Left is dead

A indústria brasileira de games continua a todo vapor! Após o estrondoso sucesso de “Democracy GO”, a empresa Ironic Games lança mais um título, dessa vez se aproveitando do filão dos jogos de tiro e de zumbis, o “Left is Dead” (imagino que qualquer semelhança com o nome Left for dead não seja mera coincidência).

O jogo não prima pela originalidade, se utilizando dos já conhecidos clichês das histórias de zumbis: Alguma coisa de ruim aconteceu e agora você tem que sobrevier a ordas de zumbis que vagueiam pela rua num mundo pós apocalíptico. A parte interessante é que conseguiram trazer isso para algo mais próximo do nosso meio, ambientando o jogo nas ruas brasileiras de algumas das principais capitais brazucas. Segundo a assessoria de imprensa da Ironic, até o fim do ano todas as capitais e até algumas cidades do interior já estarão disponíveis.

zumbi-1

Mais uma vez, se trata de uma mecânica de jogo simples e conhecida da maioria dos jogadores: Em primeira pessoa, o personagem precisa sobreviver em meio ao caos gerado pelos zumbis e muitas vezes correr é a melhor das opções. São pouquíssimas as armas disponíveis e o suporte também é escasso. A dificuldade é alta e é bem provável que você perca bastante antes de conseguir chegar até o final, se é que vai conseguir.

A parte interessante do jogo se dá na seleção de personagens, ambientação e na caracterização incrível dos principais inimigos. Na tela inicial há apenas as opções de “Novo jogo” ou “Continue”, ao som de Chico Buarque de Holanda, que casou bem com a proposta da Ironic. Ao clicar em “Novo jogo” você é levado/levada a tela de seleção de personagens, que são poucos e não customizáveis, o que dá a impressão do jogo não estar completo, apesar de prometerem novidades ainda esse ano. São:

  • Jean – Homem branco e de barba, camiseta vermelha e bermuda rasgada. Vem equipado com vinagre e é o que mais corre;
  • Glória – Mulher negra, com roupa ao estilo afro. Vem equipada com vinagre e um pandeiro. Tem incrível força e capacidade de ataque, mas corre pouco e é mais perseguida do que os outros personagens;
  • Paulo – Uniforme do sindicato completo. Equipado com uma bandeira, que pode virar arma em casos de desespero. Vem sem vinagre, mas carrega kit de cura (sanduíche).

mulher-negra-e-o-feminismo

Como gosto de desafios, escolhi logo a fase que os desenvolvedores consideram como sendo a mais difícil: Avenida Paulista, em São Paulo. Pude atestar que eles não estavam brincando.

Diferentemente de outros jogos nessa linha, em que tudo está destruído e coberto por vegetação, em “Left” o cenário parece limpo e bem cuidado, não dando a impressão inicial que se trata de um apocalipse ou algo do gênero. Mas basta caminhar um pouco para sentir que o game não é moleza. Ao seu lado caminham os outros dois personagens não escolhidos (no meu caso escolhi o Jean). Logo de cara começam a surgir os primeiros zumbis, pessoas brancas usando camiseta da CBF ou camisetas brancas. Não demora e você já percebe que nem vale a pena entrar em confronto com eles, a não ser para ganhar experiência. As armas inicias são megafone (para conversão) e alguns panfletos que você precisa ficar entregando até afastar os zumbis.

Com o tempo começam a surgir os zumbis mais poderosos: alguns homens com a cabeça raspada e muito fortes, algumas senhoras com cachorrinhos a tira colo e alguns outros que portam taças de champanhe. O megafone não funciona com nenhum deles, tão pouco os panfletos. Se a essa altura você não tiver conseguido o equipamento de disfarce (Iphone e roupa de marca) é derrota na certa. A dica aqui é começar a correr o máximo que puder, pois os inimigos seguintes são ainda mais desafiadores.

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Já correndo e em pânico para não dar game over, comecei a encontrar ordas e mais ordas de inimigos conhecidos como Bolsominions. Eles não possuem cérebro e vem esbravejando em sua direção. É incrivelmente difícil passar por eles, pois são muito agressivos e as suas armas tendem a não funcionar. A sorte é que normalmente eles se viram uns contra os outros e acabam por se matar.

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Mas foi nesse momento do jogo, num ato desespero, enquanto corria sem prestar muita atenção no cenário, que encontrei o que acreditava ser um ponto seguro: Personagens cujo uniforme estava escrito “Proteger e servir”. Doce engano. Tratava-se simplesmente dos inimigos mais poderosos. Sedentos por nos matarem, portavam todo tipo de armamento, coletes, carros, escudos e tudo mais que se possa imaginar. Usei meu estoque de vinagre, mas não resolveu muito e acabei morrendo umas 5 ou 6 vezes. Não tenho orgulho em dizer isso, mas a única forma que encontrei de passar deste chefão foi trapaceando e digitando o código “Propina”, que os torna bem dóceis e em alguns casos chegam até a lutar ao seu lado.

