O verdadeiro poder de decisão

Ano novo, consoles novos, tecnologias novas e novos jogos velhos. As capacidades gráficas e de armazenamento aumentam constantemente e permitem entregar narrativas e experiências cada vez mais elaboradas e ousadas. Hoje em dia, um game com 10h de jogo pode ser considerado curto, ou simplesmente com pouco conteúdo. Os mundos abertos vem ganhando cada vez mais espaço (literalmente) e são cada vez mais comuns, tanto em MMO’s, quanto em jogos single player etc. A sensação de escolher pra onde ir e o que fazer transmite grande liberdade e arranca elogios da maioria dos jogadores, daí a continuidade dos investimentos nesse tipo de jogo. Mas eles realmente entregam isso que prometem? As histórias são realmente bem contadas? Os objetivos são atingidos? Ou ainda, quais são esses objetivos? Hoje vamos falar um pouco sobre a capacidade de escolhas que os jogadores possuem e o que isso tem representado atualmente.

O grande mapa de Skyrim
O grande mapa de Skyrim

Tomemos como exemplo GTA V ou Skyrim, dois vencedores do prêmio de jogo do ano e donos de expressivos números de vendas. Basta mencionar o nome de ambos e logo vem a mente um grande mapa, com vários desafios a serem explorados, seja roubando carros ou cavalos. A linha da história principal não é tão clara e podemos simplesmente ficar vagando de bobeira por onde quisermos, apreciando a paisagem, caçando, arrumando briga, mudando nossa roupa e inúmeras outras coisas que ocupariam esse post inteiro. Isso é liberdade de escolha, mas é ao mesmo tempo uma grande vaidade.

Eu gosto e acho bastante interessante que os jogos cresçam e permitam aos jogadores seguir a história à sua maneira. Mas no exemplo dos dois jogos citados isso pouco muda na história como um todo e não faz diferença alguma no final (apesar de eu admitir ainda não ter jogado GTA V, estou me baseando nas experiências antigas, me corrijam nos comentários por favor). Recentemente o professor Nelson Zagalo publicou um dado que achei bastante preocupante: 90% dos jogadores não chegam a terminar o jogo Red Dead Redemption. Isso é terrível. O jogo, também premiado, com grande liberdade de escolha, que fazia a alegria dos jogadores com suas caçadas e brigas de bar não entrega sua história completa. Por que isso?

GTA-V-big

A maioria das pessoas prefere ficar vagando pelo espaço sem qualquer objetividade. Isso não seria problema, se houvesse uma história a ser contada em cada um desses cantos e que essas histórias pudessem levar a diferentes finais, em todos os sentidos. Seja o que for que o jogador faça no jogo o final será sempre o mesmo, caso não seja um dos 90% que sequer chegou ao final.

Na outra ponta disso temos jogos como Heavy Rain e Beyond two souls (que vou jogar em breve). Muitos são apaixonados por ambos os jogos, mas muitos os criticam, pois dizem que são jogos que não saem dos trilhos, parecendo mais um filme do que um jogo. Não se pode sair correndo a toa pela rua, não se pode dar um soco na cara de alguém, não se pode sair por aí roubando carros. Porém, cada uma das suas decisões tem um peso significativo na história e no decorrer do jogo, inclusive no seu final (cada um dos jogos citados possui vários finais diferentes). Ou seja, as decisões do jogador são respeitadas, possuem peso e não podem ser feitas levianamente.

Beyond-2-Souls

No intuito provocador de sempre eu questiono: Quais dos jogos realmente permitem ao jogador tomar decisões significativas?

Ainda espero pelo dia em que os jogos com mundo aberto respeitem mais as decisões dos jogadores e coloquem um impacto verdadeiro em cada uma delas. Ser preso mil vezes no skyrim por arrombar uma porta ou ser perseguido pela polícia por ter batido em alguém na rua no GTA ainda é muito pouco para mim. A tecnologia vem evoluindo, mas será que os jogadores também vem?

Vamos aguardar a nova geração.

Gustavo Nogueira de Paula

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Dark Souls ou Skyrim?

Após ter escrito sobre Dark souls, apresento esse post fazendo uma comparação entre este jogo e Skyrim, do qual também já falei por aqui. Por que faço isso? Pelo simples motivo que já fui questionado algumas vezes sobre qual dos dois tem minha prefência e os motivos para tal.

Relembrando: ambos são jogos de RPG/aventura/ação lançados em 2011, aproximadamente na mesma época. Skyrim ganhou inúmeros prêmios, incluindo aí o de jogo do ano. Já dark souls fez mais sucesso com um público mais “fechado” talvez possamos dizer, sendo bem avaliado e criticado no meio especializado.

