando por filmes mais ou menos ousados, mais ou menos inovadores, mais ou menos criativos, o prêmio pode não ser unanimidade no meio cinematográfico, mas tem grande peso e valor, principalmente para o público geral. Passa muita credibilidade ir ao cinema assistir algum vencedor do Oscar, ou possuir em casa uma estante repleta de títulos vencedores em diferentes épocas. Isso denota bom gosto e também aquele sentimento “cult” bacana de mostrar às visitas.

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Mas nada na vida poderia ser tão fácil assim, senão não haveria graça. Acontece que as vezes o filme é vencedor de Oscar, de Globo de Ouro, de prêmio da crítica… mas a gente não gosta. Seja por achar chato, feio, estranho, tema que não seja de interesse, ator/atriz que não gostamos, país, enfim, não faltam motivos para que não gostemos de algo que seja cultuado ou premiado. Não haveria problema, desde que o exército de defesa do Cult sem ser xarope (algo como o sexy sem ser vulgar) não tentasse enfiar goela abaixo em você que aquilo é arte e você precisa gostar daquilo.

Com os jogos acontece a mesma coisa, apesar de ser de forma ainda um pouco mais tímida. Não estou dizendo que os jogos premiados são chatos, nem nada disso. Acontece apenas que em alguns casos preferimos jogos mais simples, ou até mesmo piores, por assim dizer.

Tempos atrás eu descobri Dark souls. Fiquei impressionado com o jogo e gostei bastante, tanto da mecânica, da dificuldade, do multiplayer e principalmente dos cenários e inimigos deslumbrantes. Apesar de apontar alguns defeitos estranhos, Dark Souls conseguiu me cativar. Dessa forma, logo que Dark Souls 2 foi lançado eu fiquei bastante empolgado e, no natal passado, resolvi me presentear com o jogo e suas expansões. Ainda não terminei as expansões, mas apesar de jogar bastante, Dark Souls 2 não conseguiu me cativar como seu antecessor.

Falar que o jogo é ruim seria pegar pesado demais, mas parece mais do mesmo. Itens iguais ou semelhantes, mesma forma de atuar, mesma engenharia, história que não é história. Resumo da ópera: parece um jogo que já joguei. Se não fosse pelo multiplayer eu talvez nem jogasse tanto assim.

Isso faz o jogo ruim? Não! Porém, nitidamente fui mais impactado e me interessei mais pelo primeiro do que pelo segundo Dark souls, por motivos pessoais bastante evidentes.

Apesar de defender e lutar por jogos melhores e mais elaborados, entendo que as pessoas tem a liberdade de  gostarem daquilo que bem entenderem, sabendo que isso pode variar em cada etapa da vida. Principalmente se levarmos em conta que um jogo pode ser considerado bom sob vários aspectos, desde os mais estéticos até os mais culturais ou técnicos.maxresdefault

Então, da próxima vez que estiver conversando sobre algum jogo premiado que você não tenha gostado, não fique constrangido em dizer a verdade, sem medo das retaliações. Além disso, caso esteja na fila do cinema e prefira ver o filme do Bob Esponja ao invés daquele cult idolatrado por madames e caras que usam xadrez e barba (como eu), não tenha receio, só cuidado para não ser confundido com algum pedófilo.

Gustavo Nogueira de Paula

As nossas ideias

Além da Imaginação

Sabe aquela sensação que temos quando terminamos de assistir algo e pensamos “eu teria feito diferente”? A partida de futebol rolando, o atacante sai frente a frente com o goleiro, tenta um drible e perde o gol. Imediatamente nos transportamos para dentro do gramado, imaginamos que estamos com a bola e em nosso sonho marcamos o gol e nos deleitamos com os gritos da torcida.

Ou então aquele filme que vai super bem, te prende na poltrona do cinema, mas no final é terrível e nos desaponta. Mais uma vez, nos transportamos para o set de filmagem e recriamos o final a nossa maneira, mais ousado, sem finais felizes forçados e com doses extras (ou mínimas) de violência.

Isso quando a ideia não vem inteira à nossa cabeça. Não são poucos os que dizem “Eu gostaria de ter feito um filme do Batman” ou alguma coisa a respeito. O desejo de criação arde na mente de muitos, mas essa infinitude de ideias permanece no mundo dos sonhos, guardado com cada um.