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A história do jogo não é muito clara, não dá para entender bem o porque dos zumbis atacarem. Nos fragmentos narrativos que são apresentados, dá a entender que eles se transformaram devido ao ódio que sentiam e que atacam pelo prazer da destruição, não pretendendo criar uma nova sociedade ou algo assim. Uma pena criarem monstros e inimigos tão interessantes, mas com motivações tão rasas assim.

Sobre a dificuldade do jogo, a galera da Ironic me disse por email que “se trata de um jogo feito para jogar no modo cooperativo. Sozinho ele realmente é impossível. A ideia é que os jogadores se conectem para derrotar o inimigo, quanto mais gente melhor” disse.

Não dá para dizer se o jogo vai vingar por aqui, mas não deixa de ser mais um opção interessante em nosso mercado cada vez mais saturado e clemente por algo novo.

Mais uma vez, esse jogo não existe

Gustavo Nogueira de Paula


OBS: A última foto foi retirada do G1 e a legenda original era simplesmente incrível: Vídeo flagra manifestante agredindo policial em protesto de professores

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Videogame é cultura?

Apesar de estar um pouco atrasado resolvi tratar de uma polêmica surgida recentemente, quando a ministra Marta Suplicy afirmou que os jogos de videogame não são cultura. Parte ignorância, parte má vontade de entender essa mídia, mas seja o que for a ministra deu uma grande bola fora e atraiu a ira dos pesquisadores da área, inclusive a minha.

Os games serão beneficiados?
Os games serão beneficiados?

Vasculhando nas minhas coisas encontrei um texto meu que trata exatamente disso, publicado no SBGames de 2009. Trago aqui alguns trechos na integra para mostrar a nossa companheira que ela precisa ampliar um pouco mais seus horizontes.

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Antes de começar a falar especificamente sobre o jogo digital, cabe aqui pensarmos em uma questão que já existia antes mesmo de sua grande propagação: a globalização e os eventuais efeitos causados nas mais diversas culturas onde este fenômeno é analisado.

Falar de Cultura não é algo simples, pois se trata de um complexo objeto de estudo. Não podemos fazer simplificações e análises levianas sobre modos de vida, pensamentos, ações valores e signos. Pensar em Cultura implica pensar no que diferencia os homens, é pensar em constante transformação.

Nessa perspectiva, cultura passa a ser entendida como todo um sistema semiótico, assim envolvendo diferentes tipos de textos, sons, imagens, formas e gestos, não se
estruturando de forma individual, mas coletiva, fazendo parte de toda sociedade (ALVES, 2005).

Weiner (2000) nos mostra que as transformações que vem ocorrendo nas mais diversas sociedades ao redor do globo, em muitos casos devido a temida globalização, tem feito com que ocorra uma mundialização de culturas e não simplesmente de uma Cultura em detrimento de outras.

O autor nos mostra dessa forma que:

“o ponto de vista global sobre a globalização da cultura isola os produtos culturais de seu contexto, agrega-os por categorias e quantifica sua produção e sua distribuição em escala planetária. Ele está mal armado para compreender a maneira como os produtos culturais são recebidos, decodificados, recodificados, domesticados, reapropriados. O ponto de vista global não tem acesso à atividade das instâncias intermediárias, que fazem a triagem e recontextualizam os produtos das culturas-industriais”. (WEINER:145)

Videogame e cultura

Dando continuidade aos argumentos apresentados na sessão anterior, vale lembrar
aqui que muito tem se falado sobre a Cibercultura (LÉVY, 1999) e sobre a cultura de simulação em que vivemos hoje. Esclarecendo este termo “cultura da simulação”, podemos nos valer das palavras de Turkle (1989) que nos diz especificamente
como os videogames se inserem nesse mundo tecnológico.

Os videogames são uma janela para um novo tipo de intimidade com máquinas, que caracteriza a cultura do computador nascente. O relacionamento especial que os jogadores estabelecem com os videogames tem elementos comuns a interação com outros tipos de computador. O poder dominador dos videogames, o seu fascínio quase hipnótico, é o poder dominador do computador. As experiências de jogadores de videogame ajudam-nos a compreender esse poder dominador e algo mais. No fulcro da cultura de computador está a idéia de mundos construídos, ‘governados por regras’. Utilizo o jogo de videogame para iniciar um debate sobre a cultura de computador deregras e simulação.

Manovich comenta que

o computador com dados em 3-D e o computador baseado em espaço virtual tornaram-se verdadeiras formas culturais – formas gerais utilizadas pela cultura para representar a experiência humana, o mundo, e a existência humana neste mundo.”

Além disso, Lindley e Craig (2001) afirmam também que estamos em um processo de

desenvolvimento de sistemas em que estamos a criar novas formas de significado, novos modos de expressão e, potencialmente, novas formas de função estética (e que) entender esses sistemas (portanto) exige abordagens que podem identificar princípios de semiose a partir de uma perspectiva de que cada forma é fluida e altamente variável.

