Uma geração de idosos, com 30 anos de idade

Brincadeira de rua

Sou daqueles que cresceram brincando na rua. Bem próximo a minha casa havia uma rua sem saída, uma travessa, que apesar de estreita, era perfeita para nossas partidas de futebol, esconde esconde, pular corda, jogar tazo, bolinhas de gude, soltar pipa e mais um monte de brincadeiras com toda a molecada, que se divertia bastante criando um cascão no pé e ficando bronzeado com o sol do interior de São Paulo que ardia forte sobre nossas cabeças.

Se bem que na verdade, minha travessa sem saída não era tão perfeita assim para as brincadeiras que acabei de descrever. Havia muitos fios, nos quais as pipas frequentemente se enroscavam (era frequentes os curtos e as quedas de energia devido a isso), os carros estacionados deixavam a rua ainda mais estreita para os jogos de bola e não era incomum ver algum dos veículos ser atingido pela bola, causar algum pequeno amasso na lataria e um pequeno ataque de fúria em seu dono. Assim como também era comum ver alguma senhora idosa ter lampejos de raiva e furar as bolas que caiam em seus quintais. À época eu não conseguia entender como alguém poderia ficar tão furioso por apenas algumas dezenas de boladas barulhentas no portão ou por ver garotos pulando o muro do quintal para pura e simplesmente buscar o objeto esférico que havia voado para muito longe depois de um chute mal calculado.

Bom era o tempo em que brincávamos na rua, bem diferente dessa geração que só sabe se ligar a objetos eletrônicos.


 

O texto acima é sim autobiográfico e conta uma minúscula parcela de minha infância. Eu realmente brincava na rua e fazia as estripulias tão conhecidas dos livros infantis. Mas não era só isso, pois eu também era um ávido jogador de videogames. Corria pra casa quando conseguíamos algum jogo novo e me deliciava em passar horas resolvendo enigmas, ganhando corridas, lançando hadoukens e por aí vai. Minha infância comportou muito bem esses dois tipos de atividade aparentemente distintos.

O porque de eu estar falando sobre isso? Pela nítida razão de que o fato de uma coisa ser boa, não faz com que automaticamente a outra coisa seja ruim. Esclareço voltando ao universo próprio dos games.


Se você é pesquisador ou apenas jogador, não faz diferença: em ambos os casos eu recomendo veementemente que jogue Diablo (PC e Console). São três jogos na série, com o primeiro surgindo na já distante década de 90, somente para PC (depois para Playstation, mas em uma versão de pouco ou nenhum impacto). Eu joguei o primeiro quando era um pré adolescente e fiquei impressionado com o (nome do) jogo na época. Parecia que eu fazia parte de um clã de ocultistas infernais que a qualquer momento invocaria um ser do mal para assustar as pessoas. As imagens de corpos pendurados no inferno, a variedade de monstros e itens, o desafio, as sombras… tudo essa atmosfera fez quase que instantaneamente Diablo um dos meus jogos favoritos.

Passado um tempo, Diablo 2 foi lançado. O medo e a sensação de pertencer a um clã ocultista já não existia mais, mas o jogo continuava a me agradar. Era bem diferente do seu antecessor, com mais cores, mais itens, mais lugares a serem explorados, mais inimigos etc. No fundo, eu ainda preferia o primeiro, mas a possibilidade de trocar itens online com meus amigos falou mais alto e mais uma vez dediquei algumas centenas dezenas de horas a Diablo.

Praticamente uma década depois, é lançado Diablo 3. Parecia que realmente haviam convocado o próprio Diabo para lançar o jogo, pois ao mesmo tempo em que ele vendeu uma quantidade incrível de cópias, foi absurdamente criticado por ser colorido, fofo e divertido, algo que os fãs do clássico Diablo 1 consideravam uma afronta aos games da série.

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Não vou julgar aqui a qualidade nem as escolhas estéticas de Diablo 3, até porque já mencionei este jogo em outros textos, mas vou falar brevemente sobre este ataque quase histérico que os jogadores antigos tiveram. Em determinados momentos, parecia que a desenvolvedora do jogo, a Blizzard, devia satisfações aos jogadores, quase pedindo desculpas por pensar diferente deles. Acho engraçado como a comunidade de jogadores se engaja tanto em prol de uma causa como esta, mas passa praticamente batida quando há relatos de preconceito ou violência dentro dos games. Também considero como algo delicado jogadores esperarem, em pleno ano 2012 (ano do lançamento de Diablo 3) o jogo seja igual a algo produzido em 1996. Realmente são pensamentos divergentes, pois enquanto reclamo da falta de criatividade na indústria de massa, uma legião de jogadores (que se consideram mais entendidos do que muita gente) literalmente clamam por mais do mesmo. Isso porque tem apenas 30 e poucos anos de idade. Tenho pena de quem precisar conviver com estes idosos no futuro.

