Novelização dos jogos

Personagem principal bonitão, carismático, cheio de piadinhas e que pela sorte ou pela destreza sempre se safa dos perigos. Um amigo divertido, quem tem no seu passado algum mistério. Uma ex namorada linda, com um fim de relacionamento mal resolvido. Vilões malignos, que matam sem pena e tomam atitudes terríveis pelo de serem maus, afinal são os vilões.

Isso parece o roteiro de um filme ou novela qualuer, mas trata-se de Uncharted 3, que terminei de jogar nesse final de semana. Hoje, trago minha crítica sobre o famoso jogo exclusivo da Sony, cujo personagem roubou o coração de várias pessoas pelo mundo.

A começar, os gráficos são impressionantes, belíssimos. Fico imaginando o porque de somente os exclusivos da Sony possuirem gráficos tão caprichados. Os cenários são cheio de cores e de vida, realmente agradáveis de se olhar. A cena da cavalgada pelo deserto tenha sido talvez uma das mais belas que presenciei no meu Ps3. O desenho dos persoangens também, apesar de não serem tão fantásticos. Apenas Drake parece acompanhar o mesmo nível de detalhamento.

A cena da cavalgada é realmente muito bonita
A cena da cavalgada é realmente muito bonita

A trilha sonora também é boa, bem arranjada, criando um clima interessante logo na tela inicial do jogo. Não chega a ser extraordinária, mas da conta do recado com propriedade. Além das músicas os efeitos sonoros também são bons e contribuem para a imersão do jogador.

Parece fantástico, não parece? Mas não é. De maneira bem simples, posso dizer que o jogo é fraco, lembrando mais uma novela (das fraquinhas) do que um jogo de aventura.

A trama é bem manjada, com reviravoltas que não chegam a surpreender e um final tremendamente óbvio. Esse texto tem spoilers, mas não se preocupe, pois até mesmo sem jogar Uncharted 3 você consegue saber o seu final.

Após todas as idas e vindas de Drake ao longo do jogo a coisa se encerra da seguinte forma: Vilões mortos, amigos sendo amigos e volta de namoro (casamento? não me lembro bem agora) com a loira bonitona. Se tivesse uma cena de casamento na igreja e/ou alguns filhos correndo no final eu teria certeza que se trata de uma novela.

Não há surpresas, não há nada que você possa fazer de diferente, nada. O jogo caminha demais por cima dos trilhos e todos os problemas são resolvidos (e criados) da mesma maneira. Tudo se resume a saltar sobre muros, canos e placas, sendo que ocasionalmente alguma coisa despenca (na tentativa de surpreender o jogador, mas lá pela décima vez isso já não te pega mais) fazendo com que o jogador tenha que subir novamente, mas de alguma outra forma.

Os inimigos não tem carisma algum e em diversos momentos não há o menor sentido nos tiroteios. Drake se infiltra em algum lugar secreto e de repente da de cara com dezenas de bandidos e tem que matar todo mundo. Além de banal isso também fica sem graça quando você percebe que esses momentos de ação não mudam ao longo do jogo. Tem o cara com a granada, o cara de armadura e capacete. o sniper, o da bazuca e por aí vai. Nada de novo pra quem já tinha jogado Uncharted 2.

A história, que deveria ser o carro chefe, também é nem graça, com algumas viagens forçadas e sem o mesmo apelo dos filmes Indiana Jones da vida. No final das contas tudo acaba de forma tão repentina que chegou a me surprender, de tão chatinho.

Tenho me assustado com essas sequencias de jogos que apresentam apenas mais do mesmo. Repetindo o que tenho dito várias vezes nesse blog, mas os produtores não arriscam fazer algo diferente e os jogadores por sua vez também não compram nada que fuja desse esquema novelinha. É só ver as vendas de Call of Duty para comprovar. O esquema é sempre o mesmo, mas as vendas são gigantescas.

No caso de Uncharted 3 fico ainda mais preocupado, pois trata-se de um jogo premiado e muitas vezes endeusado pelos possuidores do console da Sony. Sinto muito pessoal, mas um jogo que não desafiou minha mente por nenhum segundo durante seu desenrolar é algo que não tolero mais.

