Political parties – The congress fighter – Novo jogo

É bem comum sonharmos enquanto dormimos, mas as vezes isso acontece enquanto estamos acordados mesmo. No meu caso isso é bem corriqueiro e vez ou outra e me pego parado com o olhar fixo no nada e imaginando um monte de coisas, distante. O jogo que vou apresentar é o resultado de um destes sonhos acordados, o “Political parties – The fight!

Beat em Up

Apesar do nome remeter inicialmente a um jogo de luta, trata-se na verdade de um Beat ‘em Up, aqueles jogos em que os personagens vão andando da esquerda para a direita (na maioria dos casos) e vão enfrentando vários inimigos, na base da porrada, até enfrentarem o chefão da fase. Títulos clássicos nessa linha são Final Fight, Tartarugas ninja, Streets of rage, Knights of the round e inúmeros outros. A grande diferença aqui é que os personagens são representantes de partidos políticos e os inimigos, apesar de variarem um pouco de acordo com suas escolhas, são em sua maioria advindas do povo, representantes da sociedade civil. Porém, como todo jogo mais moderno, dependendo do seu personagem a história muda um pouco, resultando em finais diferentes. A vida dos personagens é baseada no número de cadeiras no congresso. Vamos aos personagens e suas especificações:

partido-trabalhadores

PT – Tem bastante vida/energia e é a única personagem feminina do jogo. Assim como os outros, você vai desferindo golpes e enfrentando os inimigos. Caso a coisa aperte basta utilizar o poder especial, que invoca um cara barbudo que possui blindagem infinita e a habilidade de converter os inimigos para lutarem ao seu lado. Contudo, a cada vez que o poder é utilizado sua personagem acaba ficando um pouco mais fraca. O chefão final do jogo é um grande Globo que ataca com canetas, microfones e hologramas. Estes ataques tiram bastante energia, portanto tome cuidado na hora de enfrentá-lo. Caso seja vitorioso a cena final mostra um final feliz, em que o poder é mantido e perpetuado, apesar de ser possível observar ao fundo alguns inimigos ainda vivos, aguardando nas sombras para tentar se reerguer. Na penumbra, um tucano sobrevoa ao longe. As fases se passam da direita para a esquerda.

psdb

PSDB – Engravatado, cabelo impecável e muita fala, é assim seu personagem. Em algumas fases é possível contar com a ajuda de alguns banqueiros e empresários estrangeiros. Há dois tipos de poderes especiais a serem usados: o primeiro deles invoca uma tropa de choque da Polícia Militar que o protege com armamento pesado, mas quanto mais utilizado, mais inimigos aparecem, portanto utilize com cuidado. Já o segundo poder é o de vidas infinitas, pois a cada vez que você morre numa eleição o monstro Globo surge e lhe dá mais um pouco de vida. A fase final é dentro de uma favela e o objetivo é o de exterminar a todos. A cena final mostra um lindo cenário, com pessoas de classe média sorrindo e brindando com champanhe pelo final da corrupção, cercadas por altíssimos muros que os separam das favelas que compõem o restante do cenário. As fases se passam da esquerda para a direita.

pmdb

PMDB – Tem a vida mais alta de todas e a maior capacidade de dano. Seu poder especial o torna invisível momentaneamente, permitindo atacar os inimigos a vontade sem ser percebido. Não há limites ou penalizações para a utilização deste poder. A fase final acontece no congresso, em que é preciso aniquilar todas as forças da oposição, que são mínimas. Zerando o jogo, o jogador assiste a cena final que mostra algum dos outros personagens no poder, mas é possível notar algumas linhas amarradas em suas articulações. Do alto, meio escondido, podemos ver seu personagem controlando o inimigo como uma marionete e todos os companheiros se multiplicando pelas cadeiras do cenário. As fases se passam da esquerda para a direita.

PP

PP – Apesar da vida um pouco menor que a dos outros personagens você consegue causar muito dano, pois possui ataques poderosos. Seu poder especial o transforma num paladino enviado por Deus, o que lhe dá a possibilidade de atacar ferozmente, tanto com armas de fogo, como com canetas. O inimigo final é uma orda, ao estilo zumbi, de mulheres de todos os tipos e em diferentes situações, sendo negras, grávidas, gays, trans etc, além de muitos menores de idade. Caso vença, a cena final mostra um altar no lugar do congresso e seu personagem governa com um cetro divino na mão, em um cenário que lembra uma vila medieval. As fases se passam da esquerda para a direita.

PSOL

PSOL (bônus level) – Após terminar o jogo com todos os personagens, um novo nível de dificuldade é desbloqueado, junto com este novo personagem. A vida é minúscula e seu ataque causa pouquíssimo dano. Todos os outros personagens se tornam seus inimigos, além dos outros que já existiam. A fase final acontece numa zona eleitoral e, caso seja vitorioso, é possível ver um percentual de 5% piscando na tela, o que significa que você bateu seu próprio recorde de votos. As fases se passam da direita para a esquerda.