Independente de defender o terceiro jogo da série enquanto um jogo bom ou ruim, posso afirmar que ao jogá-lo com uma jogadora não hard core, que teve seu primeiro contato com a série a partir desta edição, Diablo 3 cumpre com muita folga seu papel de prender o jogador e diverti-lo, com uma história que inclusive despertou bastante interesse, através de animações muito bem feitas e dirigidas.

Cada jogador precisa entender que os jogos não são feitos apenas para seu próprio umbigo ou para seu círculo de amigos de infância. Trata-se, antes de mais nada, de um imenso mercado e à semelhança de outras grandes mídias, as grandes produtoras caminham atrás das pesquisas de opinião.

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Repito, não se trata de defender Diablo 3 como um jogo bom ou ruim, mas se você não gostou tanto, sinto lhe informar, mas pode ser que você esteja ficando velho e um velho ranzinza.


Gustavo Nogueira de Paula

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Facebook já causa mais distúrbios que violência infantil

Segundo pesquisas norte americanas, o uso excessivo do Facebook pode levar pessoas a crises de ansiedade, agressividade e depressão, levando até mesmo a morte em casos extremos.

Sim, é claro que inventei isso. O título sensacionalista e descuidado é apenas para chamar atenção para algo muito comum em tempos de opiniões extremadas na internet: A força da crítica, dos títulos e das expressões e textos ditos sem reflexão. Da noite para o dia as pessoas se tornam entendidas dos assuntos, meramente por terem lido um texto título no G1, MSN, ou seja lá onde for. As vezes as fontes são ainda mais obscuras do que estas citadas. Como é de praxe, vamos aos exemplos da nossa vida privada.

No cinema temos excelentes histórias recentes. Algumas semanas antes deste texto ser escrito aconteceu a premiação do Oscar 2016. Em qualquer rede social que se entrasse o que mais veríamos seriam as pessoas apontando seus favoritos, montando suas listas, falando que o Di Caprio “realmente merece” etc. Acho que algumas pessoas até se tornaram amigas pessoais do Leo. O que vi pouca gente comentar foi dos inúmeros filmes interessantes que ficaram de fora, da ausência de negros e por aí vai. Há poucos dias eu finalmente assisti a robertadalsenter_img3-1“Beasts of no nation” e lamento bastante sua ausência na premiação. Um dos melhores (se não O melhor) filmes de 2015 simplesmente não foi indicado a nada, categoria nenhuma!

Nada contra os filmes indicados, mas debater o Oscar, apenas por seus indicados etc e achar que entende de cinema é o mesmo que ler um livro de regras e achar que entende de futebol. E olha que nem sou entendido de Cinema a ponto de me aprofundar tanto nas críticas.

Outro exemplo do cinema recente e talvez até mais interessante que o anterior. O filme “A bruxa” estreou faz pouco nos cinemas nacionais e com isso a internet ficou dividida entre “gostei”, “melhor de todos os tempos” e “lixo” (não, não existe muito meio termo na internet). Se seu círculo de amigos no Facebook gostou do filme, então pega mal dizer que não entendeu nada. Se todos eles falam mal e você adorou, pega mal expor o quanto “eles não entendem nada de cinema, sobretudo de horror”. Somos então brindados com várias opiniões envoltas em ataques pessoais e análises tão rasas quanto as de Rodrigo Constantino para falar de política.

Chegando aos games, finalmente. Com o crescimento dos jogos indie e popularização dos jogos em plataformas móveis, a diversidade de opções aumentou bastante, apesar de não tanto quanto ainda pode ser. Também cresce o número de pesquisadores e entendidos do assunto. Acontece que na maioria das vezes estes “entendidos” do assunto estão ocultos, escrevendo teses acadêmicas, indo a campo, produzindo roteiros alternativos ou escrevendo para sites menores. Mas basta um youtuber famoso (as vezes, mas só as vezes, patrocinado) falar bem de determinado jogo e a massa corre toda atrás dele. Nada contra a presença dos youtubers emitindo suas opiniões, mas vejo cada vez mais o poder da crítica chegando aos jogos de videogame e isso ainda acontece de forma bastante estranha. Em geral as análises dos grande sites são superficiais demais e não tocam em várias camadas importantes da constituição de um game. Por outro, ainda não há um formato realmente bem definido e estabelecido para a crítica de games, o que também dificulta aos interessados a realizarem buscas mais refinadas. O que acabamos vendo no fim das contas é a máxima “se fulano gostou daquele jogo, então vou jogar também e é bom que eu goste”. Se falamos de um jogo indie, meio artístico então, aí a coisa fica mais enroscada ainda, pois não gostar e expressar isso seria quase como um atestado de ignorância, algo que pode ser fatal na era Facebook etc.

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Os games ainda precisam de boas análises e que elas sejam acessíveis aos jogadores. A diversidade cresceu, mas a profundidade das opiniões nem tanto. Mesmo que em muitos casos os jogadores sejam relativamente preguiçosos e acabem consumindo mais do mesmo, isso se deve em parte pela falta de empenho da mídia e da crítica em apresentar e abordar as novidades, de maneira clara, sóbria e direta para com seu público. É triste observar que muitos tentam transformar os jogos em algo cult na tentativa de legitimá-los ao invés de justamente realizar o contrário, evidenciando o quanto os jogos podem (e são) expressões artísticas, e bastante acessíveis ao grande público.