No meu caso as ideias giram muito em torno dos jogos. São várias as ideias malucas, que com certeza não receberiam financiamento algum, mas na minha imaginação são ótimas e gostaria de vê-las concretizadas. Nem sou tão ligado a jogos de administração, manager etc, mas gostaria muito de produzir jogos administrativos ligados a temas governamentais. Não gostaria de algo superficial e geral como o Sim City, mas sim de temas e pastas específicas do setor público.

Imagine um simulador em que você é o responsável por cuidar da Educação do estado de São Paulo. O jogo lhe apresenta as metas estatísticas, verbas, situação geral, situação de cada escola, gastos etc. Daí em diante é com o jogador. Como será que cada um sairia? Seria mais interessante ainda se junto a todas as situações administrativas os problemas sociais também fossem parte do jogo, com dilemas morais e éticos. Perda de dinheiro com corrupção, ameaças de grandes corporações interessadas no negócio. Em pouco tempo, na minha cabeça, o jogo se parece mais com um filme de gangsters do que algo ligado a Educação e desenvolvimento social.

Para não ficar somente nesse tipo de tema, que tal um jogo de futebol em primeira pessoa? Ou ainda, que tal um jogo de algum esporte menos conhecido como o Curling. Creio que seria interessante levar o Curling para dentro das salas, através do kinect, me parece, no mínimo, engraçado.

Curling
Curling

O importante é exercitar esse pensamento e, mesmo que seja apenas em seus sonhos, crie novas ideias e deixe a imaginação voar o mais longe possível. Você professor, deixe seus alunos criarem as ideias mais improváveis, registre e tente reproduzir algo depois. A mesmice que tem tomado conta das mídias me assusta, então vamos tentar apresentar algo novo.

Deixe aqui sua ideia improvável, vamos criar nosso bestiário de jogos/filmes/peças etc.

Gustavo Nogueira de Paula

Detona Ralph!

Foi nessa sexta feira que assisti ao famoso “Detona Ralph”, filme em animação da Disney que aborda o mundo dos games. Perdi a oportunidade de vê-lo no cinema em 2012, mas me redimi finalmente e agora venho escrever sobre ele. Já li muitas críticas sobre o filme e agora é minha vez de apresentar meu veredito.

Um dos cartazes do filme
Um dos cartazes do filme

Fundamental aqui é descrever onde e como eu assisti ao filme. Não sei se todos sabem, mas eu trabalho com crianças em um programa de educação não formal,  o Curumim do SESC. No meu caso especificamente o SESC da cidade de São Carlos. Como parte da programação dessa sexta nós levaríamos as crianças para o nosso cinema dentro da unidade (teatro para aproximadamente 300 pessoas com um generoso telão e um projetor em HD, além de sistema de som de cinema). Cabia a mim escolher o filme e eu estava apenas aguardando o lançamento do filme (e disponibilidade do nosso espaço) para poder traze-lo ao trabalho. Assim aconteceu.

Acomodamos a todas as 80 crianças e demos início a exibição. Logo de cara as referências são muitas e bem diretas. Desde Zangief a fantasma do Pac Man, os personagens e cenários de jogos são muitos e isso é muito legal. O que da pra notar é que o fiilme apela para certa nostalgia dos espectadores, trazendo jogos e figuras antigas, dos tempos do Atari ainda. Não a toa o jogo personagem principal está completando 30 anos no filme. Não, isso não é coincidência, óbvio.

A história do filme, basicamente, é um vilão de um jogo (Ralph) tentando se tornar mocinho para ter uma vida melhor. Para isso ele precisa de uma medalha de outro, que ele resolve buscar em outros jogos, gerando toda a confusão.

Não da pra exigirmos muito de um filme Disney, pois não haverá grande confronto com valores sociais ou o que quer que seja, mas Detona Ralph é digno de respeito. Não que ele seja revolucionário, mas presta uma boa homenagem aos jogos. Não vou entrar em detalhes, pois isso cada um pode conferir ao assistir ao filme, mas ele traz de volta toda aquela mística dos fliperamas e chega até mesmo a criticar a nova gerção de jogos, violentos e que colocam o jogador para fazer de tudo para receber uma medalha de ouro (ou troféu de ouro se preferirem).