Tratando especificamente dos videogames, sabemos que estes são tidos como uma mistura entre o cinema, a música (o som), o
jogo, a narrativa ficcional em Literatura e diversas outras Linguagens. Isto em muitos casos chega a causar problemas para sua
definição, devido à heterogeneidade que o constitui. Como resultado, o que tem ocorrido são estudos transdisciplinares sobre esta mídia, visto que tentar meramente definí-lo para encaixá-lo em qualquer área clássica de estudo poderia servir apenas para reduzir seu potencial, pois isto tenderia a uma simplificação do objeto. Porém, apesar da crescente visão dos
videogames como objetos complexos e heterogêneos, o que se fala no senso comum (além dos eternos comentários sobre sua
violência) é que estes serviriam apenas para inculcar na cabeça dos jovens um jeito americano de ser. Contudo, ao olharmos mais de perto veremos que esta afirmação mostra falta de conhecimento e uma superficialidade notáveis.

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Este foi apenas um resumo com alguns trechos do texto completo, mas parece suficiente para, no mínimo, mostrar o quão infeliz foi a fala da Marta.

Para sua diversão e também como argumento nesse debate, aproveite um pouco o jogo da Martinha.

Até mais,

Gustavo Nogueira de Paula

Os melhores de 2012

VGA 2012, a premiação dos games
VGA 2012, a premiação dos games

Aconteceu semana passada o VGA 2012, a premiação para os melhores jogos do ano em várias categorias. Nesse ano o evento teve a apresentação de Samuel L. Jackson e mais uma vez foi transmitido ao vivo. Mas vamos analisar rapidamente as principais categorias e seus vencedores. A lista completa você pode encontrar no omelete.

Melhor game para PCs

Diablo III
Guild Wars 2
Torchlight II
XCOM: Enemy Unknown

Como já falei várias vezes, a vida de crítico brasileiro é bem complicada, pois eu simplesmente não consegui comprar nenhum desses jogos, então vi vídeos e li um pouco a respeito de cada um. Não vou entrar no mérito do merecimento do prêmio para o XCOM, mas com certeza foi um golpe duro para o pessoal da Blizzard, que parece ter dado uns passos para trás nesse ano. Diablo III sequer ganhou o prêmio de melhor RPG do ano, que ficou com Mass Effect 3 (aparentemente justo).

Melhor jogo de Xbox 360

Assassin’s Creed III
Borderlands 2
Dishonored
Halo 4

Não tenho Xbox e não joguei nenhum desses também, mas ao que parece todos concordaram com a premiação de Halo 4, mesmo porque eles costumam dar esse prêmio para os jogos exclusivos. Infelizmente não tenho muito mais a dizer.

O vencedor de melhor jogo para Xbox 360 em 2012
O vencedor de melhor jogo para Xbox 360 em 2012

Melhor game para Wii / Wii U

New Super Mario Bros. U 
The Last Story
Xenoblade Chronicles
ZombiU

Outro prêmio “óbvio”, pois os jogos do Mario sempre são “queridinhos” e nesse caso não seria diferente. O pouco que joguei desse New super mario realmente foi muito divertido e mais uma vez o prêmio foi dado a um jogo exclusivo.

Melhor jogo de PS3

Assassin’s Creed III
Borderlands 2
Dishonored
Journey

Aqui a coisa é mais interessante, pois o prêmio foi dado a um jogo Indie e de um pequeno estúdio. Journey desbancou Assassin’s Creed (que vem sendo cada vez mais criticado negativamente), Borderlands e Dishonored. Jogarei esse jogo no ano que vem e poderei falar com mais conhecimento sobre ele, mas devo admitir que foi uma excelente surpresa, estou muito curioso para conhece-lo melhor. Parece ser uma evolução da academia, premiar um jogo mais cult e artístico e não apenas os arrasa quarteirões de sempre. Torço para que seja uma tendência.

O misterioso Journey venceu como melhor jogo de ps3 em 2012
O misterioso Journey venceu como melhor jogo de ps3 em 2012

Jogo do ano

Assassin’s Creed III
Dishonored
Journey
Mass Effect 3
The Walking Dead: The Game

Outras ótimas surpresas. Primeiro o fato de journey ter concorrido e segundo o fato de um jogo baseado num programa de tv ter vencido o prêmio de jogo do ano. Isso mostra que é possível fazer adaptações midiaticas de qualidade e que o fato de parte da história ser contada e aprofundada na televisão não faz o jogo perder seu valor. Não tive a oportunidade de jogar Walking Dead e não descarto a possibilidade de um mega jabá para promover a série, mas deixo para os leitores me auxiliarem nessa questão.

Jogo da década

The Legend of Zelda: The Wind Waker
Half-Life 2 
World of Warcraft
Shadow of the Colossus
Wii Sports
BioShock
Portal
Mass Effect 2
Red Dead Redemption
Batman: Arkham City

Essa sim foi uma categoria interessante, além de ser nova no evento. Os jogos indicados eram todos muito bons, realmente fora da média e marcantes. Muita gente reclamou que jogo A ou jogo B deveriam estar inclusos aí, mas no geral vejo como uma boa lista e na minha opinião o prêmio foi mais do que justo. Half Life 2 é um jogo fantástico, que surpreende até hoje. Jogabilidade excelente, que ditou novas regras, enredo envolvente, gráficos belíssimos e a inesquecível Gravity gun.  Além disso, de certo modo o prêmio também acaba esbarrando em portal, pois ambos fazem parte do mesmo universo da aperture sciente etc. Inclusive, vale ressaltar que dois jogos presentes na Orange box foram indicados a jogo da década, Half Life 2 e Portal.