Um texto um pouco mais ácido do que de costume, mas trata-se apenas da incredulidade diante da desinformação das pessoas, justamente em uma era com tantas fontes de informação possíveis.

Gustavo Nogueira de Paula

OBS: Espero que ninguém comente o link baseado apenas no título

Devaneios de consumo

Este texto não sou eu. Foi escrito em primeira pessoa, mas veio de outro lugar, apenas dou voz a ele, sabendo que representa muitos pensamentos. Procure bem e encontrará alguém próximo a você que se sentirá representado e reconfortado com a leitura.

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Sempre vejo gente que se acha super inteligente e crítica, no Facebook. Pessoalmente eu quase não encontro essas pessoas e as que encontro são muito chatas, montadas em seus discursinhos politicamente corretos, metidos a comunistas e que sabem o melhor para todo mundo, inclusive eu. Tem gente que vive metendo o bedelho no meu estilo de vida, nas coisas que compro ou que deixo de comprar. Sabe o que mais? Vou falar para essas pessoas: Parem de cuidar da minha vida!

Eu trabalho (ou estudo, no caso de outras pessoas) o dia todo. Acordo bem cedo, pego meu carro, enfrento trânsito até chegar no serviço e fico lá até o fim do dia fazendo tudo que meu chefe pede. Sou um bom funcionário e sei que dessa forma vou subir na empresa e na vida. Quando chego em casa, estou cansado. Tudo que quero é me informar através do Facebook, comer e jogar um pouco, as vezes ver um filme.

Quando vou escolher meu jogo, meu filme, meu livro (esse é mais raro, só quando não tenho nenhum dos outros dois mesmo) não quero nem saber da opinião desse pessoal que se diz intelectual. Eu quero ter uma vida confortável, igual aquelas que vejo na televisão e no cinema. Eu sei que sou pobre. Não sou pobre do tipo que mora em favela, mas não sou rico. Ou seja, sou um pobre, mas acho que sou menos pobre que outros. Só que ninguém gosta de se sentir pobre, mesmo sabendo que é. Eu sou assim. Quero me sentir bem, me sentir parte daquela galera que consome as coisas bacanas.

Na hora em que ligo o videogame e jogo aquele game da moda, eu me sinto por dentro do esquema. Tento reproduzir de forma bem fiel: Arrumo uns salgadinhos, uma Coca e me preparo pra atirar em quem vier pela frente. Não to afim de pensar muito, já passei o dia no trabalho, cansado. Em casa eu não quero pensar, quero atirar. Só que aí você vai conversar com esses seres inteligentes e eles dizem que seu jogo não é crítico, que sou escravo do consumo, que compro qualquer ideia que os EUA colocam na minha cabeça. Só que eu acho que eles só falam isso porque devem ser pobres também, ou porque fingem ser. No fundo eles queriam era morar lá nos EUA também, andar de carrão e ter essa vida de celebridade.

Sem contar que pra mim isso é tudo papo furado. Videogame é videogame, cinema é cinema, TV é TV. Se você não gosta do que tá vendo, é só mudar, não precisa ficar falando isso pra mim, eu não to nem aí para o que você pensa. Se quer assistir seus filmes chatos metidos a cult, jogar seus joguinhos indie, vá em frente, mas não me leve junto com você. Eu quero barulho, porrada, descansar e me divertir. Tem coisa mais gostosa do que assistir Vingadores e ver o Hulk arrebentando com a cara daqueles que querem destruir a Terra? Não quero chegar no final da história e ter que pesquisar em 10 sites e 30 livros para entender as “referências” e conceitos do que aconteceu. Quero terminar a história, recuperar o fôlego e dormir, afinal amanhã tenho que chegar cedo no trabalho, senão meu chefe não me promove. Quem fica reclamando e faz greve deveria era procurar por outro emprego. Isso é coisa de quem não gosta de trabalhar.

Então da próxima vez que for criticar as coisas que eu consumo, saiba que faço isso com muito orgulho. Quero sim me sentir como um consumidor da elite, que vocês tanto falam. Quem não quer? Se não quer, vá morar em Cuba. Não vejo a hora de por as mãos no próximo Call of Duty e de entrar no cinema com um baldão de pipoca para ver o Hulk gritando “Hulk Smash”.

E quando vier me falar que não sou politizado e blá blá blá, saiba que não estou nem aí. Quero mais é chegar em casa e descansar, do jeito que eu bem entender, você não tem nada com isso!