Ralph tentando fazer do jogo Hero's duty

O eixo central do filme talvez seja justamente essa oposição entre a antiga “ingenuidade” dos jogos em comparação aos enredos e gráficos dos jogos de hoje em dia. Não quero dizer que os jogos antigos sejam melhores que os de hoje, nem vou discutir isso nesse momento, mas vale a pensar no que os jogos estão se tornando. O que posso dizer é que não apenas não vejo graça como me preocupo muito com essa busca frenética por platinar jogos etc. O máximo que costumo dizer nessas horas é “parabéns, você conseguiu jogar de forma robótica seu jogo”.

No final tudo da certo, mas cabe outra nota aqui. A garotinha que ajuda Ralph tinha tudo para se tornar a princesinha (o filme é bem baseado nos jogos do Mario) inclusive com vestidinho cor de rosa (igual a Peach mesmo), mas ela prefere continuar com seu estilo moleca de ser. Isso para a Disney é um avanço e, na minha opinião, para os jogos também.

Mesmo sendo um pouco água com açucar eu recomendo a todos que gostam de videogame a assistir esse filme, pois ele vale muito enquanto homenagem.

Agora a grande diferença, o fato de eu ter assistido Detona Ralph com as crianças com quem trabalho. Eles adoraram o filme e se não me engano foi o filme que mais gostaram de assistir nesses três anos em que trabalho por lá, ganhando até de “Como treinar seu Dragão”, outro queridinho da galera.

Ou seja, enquanto filme infantil ele cumpriu bem seu papel, pois caiu totalmente no gosto das crianças. Para os mais velhos, que podem achar o filme água com açucar, ele vale a pena por sua homenagem e pelas inumeras referências a jogos, sobretudo os antigos.

Encontre um primo, irmão mais novo, sobrinho ou afilhado e assista Detona Raplh. Talvez os jogos estejam precisando novamente de uma certa dose de ingenuidade infantil…

Até mais,

Gustavo Nogueira de Paula

Lista de obras

Fim de ano e no Brasil é época das maiores provas de vestibular: Fuvest, Unesp, UNICAMP e ENEM. Cada final de semana uma nova maratona para aqueles que querem cursar uma universidade pública. São centenas de milhares de candidatos respondendo as mais variadas questões sobre química, física, matemática, biologia, geografia, história, inglês e português, além de redação.

Para as provas de português são requisitadas as leituras de algumas obras consideradas importantes para a língua portuguesa. A lista desse ano da fuvest e unicamp continha: “viagens na minha terra” de Almeida Garret; “Til” de José de Alencar; “Memórias de um sargento de milícias” de Manuel Antônio de almeida; “Memórias póstumas de Brás Cubas” de Machado de Assis; “O Cortiço” de Aluísio de Azevedo; “A cidade e as Serras” de Eça de queiros; “Vidas Secas” de Graciliano Ramos; “Capitães da Areia” de Jorge Amado; “Sentimento do Mundo” de Carlos Drummond de Andrade.

vidas secas é dos meus livros favoritos

De início isso o assunto não parece ter grande relação com os games, mas apresento aqui um texto provocatório, na intenção de nos fazer refletir sobre algumas tradições que temos na nossa sociedade.

Tempos atrás levantou-se uma discussão na cúpula da organização do vestibular da unicamp, questionando a existência e o formato da lista de leituras obrigatórias. O principal argumento é de que existem outras produções que também deveriam ser de conhecimento obrigatório, extrapolando a literatura. Chegou-se a propor uma lista de obras, de uma forma mais geral, que incluísse artes plásticas, filmes, literatura etc. A ideia foi rechaçada e a lista continuou da mesma forma de sempre.

Não vou entrar na discussão do “valor” e da importância de cada uma dessas obras literárias, que são realmente fantásticas. Mas seriam elas as únicas a serem cobradas obrigatoriamente na prova de linguagem? E os filmes clássicos, sobretudo nacionais, não mereceriam espaço junto a elas? Será que o fato de ser uma obra cinematográfica faz de “Central do Brasil” algo menor? Apenas para exemplificar.

Os filmes já começam a mostrar sua importância enquanto mídia madura e produtora de muito conhecimento. Apesar de possuir um formato praticamente estabelecido, há espaço para muita inovação e criação dentro do cinema, o que acaba por conferir muito prestígio a essa forma de expressão.

Quanto aos jogos, qual a distância que eles estão de figurar entre outras obras importantes, seja no Brasil ou no mundo. Atualmente essa distância é imensa. Que me perdoem os jogadores mais afoitos, mas a grande maioria dos jogos produzidos hoje em dia ainda é mais do mesmo, inovando pouco e com enredos fraquinhos. São poucos os jogos que realmente se destacam por levarem o jogador a sério, considerando-o um ser inteligente. Os que fazem isso costumam receber grande destaque da mídia e do meio acadêmico, mas não necessariamente dos jogadores.