O eterno Half life 2 levou o prêmio de jogo da década
O eterno Half life 2 levou o prêmio de jogo da década

Parece que valorizaram aspectos mais artísticos dos jogos e torço para que isso continue. No fundo os jogadores ficaram com a sensação de um ano fraco, sem jogos muito marcantes (exceção de Journey), culminando numa premiação não muito atraente. Porém, ao que tudo indica o ano que vem será intenso, preparem os bolsos e os corações para jogos importantes, mas escreverei mais sobre isso num post ainda esse ano.

Até mais,

Gustavo Nogueira de Paula

Então é isso que queremos para nossos eventos?

Seguindo minha trilogia sobre o SBGames 2012 farei meu balanço geral sobre as impressões desse nosso grande evento e sobre o futuro dos estudos de games no Brasil.

É inegável que esse foi o SBGames mais grandioso de todos. Não são apenas os números que mostram isso, mas a elegância com que foi realizado. Pen drive de 4gb para os incsritos, todas as salas caprichosamente arrumadas, decoração de primeira, salas grandes e com boa estrutura e uma feira bem grande logo na entrada.

Os papers também subiram de nível, falando de um modo geral. No track da cultura, que pude conferir mais de perto, as apresentações foram muito boas, com temas variados e interessantes, alinhados com o que há de mais novo nas produções mundo afora. Com o acréscimo de estarem todos em inglês, o que é ótimo para os autores, pois podem eventualmente serem citados na gringa, o que é bem mais difícil quando escrevemos em português, infelizmente.

Mas nem tudo são flores. Pra mim o SBGames ainda é, ou deveria ser, um evento acadêmico. Não que não tenha acontecido a parte acadêmica, mas ela ficou acanhada, perto do furor causado pela feira que lá ocorria.

Acho interessante a popularização das produções locais, do interesse pelos games e o aumento da curiosidade sobre esse mundo estranho. Mas não vejo tanto essa necessidade de “vender a alma” para agradar aos olhos dos patrocinadores. Trata-se de um cilco vicioso: mais gente leva a mais patrocínio, que leva a mais gente e assim por diante. Será que precisamos de um evento tão pomposo, as custas de inúmeros patrocínios privados, que exigem público massificado para exporem suas marcas? Creio que nesse momento não e explico o porque.

Na história recente (e também na atualidade) os pesquisadores de games lutaram para mostrar que trata-se de um objeto complexo de pesquisa, que deve ser elvado a sério pela academia e com imenso potecial expressivo, educativo etc. Aos poucos esse respeito vem sendo conquistado, as custas de muito trabalho, publicações e ciência.

Nessa onda veio o SBGames, crescendo ano a no e ganhando imensa credibilidade entre pesquisadores, tanto no Brasil quanto fora dele. Com esse crescimento veio o interesse das gigantes e também do governo. Some esses ingredientes num caldeirão e acrescente Brasília ao final da receita e você terá como resultado a festa que foi a edição 2012.

Repito, não tenho nada contra a popularização do evento, mas a que custo isso ocorre. Quem entrava pela porta via apenas mais um desses encontros da cultura nerd, geek ou como prefira chamar. Eram cosplayers, otakus, gamers, crianças acompanhadas das mães, sertanejo universitário, popozudas e tudo aquilo presente num evento comercial qualquer. Acontece que o SBGames não é um evento comercial qualquer, é o maior evento acadêmico de games da América Latina. Essa foi a primeira vez que vi seguranças rondando o evento e acreditem, eles não eram muito simpáticos.

Se seguirmos nesse ritmo eu não sei onde iremos parar. Cheguei a ouvir alguns comentários de que o SBGames estava parecendo a Brasil game show, esse sim um evento excencialmente comercial.

Imagem da BGS, feira comercial de games e afins

 

Por exemplo, se a intenção é popularizar o interesse pelos estudos de games, então porque não colocar os posteres e short papers concentrados em um só lugar e acessível também ao público não participante do evento. Afinal de contas era possível entrar gratuitamente no centro de convenções, mas não era permitido assisitr a nenhuma aplestra ou apresentação, algo que eu ainda não tinha visto nas outras edições, muito pelo contário. Ou seja, voce pode entrar e fazer parte da farra, mas se quiser aprender algo deve pagar a inscrição, ou procurar outro lugar mais apropriado.

Outro ponto problemático é a impressão que isso causa. Não que devamos nos preocupar apenas com o que os outros pensam, mas no caso de um campo acadêmico buscando legitimidade isso acaba sendo importante. Basta olhar qual foi o destaque dado ao evento por duas gigantes da imprensa brasileira, Globo e UOL. No caso da Globo, sequer mencionaram que tratava-se de um evento acadêmico, falando somente em mercado e estatísticas. Alias, na matéria da Globo eles apresentam o SBGames como uma feira de games, é de doer. Enquanto isso o UOL fez uma matéria de dois paragrafos, que até fala sobre a parte científica, mas sem destaque ou profundidade. Vale apontar também a cobertura ínfima dada a mídia em geral, falando pouco ou quase nada sobre as produções acadêmicas apresentadas no SBGames, uma pena.