Psicografado por Gustavo Nogueira de Paula

Jogo indie, jogo gourmet

Pipoca, tapioca, brigadeiro, cachorro quente, cerveja, sala de cinema, salão de festas, terraço, hamburguer… qualquer coisa que você imaginar hoje em dia pode vir com o adjetivo gourmet. Em alguns casos trata-se de mero acréscimo de preço, em outros de reestilizações forçadas de receitas clássicas. Ambos os casos remetem a uma simples onda de mercado para gerar mais lucro e seduzir consumidores desatentos ou sedentos por esbanjar um pouco. Nada de novo, apenas estratégias de mercado.

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Porém, essa gourmetização esconde um gostinho pelo desprezo. Por que comer um lanche que todo mundo come, se posso pagar o dobro por um hamburguer gourmet e me distinguir do resto das pessoas? Pensamento mesquinho e superficial, mas que ronda a cabeça de muita gente.

Também gosto de boa comida e boa bebida, creio que todos gostem. Particularmente também tenho minha preferência por cervejas artesanais já tem uns bons anos, tendo inclusive produzido algumas levas caseiras em parceria com amigos. Se puder optar, sempre tomarei uma artesanal nacional ao invés da típica cerveja de milho e arroz. A diferença é a forma com que tratamos as pessoas que tomam a cerveja “comum”.

Sim, o Game&Críticas é um blog sobre games e essa longa introdução é pra falar sobre algo que tenho percebido ultimamente. Ainda não é algo tão comum, mas já começa a surgir a gourmetização dos jogos. Não na produção, mas no consumo. Se você joga Games AAA pode acabar sendo taxado de ignorante, consumista e uma série de adjetivos nada bons. O Hype é encontrar jogos que ninguém conhece, ninguém joga e falar de boca cheia que o jogo é requintado, isso e aquilo.

Acho ótimo essa busca por jogos alternativos, mas o desprezo por quem joga os games comuns é tão ridículo como qualquer outro preconceito. É a reprodução de preconceito que vários jogadores sempre sofreram, mas agora de forma “interna”. É a típica síndrome do “exclusivismo” ou “anti modismo”. Fulano sempre ouviu/vestiu/comeu determinada coisa, mas se ela entra na moda, perde a graça. Só é divertido enquanto é exclusivo.

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Há um longo processo para que a grande massa de jogadores passe a apreciar uma quantidade maior de jogos e não apenas Fifa 10, 11, 12, 13, 14… Call of Duty, etc. E há ainda aqueles que conhecem uma gama variada de jogos e ainda assim preferem jogos populares.

Preocupa-me essa onda “gourmet” dentro dos jogos, que trata os indies como a única coisa boa no meio dos videogames. Não é mérito algum se considerar melhor que os outros por consumir algo supostamente diferenciado. Espero que esse pensamento tolo seja varrido da cultura dos jogadores e que indies e AAA convivam pacificamente. Basta criar um escudo anti gourmet, que nos defenda contra o raio gourmetizador.

Gustavo Nogueira de Paula

O voto acima de tudo

É tempo de eleição. Deputado, governador, presidente e senador, todos querem seu voto. O seu e o de todo mundo. Pra conseguirem isso os candidatos são capazes das mais variadas estratégias, sejam elas bizarras, mentirosas, incoerentes ou simplesmente agressivas. Nesse meio do caminho entre o eleitorado e o candidato estão diversos meios, panfletos, discursos, TV, rádio, videogame e a internet, sendo que esses dois últimos são os filhos mais novos a entrarem nessa roda.

Eleicoes

Contudo, estamos em um país com uma Educação que deixa muito a desejar, sendo que não me refiro apenas a diplomas escolares/universitários, pois me refiro também a ignorância política e social. Dessa forma, a internet e os meios digitais se tornaram em muitos os casos o centro das atenções e disseminadores das coisas mais absurdas possíveis.

Até aí nada de novo, pois a internet sempre foi palco para os mais bizarros shows de horrores e, não sei isso pode soar como empirismo demais de minha parte, mas parece que nunca vi tanta gente acreditando em “notícias” e “pesquisas” das mais falsas e preconceituosas que já vi. De foto montagens a falsas declarações, o facebook, Twitter e qualquer rede social se tornaram uma verdadeira aula de disseminação de fofocas e bobagens.

Como se não fosse só isso, o que não falta é candidato metido a descolado, representando uma tal “juventude que clama por mudança”, falando em diminuir impostos para jogos e blá blá blá. Não sei o que me dói mais, se alguém acreditar nisso ou votar por achar isso algo tão vital assim a ponto de doar seu voto a tal candidato.

Coisa séria é difícil de encontrar e as vezes um candidato pode fazer muito mais para os jogos através de incentivos culturais, bolsas de pesquisa, estágios no exterior (Ciência sem fronteiras? vi bastante gente indo estudar jogos lá fora), do que com essas promessas de baixar preço de jogos feito para garotos mimados que acham que “o governo” é muito maldoso com ele que não pode comprar o Call of Duty novo dia do lançamento.