Não estou fazendo aqui um juízo de valores, comparando um livro a um filme ou a um jogo. Cada um possui suas próprias características, mas os jogos ainda são relativamente novos se compararmos com a história de outras formas de produção artísticas e/ou textuais, mas já é chegada a hora de começar a encará-los de forma mais séria. A esperança reside no crescimento da produção e divulgação de jogos indies. Mas sempre passamos pelo mesmo problema: Produtores independentes querem crescer  no mercado e para crescer no mercado costumam fazer jogos “apenas” para agradar aos compradores, deixando a inovação de lado, pelo medo da não aceitação. Uma vez se estabelecendo no mercado acabam por repetir as fórmulas já conhecidas, com apenas alguns retoques ou roupagens novas.

Seguindo nesse ritmo os games continuarão a serem considerados como obras menores por um bom tempo. Não espero que um jogo seja comparado ou equiparado com Graciliano Ramos, nem quero, mas vale pensar o que seria necessário para que um jogo fosse considerado importante o suficiente para ter sua leitura tida como obrigatória.

Isso deveria valer para os cursos de produção de jogos. Alguns títulos deveriam ser obrigatórios durante o curso, seja por sua inovação na jogabilidade, gráficos, enredo, estética etc. É muito triste ver profissionais chegando ao mercado tendo jogado apenas os grande blockbusters da vida e se limitando a ler apenas reviews que atribuem de uma a cinco estrelinhas para os jogos.

Que me venha à cabeça agora me recordo apenas de Bioshock ser cobrado numa universidade americana, mas sinceramente eu não lembro onde vi isso e não consegui reencontrar a notícia. De qualquer forma, talvez seja o início, pois aos poucos os jogos  e os jogadores ganharão mais respeito. Para isso precisamos de jogos inovadores e para jogos inovadores precisamos de jogadores mais conscientes e para jogadores mais conscientes precisamos de melhores pesquisas, críticas e divulgação.

A estrada é longa, mas não me surpreenderia se num futuro próximo algum jogo ou personagem figurasse como obra aclamada mundo afora, sendo debatido e discutido em museus, mesas de bar, universidade, escolas…

Em tempo, mais uma vez obrigado aos visitantes do gamecriticas, que ultrapassou já tem um tempo a marca das 6 mil visitas. O público vem crescendo bastante e espero sempre por sugestões, dúvidas e críticas.

Até mais,

Gustavo Nogueira de Paula

obrigado a todos visitantes, já ultrapassamos, e muito, as 6000 visitas!

Os vingadores, o segredo da cabana e mais sobre narrativa

Dias atrás eu finalmente assisti ao tão falado “Os vingadores“, sucesso de bilheteria e de crítica perante o público. Fiquei curioso para saber porque falavam tanto desse filme, aluguei a versão em blu ray (sim, eu alugo filmes as vezes ao invés de baixar) e assisti em casa numa boa.

Avengers

Devo admitir que tive uma grata surpresa. Não apenas o filme é belíssimo, muito bem feito tecnicamente, como também é realmente divertido. Ao que se propõe “Os vingadores” não deixa nem um pouco a desejar, entregando entretenimento puro para o espectador. Fico imaginando o quanto os fãs de quadrinhos  devem ter adorado assistí-lo (pelo menos a maioria, não me refiro aos ratos de revistas que passam o filme todo procurando por defeitos que só eles são capazes de notar). Os personagens são bem desenvolvidos e ganharam uma personalidade realmente distinta, sendo fiel a suas origens, mesmo o Hulk sendo um pouquinho forçado não tem como não simpatizar com cada um deles.

Já devem estar se perguntando: mas se isso é um blog sobre jogos, então por que está falando de um filme? A resposta já deve ser óbvia para a maioria, devido as coisas que costumeiramente escrevo por aqui, mas vou deixar tudo um pouco mais claro.