Brincadeiras a parte, seria bastante interessante a produção de NewsGames que caminhassem nessa linha. Encerro momentaneamente este bloco de posts voltados para a política, torcendo para que jogadores e produtores se tornem um pouco mais engajados e atentem um pouco mais para essas questões.

Fico no aguardo de várias críticas, mas também de sugestões para diferentes personagens, poderes, fases e finais para esse jogo, que promete fazer muito sucesso ao longo do ano.

E apenas para constar: aqueles que consideram minha ideia absurda, saibam que o personagem Hagar, de Final Fight, é o prefeito da cidade, que sai distribuindo porrada em todo mundo.

Gustavo Nogueira de Paula

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Games sérios, onde estão eles?

Muita gente tem interesse por jogos sérios, ou pelo menos tem curiosidade por jogos que sejam diferentes, que abordem temáticas mais voltadas a questões sociais e/ou críticas, tais como os jogos políticos mostrados aqui tempos atrás. Porém, não sabem onde ou como procurar. Digitar serious games ou edugames no google pode levar a diversos lugares, mas não necessariamente a jogos bons. Sendo assim, resolvi fazer desse post um lugar para apresentar alguns jogos que conheço e seus respectivos links, para que todos possam conhecê-los e divulgá-los, além de eventualmente poder utilizá-los na escola ou na universidade.

Pra começar, apresento aquele que talvez seja um dos serious games mais conhecidos de todos, 12 de Setembro. Esse jogo, de Gonzalo Frasca, traz a temática da invasão americana aos países do oriente médio, em reação aos ataques sofridos no 11 de Setembro. Apesar de simples, esse jogo pode transmitir uma mensagem poderosa, a de que violência gera mais violência e de que o exército americano mais criava problemas do que resolvia. A mecânica é simples, apontar e atirar e a mensagem é clara, ou você atira ou não. Mais informações sobre esse jogo você pode encontrar em minha dissertação de Mestrado e o jogo você pode encontrar aqui.

tela do jogo 12 de Setembro

 

Um dos meus jogos preferidos nessa linha é o McDonalds game. Aqui você tem que gerenciar quatro setores importantes da empresa, de forma a obter cada vez mais lucro. Vale notar que para obter o desejado lucro você precisa ser bem atento e aumentar sua criação de gado (mesmo que precise derrubar arvores para isso), alterar a ração dos bichos (correndo o risco de criar doenças), contratar mão de obra barata, negociar com empresarios etc. O estilo do jogo é bem interessante e caricato, recomendo principalmente para crianças.

Evil Ronald McDonald

 

Em Darfur is dying o clima é mais denso e nada bonito de se ver. Melhor do que qualquer descrição, vale o que está escrito no próprio site do jogo, trazido aqui em tradução livre: “Darfur Is Dying é um jogo de videogame viral que proporciona uma pequena janela para a experiência dos 2,5 milhões de refugiados na região sudanesa de Darfur. Os jogadores devem manter o funcionamento de um campo de refugiados em face de possíveis ataque das milícias Janjaweed (esse nome eu não soubre traduzir). Os jogadores também podem aprender mais sobre o genocídio em Darfur, que tem tirado a vida de 400.000 pessoas e encontrar maneiras de se envolver para ajudar.” Para comprender melhor, só jogando

Darfur is dying é um jogo bem forte

 

O quarto e último exemplo de jogo está mais voltado para a questão das notícias, ou seja, um newsgame, mas ainda assim não deixa de ter uma carga emocional acentuada. Esse talvez seja o mais simples dos exemplos trazidos e sem uma mediação ele pode não atingir seus objetivos de forma convincente. Trata-se do jogo de resgate dos mineiros que ficaram presos dentro de uma mina no Chile. Mais imples impossível, mas mostra o quanto as questões atuais podem se tornar games sem grande dificuldade, desde que produtores se engajem por diferentes assuntos.

Tela do jogo de resgate dos mineiros no Chile

 

Esse post foi inspirado na ótima notícia divulgada pela Valve nessa semana. Acontece que a empresa vai disponibilizar Portal 2, bem como uma ferramenta de edição de mapas, com propósitos educacionais. Os professores, educadores e interessados poderão se cadastrar e receber o material, além de ter acesso a diferentes conteúdos, principalmente sobre matemática, química e física. O projeto se chama Teach with Portals e vem apenas para coroar esse jogo que, como eu já havia dito inúmeras vezes, veio para marcar época. Por enquanto a coisa rola apenas para o pessoal lá dos EUA, mas aguardamos ansiosos para ver até onde a Valve pretende chegar com isso. Para conhecer mais, acesse teachwithportals.

página inicial do projeto Teach with portals

 

Até!