Enquanto isso prefiro ficar com o exemplo do Flappy no duto, paródia do jogo Flappy bird (ou paródia do caso do Propinoduto) em que o jogador tem que guiar seu lindo tucano por entre os túneis do metrô. Uma pena que a maioria dos jovens produtores normalmente não estão muito ligados a causas políticas e acabam reproduzindo os mesmos jogos de sempre com carinhas e botões novos. Mas em tempo de eleição não custa nada lembrar desse belo exemplo de como os games podem ser bem expressivos e, acima de tudo, críticos.

Flappynoduto
Flappynoduto

 

Nada contra um candidato falar de jogos, falar que joga ou qualquer coisa que o valha, mas normalmente isso é só uma forma rasa de se aproximar dos jovens, que tradicionalmente não se interessam por muita coisa (no caso da política, não só os jovens, mas a população como um todo). Como exemplo posso citar esse texto do Estadão como algo bem coxinha a respeito da junção entre games e política.

Quando o assunto é eleição ainda prefiro o esquema a moda antiga: Debates de verdade, propostas coerentes, de preferência voltadas a Educação e ao Social e honestidade. Esse papinho moderninho não me atrai muito. Se for pra aproximar os jovens de verdade da política não tenho nada contra, se for pra ganhar votos, lamento muito. E se for para os jogos entrarem de verdade nesse meio, que seja cada vez mais com exemplos como esse do Flappynoduto.

Gustavo Nogueira de Paula

OBS: Assumo aqui minha veia política e já adianto que sou contra o PSDB e afins

OBS 2: Uma pena que não consegui conferir o jogo do Tucaninho pra dar umas boas risadas e colocar aqui no post tb

Pedágio

Aqueles que costumam viajar pelas estradas paulistas deve estar acostumados ao pagamento de pedágios, a menos que conheçam algum atalho que cruze por dentro de canaviais e usinas de álcool. Os valores são bastante altos e as cancelas constantes, bastando alguns poucos quilômetros para dar de frente com alguma delas e não há para onde correr. Quer passar? Então pague!

Apesar da aparente desconexão com os videogames, a ligação entre esses dois temas é mais comum e óbvia do que parece, sobretudo no mercado mobile.

Sempre fui acostumado a jogar nos consoles ou no pc e nunca dei a devida atenção para jogos de celular etc. Um pouco por não ter um celular que suportasse isso e um pouco por não me interessar por nenhum jogo mobile, fora algum Angry birds, Snake, entre outros ainda menos despretensiosos. Porém, recentemente consegui um celular um pouco melhor e entre as descobertas do novo Windows Phone resolvi me arriscar em algum jogo que fosse além de deslizar o dedo e oferecesse algo a mais.

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A lista de jogos é imensa, apesar dos pagos apresentarem qualidade nitidamente superior. Eu não estava disposto pagar nada, portanto procurei por algo que fosse gratuito e bem avaliado. Nisso, me deparei com “Order &¨Chaos, Duels”, jogo de cartas ao estilo Magic (falando de forma bastante simplificada) que era de graça e parecia uma boa pedida.

Bons gráficos, jogabilidade simples e um tema bem construído. Em pouco tempo já estava envolvido e finalmente interessado por algum jogo voltado ao mercado mobile. Além de um desafio interessante a possibilidade de multiplayer e a variação de estilos de jogo provaram pra mim que existe vida divertida também nos celulares.

Pois bem, a diversão estava posta. Mas em pouco tempo as dificuldades começaram a aparecer. A curva de dificuldade deu uma guinada impressionante e em pouco tempo o modo campanha ficou bem complicado. Meus inimigos tiveram um salto nos pontos de vida e suas cartas são muito melhores do que as minhas. Parte disso se devia a minha falta de experiência no jogo e consegui contornar esses problemas parcialmente, apesar deles ainda permanecerem por lá. Como “solução” mágica encontramos a loja de produtos do jogo. Lá podemos comprar pacotes de cartas, itens etc, que nos “ajudam” a ser mais poderosos e capazes de passar pelo modo campanha e derrotar outros jogadores no modo online.

Imagem do jogo durante a batalha
Imagem do jogo durante a batalha

Não tenho nada contra a existência da loja, baseada em micro transações, sobretudo num jogo gratuito. Mas em determinado momento a coisa é bem clara: Ou você paga ou não irá passar daqui!

No caso de Order & Chaos isso nem é tão gritante assim e não cheguei a bater de frente com essa parede, apesar de já ter me irritado algumas vezes, contudo isso é muito comum nesse mercado. Outra forma comum dessa imposição aparecer é através da relação pagamento x tempo. Você constrói um castelo, uma plantação ou qualquer coisa e elas irão levar um mês para ficarem prontas, a menos que você pague R$5 e elas estarão de pé instantaneamente.

Em pouco tempo o jogador já gastou mais do que num jogo “pago”, adquirido na loja. Como sempre digo, em teoria um adulto tem controle sobre isso e deveria ser crítico o bastante para saber o quanto está investindo nisso, mas cobrar essa maturidade de uma criança é algo bem mais complicado, afinal “São apenas R$5,00 e isso não é a mesma coisa do que os R$99,99 que você gastaria comprando um jogo pra mim”. Em pouco tempo esse pagamento se torna uma obrigação e está estabelecido um pequeno ciclo vicioso.