Se por um lado DS ganhou fãs fervorosos ao redor do mundo, contando inclusive com abaixo assinado para que o jogo fosse lançado para pc (incialmente ele era apenas para Ps3 e 360), por outro Skyrim vendeu muito e se tornou a menina dos olhos de muitos jogadores de RPG. Como há muito tempo não ocorria, começaram a surgir pequenos debates de qual jogo seria melhor etc e como qualquer crítico que se preze eu não poderia deixar isso passr batido. Então vamos ao que interessa.

Incialmente vale dizer que comparar um jogo com o outro, pura e simplesmente, não adianta muita coisa. As propostas de cada um são divergentes em vários aspectos o que não faz deles jogos concorrentes, sob esse ponto de vista. A comparação consiste mais no âmbito teórico dos jogos, em que podemos analisar as escolhas que cada um optaram.

Tanto um jogo, quanto o outro são belíssimos, com gráficos bem feitos e muito detalhados. A ambientação de Skyrim é fantástica e faz com que o jogador se sinta como parte do mundo em que se encontra, com direito a bares, fortes, brigas, guardas, ladrões etc. Tudo é muito vivo, colorido e barulhento (no bom sentido) e a sensação de estar num povoado medieval é marcante. Em DS o ambiente é igualmente bem feito, mas com focando mais na solidão, tristeza e abandono. A sensação é de estar vagando por um mundo hostil (e bota hostil nisso), que é belo, mas mortífero ao mesmo tempo. Aqui, tudo parece morto, um lugar que um dia já foi de grandes conquistas, mas que atualmente é povoado por monstros e bestas. Os criadores do jogo conseguiram de maneira marcante criar um lugar com uma estética simplesmente maravilhosa, com cenários e inimigos que variam muito e com uma riqueza de detalhes incrível. Nesse aspecto, os dois jogos são ótimos, porém cada um a sua maneira e cabe a cada jogador escolher sua preferência.

Skyrim é um jogo que pode ser visto tanto em primeira, quanto em terceira pessoa e dark souls é visto somente em terceira pessoa. Na minha opinião a experiência de jogar skyrim em terceira pessoa era péssima, perdendo muito em relação a primeira pessoa. Pelo menos no Ps3, plataforma em que joguei, isso não parece ter sido bem acabado pelos produtores. Além disso, o controle de câmera e o fato de marcar o inimigo contam a favor de Dark souls. Mais uma vez, cabe ao jogador escolher sua preferência, apesar de nesse caso eu preferir Dark souls.

No quesito enredo/história Skyrim tem uma proposta muito mais ousada, sendo imenso e contando com inúmeras missões paralelas, enquanto Dark Souls trata de uma história épica, mas sem grandes reviravoltas ou opções de escolha, apesar de ser interessante e contada através de detalhes muito sutís. Nesse aspecto, tudo  tenderia a favor de Skyrim, que realmente conta com missões paralelas interessantíssimas, mas que por sua grandiosidade acaba por cair numa certa mesmisse em alguns momentos. É bastante irritante ficar selecionando “fast travel” a todo momento, vendo a tela de loading  e cumprindo missões não muito carismáticas. Contudo, o esforço de criar um mundo aberto a ser explorado sempre sofrerá com isso e a iniciativa (e o resultado) de Skyrim são muito bons no geral. Mesmo com momentos enfadonhos, a amplitude pesa a favor de skyrim, apesar do enredo de Dark souls ser cativante e envolvente, pois a cada cenário novo descoberto o jogador se deleita com imagens impressionantes e um novo tipo de inimigo e estratégia. Parece absurdo dizer, mas durante as primeiras 50h de jogo, skyrim se mostra mais interessante (talvez menos ou mais para alguns), mas depois desse tempo Dark souls ganha de lavada. Para aqueles que tem paciência de jogar dark souls por tanto tempo, vale conferir para me contra argumentar depois.

A dificuldade dos jogos não pode sequer ser comparada, pois Dark Souls é um jogo dificílimo, como há muito eu não via. Isso não é demérito para skyrim, apesar de em alguns momentos considerá-lo fácil demais, mas trata-se de uma opção dos criadores, pois dessa forma o jogador consegue vivenciar mais o mundo apresentado, passando pelas várias missões. São focos diferentes, eu apenas gostaria que skyrim apresentasse algumas missões realmente complicadas, algo que ao meu ver não existe, porém mesmo sendo mais difícieis, jamais chegariam aos pés de Dark souls, que beira o sadismo.