Não acho que o evento tenha sido ruim, muito pelo contrário, tem mostrado cada vez mais força, mas temo pelo caminho que estejam optando. Torço para que o SBGames seja cada vez maior, mas de forma mais organizada e focada no principal,  que são as produções acadêmicas e os jogos independentes, mostrados não apenas ao público em geral, mas também a quem os estuda.

Ano que vem estarei por lá novamente e espero que volte com alguma agradável surpresa.

Até,

Gustavo Nogueira de Paula

Videogame vs Preconceito 2

Continuando a série que debate o preconceito existente para com os games e seus jogadores, hoje temos nosso segundo post, que deve finalizar essa micro sessão.

Cabe lembrar que esse tipo de preconceito não é exclusividade para com o videogame. Assim como ele, o cinema em seu surgimento foi alvo de declarações terríveis sobre o que poderia causar às pessoas, não se mostrando uma arte completa como a literatura ou o teatro, por exemplo (LÉVY, 1999). A própria literatura também é alvo de preconceito quando falamos de gêneros que não sejam ditos clássicos, tal como a literatura marginal, por exemplo (nota-se isso até mesmo pela nomenclatura dada ao gênero), ou quando acontecem inovações que não são bem aceitas de início, etc.

Assim como os games, o cinema, os quadrinhos e várias outras artes já foram e são alvos de preconceito

No caso do videogame, o preconceito acontece principalmente de duas formas: o preconceito contra a própria mídia, considerada inferior, violenta e infantil e o preconceito contra os jogadores, sendo taxados de homens solteiros e no estilo nerd (como já dito anteriormente).Contudo a complexidade de temas abordados dentro dos games, bem como a quantidade de diferentes estilos de jogo impossibilitam afirmar que estes são apenas violentos e sem grandes enredos. Além disso, se acreditarmos no estereótipo de jogador apresentado, então acreditaremos que 75% dos chefes de família nos EUA e que 65% da população entre 6 e 65 anos da Grã-Bretanha (ZAGAL, 2010) são solteiros e com visual nerd.

Outra discussão que se mostra cada vez mais presente no universo dos videogames é a que questiona se estes são uma forma de arte ou não. A diversidade de pensamentos atinge até mesmo os próprios produtores de jogos, sendo que alguns consideram tratar-se de uma forma de arte complexa e bem estabelecida, outros dizem ser apenas uma forma de serviço prestado, enquanto outros apenas que é melhor parar de discutir e produzir melhores jogos. Algo muito comum é que as pessoas que não consideram os jogos como uma forma de arte (os críticos que se manifestam dessa maneira principalmente) normalmente não jogaram os referidos jogos dos quais comentam. Seria como um crítico de cinema que fizesse seu comentário baseado no trailer ou na sinopse do filme.

É assim que muitas pessoas descrevem os jogadores de videogame

Parece que os jogadores e produtores de videogames precisassem implorar para serem levados a sério, como mídia adulta e madura. Alex Evans, diretor de tecnologia do jogo Litle Big Planet, jogo com pretensões artística bastante evidentes e com ferramentas de edição de estágios bastante criativa comentou durante entrevista à IGN[1]

É como se você precisasse pedir desculpas por trabalhar em jogos quando conhece estranhos em festas

Poucos levam em conta o que os jogadores pensam e o que sentiram enquanto jogavam games considerados como artísticos, tais como Bioshock, ou Flower, por exemplo. Posso até mesmo relatar que jogar Bioshock chegou a ser surpreendente devido à minúcia de detalhes durante a recriação do ambiente da década de 1960. A riqueza era tão grande que me fazia sentir como tivesse viajado no tempo, ouvindo as músicas da época, observando a arte da época e até mesmo assistindo a propagandas da época. Ainda assim, parece que para os jogos de videogame serem considerados como arte haverá longa caminhada.

Poderia talvez ocupar páginas mostrando os pensamentos preconceituosos existentes sobre o videogame. Alguns mais bizarros e outros mais comuns, como os citados. Grosso modo, a maior parte se enquadraria no já citado. O que se pretende ressaltar aqui é que não podemos mais continuar tratando esses jogos apenas como brincadeiras para criança, como jogos “somente” violentos e jogados por solteirões estereotipados. Devemos despir a academia desses pensamentos e tratar os jogos eletrônicos como objeto complexo de estudo e pesquisa, pois este tem se mostrado um meio pelo qual e para o qual muito pode ser feito.

Espera-se assim que esse blog contribua na desmistificação desse pensamento, que não contribui em nada para o crescimento do ramo. Chega de dizer que videogame isola as pessoas, que videogame mata etc. Ao invés disso, vamos arregassar as mangas e mostrar o potencial que os jogos e seus jogadores possuem, pois também não adianta sentar e chorar, reclamando como um adolescente que ninguém nos compreende.
E então, vamos a luta?