Lojinha!
Lojinha!

Repito, não tenho nada contra as micro transações, mas impor esse “pedágio” é algo que acho terrível, apesar de estar sendo visto como a solução por muitos produtores, que argumentam citando a pirataria, venda de jogos usados etc.

Vamos ver por quanto tempo mais conseguirei jogar Order & Chaos sem ter que pagar. O jogo é bom e espero que não apele dessa forma. Se for assim, quem sabe eu não acabe adquirindo algo, em forma de retribuição a um jogo bem feito?

Gustavo Nogueira de Paula

Pobreza e desconhecimento

A pirataria devasta o mercado. Pra onde você olha dá para encontrar alguém vendendo um produto falsificado ou baixando direto da internet. Parcela da culpa vem de impostos, obra de um governo que pouco dialoga com a população e que tão pouco valoriza os games enquanto produção artística/midiática.

De qualquer maneira, pirataria por pirataria, ela não vem sozinha. Boa parte da população é ainda pobre e com pouco acesso a determinados bens de consumo, as vezes até pouco acesso a itens básicos de sobrevivência e/ou bem estar. A esperança muitas vezes vem dos estudos, que oferta a possibilidade de melhorar de vida, em alguns casos até possibilitando alguns bem afortunados de mudarem de país.

Contudo, nem todos possuem acesso a uma educação de qualidade, sendo que os mais ricos se destacam e acabam por se tornarem ainda mais ricos, enquanto os mais pobres permanecem cada vez mais pobres. No caso dos games, as vezes essa falta de educação (que não está ligada exatamente a presença ou não de dinheiro por parte do jogador) acaba por gerar comportamentos bastante questionáveis, com uso de trapaças, falta de senso coletivo, bagunça etc etc. Mas culpar somente a falta de educação por esses comportamentos seria demais. Vejo a falta de conteúdos voltados para o país como grande contribuinte para gerar uma leva de jogadores que muitas vezes não se identifica com o que vê na tela e quando vê algo relacionado a seu país acaba por ser uma caricatura preconceituosa do que realmente acontece no país, isso quando a população não é tratada como bandida, violenta, terrorista etc.

Não, não estou falando do Brasil, estou falando da Rússia. Durante o Congresso no Canadá pude ver a apresentação de um trabalho que abordava esse tema e falava exatamente isso que mencionei. Foi impressionante, pois se eu fechasse os olhos e não olhasse para as imagens da apresentação, poderia jurar que estavam falando de nosso país. E por que disso?

Proximidades de Brasil e Rússia
Proximidades de Brasil e Rússia

Venho falando há tempos sobre esse tópico. As grandes produções de jogos ainda são voltadas para (homens do) Japão, Europa ocidental e EUA e isso coloca o resto do mundo como subdesenvolvido, pobre, perigoso etc. Não somos os únicos nesse barco. Mas muito me entristece observar que quando produzimos jogos, comumente REproduzimos esse tipo de comportamento.

É muito importante ouvir e ver pesquisas e depoimentos de outras pessoas, de outros países, falando a respeito de jogos. Ainda somos a periferia do mundo e uma das piores formas de tentar sair dessa periferia é imitar e reproduzir comportamentos das economias dominantes. O que assusta é perceber o quão devastador pode ser essa falta de investimentos sério na produção de jogos, pois os resultados tem sido terríveis e os discursos os mesmos. Pra quem duvida disso, basta observar essa situação da Rússia. Dá para imaginar que a situação dos BRICs em geral não seja muito diferente disso.

E pra quem duvida da importância de se fazer pesquisas, sob os mais variados olhares e perspectivas, a respeito dos games, seria bom repensar a respeito.

Gustavo Nogueira de Paula

Jogos vorazes, o filme que é jogo

Os blockbusters americanos são feitos para muita coisa, de vender ideias a produtos, corpos e atitudes, até relaxar trabalhadores cansados com histórias banais e explosões, eles estão presentes constantemente no cinema. Alguns são de qualidade ainda mais questionáveis do que outros, mas isso não vem ao caso nesse momento. Acontece que num desses dias de cansaço resolvi assistir a algo que exigisse pouco do meu pensamento, mas que ao mesmo tempo não fosse um super herói bobo da Marvel ou da DC comics. Foi aí que me arrisquei em “Jogos vorazes”. Em uma semana assisti os dois filmes lançados até o momento. Foi notória a identificação com o estilo do filme. Vejamos mais de perto.

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De início aviso que não, eu não li os livros e sei que isso pode fazer significativa diferença no modo com que vejo os filmes, mas o o foco aqui não é esse. O foco é abordar o filme mesmo, mesmo que em vários momentos isso toque na história presente nos livros etc.