A experiência de assistir Os vingadores é marcante para quem é jogador de videogame, pois o filme se parece muito com um jogo, em vários aspectos. Afora os cortes de cena ultra rápidos e as sequencias de ação bastante dinâmicas, toda a estrutura do filme é notoriamente gamificada. As novas gerações de diretores cresceram jogando e possuem uma noção de estética diferente e produzem filmes destinados a esse público. Em muitos momentos do filme parece que estamos jogando algum clássico beat’n up, como Final Fight ou Streets of Rage, pois é essa impressão que o filme nos causa. Seria como se tivéssemos escolhido algum dos personagens para cumprir determinada missão dentro da história, cada um com suas características: o fortão, o que atira, o rápido que voa, a sorrateira etc.

Tudo isso é feito de uma forma bem trabalhada. Os diálogos mais longos (que não são muitos e nem são longos) parecem cut scenes, para dar um tempo na ação e faser o jogador/espectador dar uma respirada entre cada “fase”. A história toda é contada de forma sútil e rápida e em pouco tempo já se sabe quase todo o contexto, algo típico nos jogos. Mesmo sendo simples, a narrativa é bem conduzida e devido as boas cenas de ação o filme acaba caminhando muito bem.

Obviamente não se trata de nenhum filme profundo, cult ou coisa do tipo, mas cumpre muito bem seu papel. Mesmo para quem não é fã de filmes de super heróis (como eu) vale a pena dar uma conferida e construir sua própria crítica. Esse é o exemplo de um fime que soube mesclar de melhor da narrativa filmica com a dos jogos.

Porém, como está dito no título, há outro filme para ser comentado ” O segredo da cabana“. Esse eu não assisti em casa, meu cunhado havia baixado na internet e resolvemos conferir. Só não digo que me arrependi de tê-lo visto pelo fato de ser um bom exemplo do que é algo ruim e ser utilizado como símbolo nesse texto.

Clichês e bobeiras, os pontos fortes do filme

O filme é simplesmente terrível, uma grande bobagem ao estilo mais bobo. De início percebi que seria um filme pastelão, mas não pensei que fosse tanto.  Mesmo se tratando de um filme B, ele precisaria melhorar muito para ser considerado ruim. Sei que a intenção não era criar um filme épico, mas até para fazer piada as pessoas precisam ser boas.

A história começa clichê: jovens bonitões indo passar uma noite numa cabana velha na colina. Até aí “tudo bem”, pois vários filmes são clichês e nem por isso são ruins, mas daí pra frente tudo só piora. A narrativa não conta nada do porque das coisas acontecerem, deixando tudo jogado. Dá a impressão que o diretor foi inventando as coisas na hora, juntando peças de um enorme quebra cabeças sem sentido algum. Não vou perder meu tempo descrevendo toda história por aqui, digo apenas que são diversos monstros presos em uma espécie de laboratório ou sei lá o que, com o intuito de matar os jovens para acalmar algum deus maligno. Sim, é uma porcaria, eu já havia dito.

A questão aqui é o quanto esse filme é um péssimo exemplo de narrativa feita aos moldes dos jogos. Num jogo você talvez não precise de tantos detalhes na história, pois o desafio e a diversão podem suprir essas lacunas. Não necessariamente você precisa saber de onde vem o poder desse personagem ou daquele monstro, desde que sejam bem encaixados na jogabilidade etc. Mas num filme fica muito complicado colocar campos de força invisiveis, monstros de todos os tipos presos em cubiculos, zumbis, bichos papões e um deus raivoso que destroi a Terra se não receber o sangue de uma virgem.  Um filme não pode se dar ao luxo de ser tão bobo e incompleto.

No final das contas o filme não te conta nada e tem-se a sensação de ter perdido um precioso tempo da sua vida. Os produtores parecem não terem percebido que há uma nítida diferença entre jogos e filmes e que por mais que atualmente ambos estejam se influenciando cada vez mais, os dois lados precisam manter suas origens. Um jogo em que o jogador fique apenas parado observando as cut scenes com certeza não seria bem avaliado pelos jogadores. Mesmo que digam que o filme talvez seja mais satírico do que sério, me desculpem, mas precisava melhorar muito

Caso tenha a oportunidade assista ambos e faça também essa avaliação. Através desses dois exemplos bastante distintos talvez fique mais simples estabelecer essa realção entre cinema e jogos.

Até!

OBS: Homem de ferro muito bem no filme, enquanto o Thor, meninas que me perdoem, o cara pode até ser bonitinho, mas como ator ele me lembra mais uma atendente eletrônica de telemarketing.

Atuações bastante distintas…

Transmídia 3

Como prometido, vou continuar a falar dessas migrações entre as mídias, observando o quanto elas tem evoluído e se renovado, de forma a explorar aspectos novos, em busca de seu público.