[1] International Games Network

Videogame vs preconeito 1

Hoje dou início a uma série de posts mais específicos sobre o preconceito sofrido pelos videogames e por seus jogadores. Esse texto pode ser encontrado originalmente em minha dissertação de Mestrado defendida na UNICAMP e que você pode encontrar aqui. Caso o link não leve direto ao texto, basta procurar pelo meu nome completo ou pelo título da dissertação “A prática de jogar videogame como um novo letramento”.

O videogame: poucos são aqueles que não possuem uma opinião sobre ele. Jogadores os adoram, pais e professores os temem, produtores os têm como a galinha dos ovos de ouro, acadêmicos os vêem como poderosas ferramentas, artistas como um grande meio expressivo, etc. Obviamente, essas são generalizações que trago apenas  para efeito de mostrar  quão diversos são os pensamentos acerca dos videogames e nas mais diferentes esferas. Apesar de boa parte se basear no senso comum ao se referir aos videogames, tais opiniões não podem jamais ser desconsideradas. Contudo, o que ainda prevalece, e apresentarei brevemente neste capítulo, é um pensamento: o preconceito com os jogos.

Não atuarei aqui como o advogado de defesa dos videogames, dizendo serem estes livres de qualquer  pensamento da ideologia dominante,  que visa apenas lucro e imposições culturais a seus jogadores/compradores, ou que estes não possuam muitas vezes um conteúdo excessivamente violento, desnecessário e fetichizado. Existem aqueles que veem nos jogos um perigoso vício, que pode inclusive levar as pessoas a cometerem assassinatos, como o caso dos jogos de  RPG (CORACINI, 2006). Todos esses conteúdos podem estar presentes nos
videogames: mortes, tiros, torturas psicológicas, medo, isso apenas para citar alguns. Contudo, não há nada que já não estivesse presente em livros, filmes, programas televisivos ou qualquer outro meio de comunicação. Acontece que o preconceito com o videogame não se dá somente através dos temores de esses jogos arrastarem os jovens para um caminho sem volta de solidão, violência e mau comportamento social. Longe disso. De acordo com Beavis et. al. (2009), foi observado que o videogame atua como meio de socialização entre os jovens e seus pais, amigos e amigos em comunidades virtuais, mostrando que o alarde de que os jogos isolam as pessoas não passa de mito infundado.
A realidade é que o videogame,  apesar de já ser uma  das  maiores  mídias  do entretenimento atualmente  (ZAGAL, 2010), ainda é tratado como algo menor pelos grandes meios  de comunicação  e até mesmo pela academia.  Já quanto à presença destes na escola, posso citar na íntegra um trecho de artigo da revista Nova escola que diz “só vale levar a tecnologia para a classe se ela estiver a serviço dos conteúdos. Isso exclui, por exemplo, as apresentações em Power Point que apenas tornam as aulas mais divertidas (ou não!), os jogos de computador que só entretêm as crianças” (ênfase adicionada).

Associar comportamento violento a jogar videogame é tão comum quanto sem sentido

Estes ainda são os dois principais discursos proferidos sobre os videogames: ou são violentos, ou são mero entretenimento. Este trabalho surgiu com o intuito de mostrar que o videogame  pode ser muito mais do que isso, podendo atuar como verdadeiro  objeto educacional, sendo aproveitado pela escola. A começar, as pesquisas que tentaram mostrar que os videogames tornam as pessoas mais violentas falharam. De  acordo com Squire (2003), nenhum estudo desse tipo conseguiu comprovar de forma segura essa correlação entre jogos violentos e comportamento antissocial, ou até mesmo de mau desempenho escolar/acadêmico. O máximo encontrado foi que crianças que  jogavam por tempo excessivo tinham aproveitamento reduzido na escola, contudo,  qualquer atividade realizada por um tempo excessivo pode prejudicar o desempenho escolar das crianças.

Cabe ressaltar que  o fato de acreditar que o videogame possa ser utilizado  pelas escolas não exclui outros pensamentos  e reflexões, tais como  a  violência e mensagens de consumo transmitidas diretamente aos seus jogadores. Deixo bem claro que não estou a negar a violência dos e nos videogames, visto  que, em alguns casos, até podemos perceber que alguns deles podem possuir, em determinados momentos, violência mais ou menos gratuita ou desnecessária para os  objetivos pretendidos. Apenas  digo que, assim como nas  narrativas literárias ou cinematográficas, todas essas ações terão de ser enquadradas no contexto da ação que a gera, bem como ser debatida e contextualizada. (TEIXEIRA, 2009). Não se trata de um trabalho evangelizador, que apresentará o videogame como salvador do sistema educacional, mas, se esperamos que um dia os jovens sejam críticos o bastante para interpretar e utilizar de forma criativa esse artefato cultural, então nada mais importante do que trabalhá-lo na escola.

Termino assim o primeiro dessa micro série de dois posts, que continua ainda essa semana, mostrando que esse tipo de preconceito não é uma exclusividade dos videogames. E para celebrar, hoje ultrapassamos 3000 visitas, mais uma vez obrigado aos colaboradores!