Jogos vorazes é um jogo, pura e simplesmente. Isso tem seu lado “bom” e sue lado “ruim”. A história é muito pouco descrita (ok, não li os livros), ou seja, onde as coisas acontecem, porque são daquela forma, quem são aquelas pessoas e todos os “porques” possíveis não existem. Mas ao mesmo tempo, “não importam” tal qual um jogo. O que importa é a ação e o que acontece a partir dela. A divisão dos personagens é óbvia: Chefão, NPC’s de ajuda, o especialista em machado, especialista em disfarce, especialista em arco, especialista em luta desarmada, especialista em nada etc. As roupas e o todo figurino também seguem por essa linha, assim como o cenário majoritário do filme, uma grande arena de luta. Porém, o que mais aproxima de um jogo é a questão da morte. Não há argumento, nem possibilidades, a vitória e o sucesso vem da morte dos oponentes.

Os movimentos, as falas, os desafios completamente sem pé nem cabeça poderiam fazer com que o filme não tivesse sentido algum. E com certeza não tem. Mas ele é feito como um jogo e, nesse caso, faz todo sentido, pelo menos para os jogadores. A forma com que magicamente surgem névoas mortais ou cachorros famintos não precisam de explicação, elas estão lá apenas como desafio e é assim que funciona nos jogos, ou pelo menos na maioria deles.

Essa tendência cada vez mais presente em diversos filmes fica ainda mais forte em Jogos Vorazes. Cabe ressaltar que por trás de nossos olhos está toda nossa história, que influi diretamente na forma com que percebemos o mundo, a arte, as pessoas e tudo mais. Sob minha perspectiva as influências são óbvias. Abaixo segue a cena da destruição do campo de força no filme e um pouco do cenário de jogo de Portal 2, com destaque para a reconstrução da Glados. Para mim a estética e a forma são bastante

 

Isso sem contar o Gordon Freeman negro presente no filme

Hunger games
Hunger games

 

Half Life
Half Life

O que importa é que esse é um dos casamentos mais fortes entre filme (provavelmente livro) e jogo já produzidos. Isso tem seus lados ruins e seus lados bons, que em última instância é “bom” basicamente pra cultura jogadora.

Se recomendo o filme fica difícil dizer, mas posso afirmar que ele tem grandes chances de agradar a jogadores, sobretudo os mais tradicionais. Para mim foi um filme para ver, não pensar muito e descansar naquele momento. Interessante pelo estilo e bastante intrigante para quem estuda jogos e cinema. Aos curiosos, não deixem de ver. Aos cinéfilos mais ligados à tradição do cinema clássico, passe longe.

Gustavo Nogueira de Paula

 

Humor, bullying, preconceito e a cultura nossa de cada dia

Parede de tijolos ao fundo (ou tecido vermelho), iluminação e um microfone na mão, assim está dada a liberdade poética de falar qualquer barbaridade sobre qualquer pessoa, grupo, gênero, etnia etc sob a bandeira covarde do humor pelo humor. Poderia ser também uma bancada elegante, terno, ar de descolado, pessoa entrevistada e a liberdade também estaria dada. É tudo um show, de horrores.

O palco que liberta as pessoas para ofender sem medo
O palco que liberta as pessoas para ofender sem medo

Protestos daqui, reclamação dali e no final das contas o papo é sempre o mesmo: aqueles que reclamam são chatos, sem humor e que querem a volta da censura para calar singelos humoristas. Até poderíamos dizer que quem aplaude esse tipo de piadinha nada engraçada seria co autor desse pensamento pequeno, mas ainda assim a criação disso tudo costuma vir muito mais dos tais humoristas/formadores de opinião do que do público em si, que em geral tem participação mais passiva.

Já nos videogames a situação complica um pouco, visto que o humor preconceituoso, os comportamentos “condenáveis” e a acidez social também estão todas presentes, mas no controle do jogador. Existe desde a crítica social mais bem feita até a reprodução do estilo de vida mais fútil, tudo sendo determinado pelas ações do jogador, dentro do código desenhado por quem produz.

É bem diferente assistir um stand up, sentir-se envergonhado, vaiar e ir para casa chateado do que ligar um console, começar a jogar e apertar os botões e comandos que executam a ação de cometer estupros, chacotas maldosas e bullying. Nesse espaço mora o pânico de quem não joga e/ou não entende os jogos, deixando de cabelos em pé qualquer um que presencie uma cena dessas.

Também é nesse mesmo espaço que reside a importância de uma melhor compreensão dos jogos e de sua forma de contar histórias. Aqui o jogador entra na pele de quem prática o bullying, de quem sofre o bullying, de quem ofende, é ofendido etc. Muitas vezes isso choca, pois a experiência é entregue de uma forma mais dura e direta. Quem disse que o dia dia de uma criança na escola é fácil? Se ela não fizer parte do grupo dos populares/endinheirados ou qualquer coisa que simbolize poder isso pode ser ainda mais complicado. Dessa forma, não é de surpreender que no jogo essa vivência seja chocante.