Na minha opinião o aspecto que mais diferencia os dois jogos são os inimigos e a variedade de batalhas. Afora alguns zumbis/esqueletos os monstros não se repetem em Dark Souls. Em cada cenário descoberto os desafios são diferentes e com aparências variadas. Isso faz o jogo se renovar várias vezes dentro dele mesmo. Em skyrim eu cansei, literalmente, de enfrentar inimigos dwemer, matar lobos, esqueletos fracotes, falmer e até mesmo dragões. A cada aprendiz de necromante que eu enfrentava, ou bandit perdido pelo mapa eu me questionava o porque disso! Sem contar na péssima inteligência artificial, que faz com que um inimigo tome uma flechada na cabeça e ainda diga que “deve estar ouvindo coisas”, para logo em seguida ficar novamente de costas, desprotegido, apenas esperando para que o jogador acabe com ele. Simplesmente decepcionante.

Como deu pra perceber, são jogos bastante distintos e fãs de jogos deveriam jogar ambos. Como gosto de desafios, minha preferência por dark souls acaba por prevalecer, apesar de eu considerar muito os méritos de Skyrim. Não vou cair na armadilha de recomendar apenas um deles, mas também não vou ficar em cima do muro, defendendo os dois lados. A dificuldade e a estética de Dark souls me cativaram, além do jogo contar com um multiplayer muito interessante, que faz seu interesse pelo jogo durar mais tempo. Skyrim foi bastante ambicioso e acertou em vários aspectos, mas pecou em muitos outros, que acabaram por me decepcionar um pouco.

Jogue, evolua e diga qual sua preferência. Que a disputa pela preferência dos jogadores seja sempre assim, com jogos bons e não nivelados “por baixo”.

Até!

OBS: Hoje o marcador de visitas ultrapassou 4000. É o gamecriticas crescendo com seu apoio. Mais uma vez muito obrigado!

ultrapassando 400 acessos

Crítica sobre Skyrim

Finalmente, após muitas horas, muitos dias, muitas indas e vindas, posso dizer que terminei Skyrim, ou ainda, terminei sua campanha principal. Entre missões paralelas, pequenas buscas e participações em diferentes organizações, venho escrever minha crítica sobre esse jogo tão falado, premiado e jogado mundo afora. O intuiuto aqui não é funcionar como um juiz, nem dizer se vale a pena comprar ou não um jogo, mas sim análisá-lo de uma forma mais profunda, tocando em pontos que me incomodaram e/ou que me surpreenderam.

Elder Scrolls Skyrim é o quinto jogo da série, consagrada por sinal, e vem na sequencia de outro jogo muito badalado, Elder Scrolls Oblivion. A história geral do jogo eu não vou comentar aqui, pois ela é facilmente encontrada dando uma googlada por aí. Só digo que o personagem controlado pelo jogador é um Dragonborn, sendo considerado o único capaz de acabar com um mal terrível que assola a todos.

Após a construção do personagem você passa por uma sequencia interessante, em que após quase morrer você é libertado e começa a sua saga pelo mundo. Essa etapa de moldagem de seu personagem é interessante, apesar de um pouco frustrante, pois você praticamente não olha para seu personagem, sobretudo seu rosto, ainda mais se jogar com a visão em primeira pessoa.

Começado o jogo de verdade, a liberdade é imensa. Você pode vagar em qualquer direção e entrar em qualquer dungeon, cidade, caverna, etc. Mesmo possuindo uma história central, você não fica preso a ela, podendo seguir seus próprios passos, se envolvendo em outras questões, desbravando lugares novos, conhecendo personagens, buscando itens, enfim, você tem liberdade para fazer sua própria história dentro do jogo.

Amostra do mapa de Skyrim

 

Inicialmente isso parece fantástico. A cada lugar novo que surge em seu mapa a curiosidade só aumenta e o desejo por ir cada vez adiante só aumenta. No meu caso, em pouco tempo eu jpa estava envolvido com a escola de magia e me tornando um mago poderoso e envolvido com as questões do colégio. Termino as missões e me torno o arqui mago do colégio e, para minha surpresa, nada mudou. Meu personagem continuou sendo o mesmo! O mago que havia me indicado para ir até o colégio continuava dizendo a mesma coisa de antes, não levando em conta a posição que eu já havia alcançado. Estranho, mas resolvi ignorar isso em nome da minha diversão.