Obrigado pelas mais de 3 mil visitas

 

Crítica sobre Skyrim

Finalmente, após muitas horas, muitos dias, muitas indas e vindas, posso dizer que terminei Skyrim, ou ainda, terminei sua campanha principal. Entre missões paralelas, pequenas buscas e participações em diferentes organizações, venho escrever minha crítica sobre esse jogo tão falado, premiado e jogado mundo afora. O intuiuto aqui não é funcionar como um juiz, nem dizer se vale a pena comprar ou não um jogo, mas sim análisá-lo de uma forma mais profunda, tocando em pontos que me incomodaram e/ou que me surpreenderam.

Elder Scrolls Skyrim é o quinto jogo da série, consagrada por sinal, e vem na sequencia de outro jogo muito badalado, Elder Scrolls Oblivion. A história geral do jogo eu não vou comentar aqui, pois ela é facilmente encontrada dando uma googlada por aí. Só digo que o personagem controlado pelo jogador é um Dragonborn, sendo considerado o único capaz de acabar com um mal terrível que assola a todos.

Após a construção do personagem você passa por uma sequencia interessante, em que após quase morrer você é libertado e começa a sua saga pelo mundo. Essa etapa de moldagem de seu personagem é interessante, apesar de um pouco frustrante, pois você praticamente não olha para seu personagem, sobretudo seu rosto, ainda mais se jogar com a visão em primeira pessoa.

Começado o jogo de verdade, a liberdade é imensa. Você pode vagar em qualquer direção e entrar em qualquer dungeon, cidade, caverna, etc. Mesmo possuindo uma história central, você não fica preso a ela, podendo seguir seus próprios passos, se envolvendo em outras questões, desbravando lugares novos, conhecendo personagens, buscando itens, enfim, você tem liberdade para fazer sua própria história dentro do jogo.

Amostra do mapa de Skyrim

 

Inicialmente isso parece fantástico. A cada lugar novo que surge em seu mapa a curiosidade só aumenta e o desejo por ir cada vez adiante só aumenta. No meu caso, em pouco tempo eu jpa estava envolvido com a escola de magia e me tornando um mago poderoso e envolvido com as questões do colégio. Termino as missões e me torno o arqui mago do colégio e, para minha surpresa, nada mudou. Meu personagem continuou sendo o mesmo! O mago que havia me indicado para ir até o colégio continuava dizendo a mesma coisa de antes, não levando em conta a posição que eu já havia alcançado. Estranho, mas resolvi ignorar isso em nome da minha diversão.

Depois disso resolvi me alinhar com o pessoal da Guilda de ladrões. Entre missões mais e menos divertidas, me tornei um nightingale, um verdadeiro andarilho nas sombras. Também pouca coisa mudou e comecei a reparar que eu tinha poucas escolhas dentro de casa missão. Eu tive a escolha de ir até a Guilda, mas estando lá as missões eram bem em cima dos trilhos.

Em pouco tempo comecei a reparar duas coisas: o estilo das missões se repetia bastante e as dungeons mais ainda. Os inimigos eram quase sempre os mesmos, não há drop aleatório de itens e você logo para de ficar andando pelo mapa, usando o fast travel o tempo todo. No caso do Ps3 isso é ainda mais chato, pois as telas de load são bem lentas.

Outro ponto também começou a me tirar do sério. Em determinados diálogos você PRECISA responder o que o NPC quer, pois do contrário você não consegue determinado item ou missão. Eu, que estava tentando fazer um personagem que não matava inocentes, logo se viu matando quase todo mundo, afinal o jogo meio que premia isso. Se você matar personagem X ganhará esse item, se não matar não ganhará nada. Quando vi que ficar sem matar não me auxiliava  em nada, acabei me tornando um verdadeiro assassino. Posso dizer que talvez tenha sido o ponto que mais de decepcionou em Skyrim, pois aqui matar é algo bom em quase 100% das vezes.

Não digo que todas as missões sejam iguais, mas muitas são.O conflito entre os Imperials e os Stormclocks é interessante, apesar de  eu achar que de pouca influência sobre nosso personagem em si.

O sistema de evolução também é muito elogiado e eu mesmo estava simpatizando com ele no começo, mas isso foi até perceber que no final das contas ele só serve para que no final nosso personagem saiba fazer de tudo. Não sei se isso é ruim, mas particularmente eu não gostei de ficar com um personagem tão genérico assim ao final do jogo. Eu praticamente não tinha fraqueza alguma e isso não é muito legal.

Voltando a campanha princial, que possui um tom bem épico, uma grata surpresa, pois ela é bem conduzida e bela. Mesmo enfrentando os mesmos inimigos de sempre, ela se mostrou interessante e consegue transmitir uma boa sensação de urgência e heroísmo durante o jogar. Porém, como nada pode ser bom demais para ser verdade, a decepção veio com toda força. Ao matar o grande Dragão Alduin e por fim a toda loucura, eu voltei por um portal e aguardei ansiosamente para alguma cutscene ou diálogo entusiasmente. Não via a hora de ver meu personagem ser carregado nos braços do povo, ou no mínimo ser admirado dentro dos bares. Mas não foi nada disso que aconteceu. Ou melhor, NÃO ACONTECEU NADA. Eu volto pelo portal, vejo alguns dragões voando e só. SÓ. As pessoas pela rua continuam falando a mesma coisa, sobre o perigo dos dragões etc.