E como estamos nos preparando para encarar isso? Muito mal por enquanto. Qualquer enredo ou história mais ousada ainda sofre críticas terríveis, sendo que muitas vezes elas sequer são bem interpretadas ou finalizadas pelos seus jogadores. Há ainda o agravante de que, no Brasil pelo menos, temos uma população que lê e interpreta assustadoramente mal, o que dificulta a compreensão de qualquer coisa mais complexa ou sutil. Pode ser que uma ironia seja vista como uma ofensa, quando não deveria e uma ofensa possa ser vista como algo ingênuo, quando também não deveria.

Bullying, dois lados da moeda
Bullying, dois lados da moeda

O fato é que colocar as pessoas na pele de situações delicadas pode ser algo fundamental para a compreensão de determinados comportamentos e resolução de problemas. Porém, daí a acreditar que a mera produção de jogos e experiências vai fazer de alguém uma pessoa mais crítica é algo bastante utópico. Devemos acompanhar de perto cada conteúdo, sem relevar o humor opressor e sem escandalizar com as ousadias, mesmo porque isso vai passar a ser cada vez mais comum.

Gustavo Nogueira de Paula

As novas gerações

Não é surpresa para ninguém saber que seu aparelho tecnológico comprado hoje estará completamente ultrapassado dentro de alguns anos. Em certos casos, dentro de alguns meses. Creio que a maioria das pessoas saiba da obsolescência programada, nem preciso me alongar sobre isso. Quando um aparelho novo é lançado as empresas normalmente já  possuem tecnologia suficiente para lançarem outros três mais avançados, basta olhar por dentro dos consoles e celulares para ver os espaços no hardware dedicados a futuras atualizações, por exemplo.

Qual a a hora certa de passar o bastão adiante?
Qual a a hora certa de passar o bastão adiante?

No caso dos consoles as gerações até tem durado um tempo razoável, apesar de ainda assim ser questionável a necessidade dos novos lançamentos etc. Contudo, o que incomoda nem é tanto a falta de lançamentos de jogos para gerações anteriores, o desejo pelos gráficos mais avançados ou alguma outra inovação qualquer, mas o fato do aparelho antigo em pouco tempo se tornar tão útil quanto um peso de papel: O leitor começa a ficar mais lento, trava e para de funcionar; O HD apresenta problemas e os saves se perdem no espaço tempo; O sistema se torna mais lento, sem atualizações e mais vulnerável. Apenas alguns exemplos típicos que os jogadores e consumidores enfrentam diariamente.

Onde se encontra a solução para tais problemas? No console novo, óbvio. HD’s maiores e mais modernos, além de um espaço maior para armazenamento em nuvem, leitores mais potentes e proteção constante ao software. Isso, claro, caso você desembolse uma quantia significativa de grana.

Os smartphones então já nascem praticamente mortos, pois são superados em menos de um ano e apresentam defeitos graves em pouquíssimo tempo. Sem contar que os jogos para celulares estão cada vez mais pesados, ocupam muita memória e exigem monstruosidades dos aparelhos.

Julgando que cada pessoa seja livre e consuma conscientemente (algo que sabemos ser tão utópico quanto o Céu), sem influências de marketing etc, minha pergunta é: Por que tudo isso? No caso dos jogos em específico, quem joga tudo isso?

Um console novo na sala, um computador potente, um tablet cheirando a novo e um smartphone super descolado. Será que precisamos estar o tempo todo jogando? Essa “necessidade” das pessoas estarem constantemente se entretendo contribui, e muito, para uma indústria de péssima qualidade, que investe muito mais em mecanismos de recompensas viciosos do que em desenvolver experiências profundas e de qualidade, além de alimentarem esse mercado predatório de aparelhos antigos. As desenvolvedoras se gabam de lançarem aplicativos e jogos cada vez mais belos e por consequência exigentes, mostrando que somente os mais atualizados, descolados e modernos podem usufruir desses benefícios.

Não sou contra a tecnologia, nem acredito que ela seja o único mal moderno. Gostaria de lembrar apenas que todos fazemos parte desse processos, mesmo que um dos lados dessa moeda possa ter um peso muito maior. A tecnologia não é uma entidade com vontade própria, que tenta escravizar a humanidade ao estilo Matrix. Toda essa tecnologia é pensada por pessoas e voltada para pessoas, que muitas vezes gostam de se distinguir dos outros através do consumo, ou seja, que acreditam ser melhores por serem capazes de possuir algo mais novo e/ou mais caro.

Fico pensando o que será das futuras gerações de PESSOAS, cada vez mais acostumadas com a descartabilidade, seja de aparelhos, pensamentos ou de seres humanos. Esse ciclo produz infelicidade constante, tratada através do consumo, e confusão, pois todos ficam perdidos em meio a tantas “possibilidades”.

Espero que consiga resistir mais algum tempo com meu playstation 3, mesmo com suas dificuldades de leitura de jogos, travamentos e (em pouco tempo) falta de lançamentos.

Gustavo Nogueira de Paula