Depois disso resolvi me alinhar com o pessoal da Guilda de ladrões. Entre missões mais e menos divertidas, me tornei um nightingale, um verdadeiro andarilho nas sombras. Também pouca coisa mudou e comecei a reparar que eu tinha poucas escolhas dentro de casa missão. Eu tive a escolha de ir até a Guilda, mas estando lá as missões eram bem em cima dos trilhos.

Em pouco tempo comecei a reparar duas coisas: o estilo das missões se repetia bastante e as dungeons mais ainda. Os inimigos eram quase sempre os mesmos, não há drop aleatório de itens e você logo para de ficar andando pelo mapa, usando o fast travel o tempo todo. No caso do Ps3 isso é ainda mais chato, pois as telas de load são bem lentas.

Outro ponto também começou a me tirar do sério. Em determinados diálogos você PRECISA responder o que o NPC quer, pois do contrário você não consegue determinado item ou missão. Eu, que estava tentando fazer um personagem que não matava inocentes, logo se viu matando quase todo mundo, afinal o jogo meio que premia isso. Se você matar personagem X ganhará esse item, se não matar não ganhará nada. Quando vi que ficar sem matar não me auxiliava  em nada, acabei me tornando um verdadeiro assassino. Posso dizer que talvez tenha sido o ponto que mais de decepcionou em Skyrim, pois aqui matar é algo bom em quase 100% das vezes.

Não digo que todas as missões sejam iguais, mas muitas são.O conflito entre os Imperials e os Stormclocks é interessante, apesar de  eu achar que de pouca influência sobre nosso personagem em si.

O sistema de evolução também é muito elogiado e eu mesmo estava simpatizando com ele no começo, mas isso foi até perceber que no final das contas ele só serve para que no final nosso personagem saiba fazer de tudo. Não sei se isso é ruim, mas particularmente eu não gostei de ficar com um personagem tão genérico assim ao final do jogo. Eu praticamente não tinha fraqueza alguma e isso não é muito legal.

Voltando a campanha princial, que possui um tom bem épico, uma grata surpresa, pois ela é bem conduzida e bela. Mesmo enfrentando os mesmos inimigos de sempre, ela se mostrou interessante e consegue transmitir uma boa sensação de urgência e heroísmo durante o jogar. Porém, como nada pode ser bom demais para ser verdade, a decepção veio com toda força. Ao matar o grande Dragão Alduin e por fim a toda loucura, eu voltei por um portal e aguardei ansiosamente para alguma cutscene ou diálogo entusiasmente. Não via a hora de ver meu personagem ser carregado nos braços do povo, ou no mínimo ser admirado dentro dos bares. Mas não foi nada disso que aconteceu. Ou melhor, NÃO ACONTECEU NADA. Eu volto pelo portal, vejo alguns dragões voando e só. SÓ. As pessoas pela rua continuam falando a mesma coisa, sobre o perigo dos dragões etc.

O dragão alduin

 

Para um jogo dessa magnitude eu achei esse final uma falta de vergonha e bastante desanimador. Somando a ausência de qualquer espécie de multiplayer, meu desejo por um replay foi quase a 0%. Não é que o jogo seja ruim, mas para um replay falta muito.

Recentemente foi lançada uma expansão para o jogo, que poderia mudar minha opinião sobre isso. Mas a resenha feita pela Kotaku mostra que pelo visto nada mudou. Pega um item aqui, fala com alguém ali, mata os mesmos inimigos, pega outro item, fala com outro alguem, mata os mesmos inimigos e por aí vai.

Tudo me leva a crer que a maioria das críticas e resenhas feitas sobre o jogo na época de seu lançamento foram feitas sem as pessoas terem-no jogado por muito tempo. Ok, o jogo é imenso e os consumidores querem sempre uma análise feita “para ontem”, mas isso não justifica. Nessas e outras fico pensando se não foram injustos com Portal 2 ou Batman Arkan city em relação ao prêmio de jogo do ano.

Quero ressaltar que não considero skyrim um jogo ruim, mas repetitivo e cheio de decisões questionáveis. Isso, mais os problemas já apontados aqui mesmo nesse blog me fazem pensar se não foram precipitados os prêmios dados a ele.

O jogo tem seus méritos, oferencendo um mapa imenso e grande liberdade e talvez seja justamente essa sua maior dificuldade, pois arcar com tudo isso é algo muito difícil. Tenho certeza que muitos irão discordar de minha opinião e não vejo problemas nisso, mas eu apenas transcrevi minhas sensações enquanto joguei Skyrim.

Você que já jogou Skyrim, o que acha?