O dragão alduin

 

Para um jogo dessa magnitude eu achei esse final uma falta de vergonha e bastante desanimador. Somando a ausência de qualquer espécie de multiplayer, meu desejo por um replay foi quase a 0%. Não é que o jogo seja ruim, mas para um replay falta muito.

Recentemente foi lançada uma expansão para o jogo, que poderia mudar minha opinião sobre isso. Mas a resenha feita pela Kotaku mostra que pelo visto nada mudou. Pega um item aqui, fala com alguém ali, mata os mesmos inimigos, pega outro item, fala com outro alguem, mata os mesmos inimigos e por aí vai.

Tudo me leva a crer que a maioria das críticas e resenhas feitas sobre o jogo na época de seu lançamento foram feitas sem as pessoas terem-no jogado por muito tempo. Ok, o jogo é imenso e os consumidores querem sempre uma análise feita “para ontem”, mas isso não justifica. Nessas e outras fico pensando se não foram injustos com Portal 2 ou Batman Arkan city em relação ao prêmio de jogo do ano.

Quero ressaltar que não considero skyrim um jogo ruim, mas repetitivo e cheio de decisões questionáveis. Isso, mais os problemas já apontados aqui mesmo nesse blog me fazem pensar se não foram precipitados os prêmios dados a ele.

O jogo tem seus méritos, oferencendo um mapa imenso e grande liberdade e talvez seja justamente essa sua maior dificuldade, pois arcar com tudo isso é algo muito difícil. Tenho certeza que muitos irão discordar de minha opinião e não vejo problemas nisso, mas eu apenas transcrevi minhas sensações enquanto joguei Skyrim.

Você que já jogou Skyrim, o que acha?

Mais sobre a imprensa de games

A E3 está rolando nos Estados Unidos e a imprensa de games tem feito uma cobertura intensa sobre os acontecimentos e novidades que aparecem por lá. São lançamentos, pronunciamentos, apresentações e demonstrações de jogos, consoles e aquela parafernalha que costuma figurar em eventos desse porte. A feira em si é um paraíso para quem gosta de videogame, pois é bem grande e traz entretenimento em todo canto, isso sem contar a presença das grandes mentes por trás dos jogos mais famosos.

Eletronic Entertainment Expo

Porém, nem tudo são flores. A imprensa brasileira, mesmo fazendo uma boa cobertura, trazendo praticamente tudo que acontece em tempo real, parece fazer papel apenas de divulgação e propaganda das novidades e lançamentos. São datas, nomes, anúncios e notícias que funcionam apenas para reproduzir o que foi dito na feira. A atenção dada as novidades é imensa, enquanto outros setores da feira são quase ignorados. Isso e o fato de praticamente não haver comentários nas notícias. É tudo um grande boletim informativo. Não há discussão, por exemplo, do porque da data de lançamento de nenhum jogo em específico, ou sobre as inovações apresentadas no novo console da Nintendo.

Mesmo sabendo  que posteriormente podem até surgir discussões desse tipo, elas são muito poucas e se pautam mais em questões mercadológicas do que qualquer outra coisa. Quando eu falei sobre a diferença entre crítica vs review, isso não se resumia apenas a descrição dos jogos e suas análises. Isso se estende a praticamente todas as notícias relacionadas a games que encontramos na mídia especializada brasileira e em alguns casos estrangeira também.

Porém, não vou ficar aqui apenas falando sobre a imprensa, pois existe o outro lado da moeda, quem le as notícias. Exatamente, pois esse é o típico caso em que a mídia entrega às pessoas o que elas querem ler/ver. É só aparecer alguma matéria que se posiciona, ou que aponta alguma característica que fuja desse ponto de vista mercadológico e os leitores/jogadores já começam a reclamar. Parece que o querem são apenas informações e guias de compra. Buscam pela nota dada ao jogo, sem até mesmo se preocuparem com o porque. Anseiam pelo novo, apresentado na E3, sem pensarem sem existe necessidade para tal.

Muitas vezes a imprensa segue aquilo que o público quer saber

Tudo isso ainda mostra que apesar da participação ativa das comunidades gamers, a maioria dos jogadores ainda é “guiado” pelas grandes produtoras, sem apresentar grande senso crítico. A análise feita pela kotaku sobre Diablo 3 chega a ser assustadora. Mesmo que seja “real” o sentimento de quem escreveu, ela possui algumas afirmações abusrdas, pois põe o jogador na posição de macaco de testes. Eu não quero ser um macaco de testes, quero ser um jogador. Se for para eu me sentir assim, paro de jogar videogame.

E você, se sente um macaco de testes? Ou é um ser humano dotado de inteligência e perspicácia? Sem um preparo adequado para essa mídia, veremos cada vez mais jogadores sendo conduzidos pelo nariz, comprando e gastando, tanto seu dinheiro quanto seu tempo.

Em breve também jogarei Diablo 3 e trarei minha crítica do jogo, afinal não posso apenas apontar problemas sem apontar exemplos.

Até