Também como prometido, vou falar de livros aqui hoje, sem grande alarde e bem curtinho, para não ficar me alongando demais.

Os livros nos últimos tempos passaram a ter páginas cada vez mais recheadas de uma escrita cinemtográfica, a exemplo dos videogames. Dando uma forçadinha na barra, da pra falar que estão cada vez mais roteirizados. Mas além de cinematográficos, estão mais gamificados (alguém tem uma palavra melhor?) e o texto é feito de forma a instigar o leitor a tentar descobrir o que vem logo a frente, tentando desvendar cada charada como se estivesse jogando algo. É comum o leitor lamentar quando o protagonista falha, sendo que o primeiro já sabia o que deveria ser feito, mas não tinha como avisar o pobre mortal personagem do livro.

Para manter meu estilo, vou citar alguns exemplos aqui. O primeiro dessa vez é o do mundialmente famoso bruxo Harry Potter e toda sua saga. Li todos os livros da série e pode-se perceber claramente a evolução pela qual os livros passaram, se tornando mais sombrios e até mesmo profundos (para um livro infanto juvenil). Desde o início, os livros tinham um formato um tanto padrão: início do ano letivo, algumas briguinhas, um problema colossal, mistério, resolução do problema colossal por Harry Potter e seus amigos. Eles já possuiam um formato relativamente fácil de adaptar ao cinema, ou aos videogames, mas destaco que a partir do quarto livro a coisa mudou bastante.

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Não apenas pela competição presente no livro, que por si já era um chamariz para o cinema e para os games, mas os acontecimentos presentes e a forma com que são descritos dão a entender que ele já foi escrito pensando no cinema. Dali em diante essa impressão fo icada vez mais forte.

Lembro bem quando estava lendo Harry Potter e a ordem fa Fênix (que na época eu achei bem ruim). Em determinado momento do livro parecia que eu estava lendo uma descrição de quem havia visto o filme no cinema (que na época nem havia sido lançado). Quando cheguei nas páginas finais, em que rolava um combate entre os bruxos da ordem e os seus inimigos do mal, confesso que fiquei até um tanto chateado, pensando “isso não foi feito para ser lido, foi feito para ser assistido”. Não a toa eu preferi o filme em relação ao livro, primeira vez na vida em que isso aconteceu. Dali pra frente eu me acostumei um pouco com isso e considerei os dois ultimos livros um pouco mais bem dosados, ou seja, o equilibrio entre boa leitura e bom filme se estabeleceram.

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Dali para se tornar jogo também era um pulo. Combates, sequencias de decisões e desafios, cenários labirinticos, mistério e tudo aquilo que costuma estar presente na maioria dos jogos. Mesmo ainda sendo um livro, o que significa que era feito primeiramente para ser lido, Harry Potter dava espaço para se tornar filme e dava brechas pouco exploradas para serem vividas no videogame. Isso contribuiu TAMBÉM para seu sucesso tão grande.

Outro livro bem cinematográfico foi o Código da Vinci, mas sobre esse falarei um pouco menos. Primeiro que o livro, apesar de envolver tanto mistério e abordar um tema que gerou polêmica (desnecessariamente eu diria), possuir um ritmo agradável de leitura e ser provocador, era um tanto quanto bobo. Trata-se daquela clássica correria, com assassinato e mistério, que para mim faria mais sentido se estivesse na série vagalume, indicada para jovens leitores. Não que o livro seja chato de ler, nem é isso, pois em pouco mais de dois dias eu já havia terminado, mas ele era nitidamente sensacionalista, o popular blockbuster. Porém, o filme produzido sobre ele era simplesmente péssimo. Pobre Tom Hanks, não sabia que um livro de tanto sucesso serviria de base para um filme tão bobinho, apesar do próprio Tom Hanks term contrubuido um pouco para isso, com uma atuação bem sem sal. Sobre o código eu não vou falar muito, pois é um exemplo de que essa adaptação pode ser mal feita, gerando um filme sem graça e um livro pouco enriquecedor.

Por hoje são apenas esses exemplos. Eu ia falar sobre o Jogador Número 1, mas como pretendo fazer uma resenha apenas sobre ele, acabei não acrescentando o aqui. Creio que semana que vem já posto essa pequena análise desse lvro, que tem feito barulho no mundo geek.

Até lá, boa sexta feira 13 e cuidado com os gatos pretos hoje!