Final feliz em Uncharted 3
Final feliz em Uncharted 3

Ainda para piorar, num dos poucos quebra cabeças que tive que resolver, de ordenar umas figuras na parede, eu mal parei para pensar sobre o que tinha a fazer e uma mensagem na tela já me perguntava se eu gostaria de ver a solução. Será que a geração atual de jogadores não consegue ficar nem alguns minutinhos tentando resolver um quebra cabeças a ponto de os produtores entregarem a resposta tão rapidamente com medo da desistência de seus consumidores?

Para finalizar com chave de ouro, joguei o jogo dublado em português. As intenções foram boas, tenho certeza que isso é trabalhoso etc, mas a dublagem é desastrosa, o que tira ainda mais o clima do jogo. Algumas passagens são aceitáveis e o fato do jogo estar em sua língua facilita na compreensão do enredo, mas a falha foi gritante. As vezes da vontade de nem ouvir o que os persoangens tem a dizer, de tão incomoda a dublagem.

Talvez os fãs da série possam achar que peguei pesado, mas não podemos tapar o sol com a peneira. Não sei o que será de Drake, mas esse um banho de água fria. Vamos aguardar para ver se ele da as caras no Ps4

Uncharted 3 foi uma verdadeira decenpção. Aquele jogo bonitinho, com o protagonista legal, reviravoltas programadinhas e um final em que todos saem felizes. Menos o jogador.

Até,

Gustavo Nogueira de Paula

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Exclusividades, novidades e o que vem por aí

Na minha volta dos EUA, trouxe na bagagem (entre outros) dois jogos exclusivos do PS3: Uncharted 3 (que veio dublado, ou a instalação é mais inteligente do que eu imaginava) e Journey collector’s edition (que conta também com flower e flow).

Hoje em dia os títulos exclusivos tem sido motivo de discussão entre jogadores, cada qual defendendo seu console, ou sua franquia favorita. Tempos atrás a disputa se dava principalmente entre Mario e Sonic (apesar de terem existido outros jogos exclusivos, eu sei disso), mas atualmente o encanador ganhou outros rivais de peso.

Mario vs Sonic

Pela Nintendo o elenco é forte: De cabeça lembro do Mario e toda sua turma, Link (na série Zelda), Samus nos Metroids da vida e os macacos simpáticos de Donkey Kong, isso pra citar apenas alguns. Por serem personagens antigos, creio que eles ainda estejam na frente em relação a sua popularidade junto aos jogadores. Mario já virou ícone pop e ultrapassa os limites dos videogames. A Nintendo tem aí seu carro forte.

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No Xbox creio que os principais nomes sejam de Halo e Gears of war. Não joguei nenhum dos dois para falar com propriedade, mas são bastante elogiados, tanto pela crítica, quanto pelos jogadores e seus números confirmam isso, de certo modo. Ambos vendem muito e já se tornam clássicos instantâneos logo no seu lançamento. São jogos de tiro e guerra, apesar de possuirem estilos diferentes e contam com um poderoso sistema de multiplayer. Apesar de existirem outros títulos exclusivos para a Caixa, creio que esses sejam seus principais representantes (se souber de mais algum que mereça ser relatado aqui, por favor não deixe de escrever nos comentários). No meu ponto de vista não são eles os grandes atrativos para que alguém opte por ter um Xbox, mas sim outros fatores, como o preço, kinect, controle etc.

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No Ps3 a lista é um pouco maior do que a do Box. Uncharted e God of war já ocupam um espaço bem marcado no coração dos jogadores do console da Sony, seguidos de perto pelo absurdamente simpático Sack Boy de Little Big Planet. Além deles temos Heavy Rain, futuramente Last of Us e o anteriormente citado Journey. Talvez você possa dizer que nunca ouviu falar de Journey, mas não posso deixar de fora o jogo mais premiado de 2012 e que, pelo pouquissimo que joguei, já pude perceber se tratar de um jogo realmente diferente do que estamos acostumados. No caso do Ps3, se não estou enganado, nenhum dos seus títulos exclusivos estão na lista dos jogos mais vendidos, apesar de serem excelentes jogos. Na Nintendo e na Microsoft isso é diferente e os exclusivos estão nas cabeças das listas de vendas.

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Estou comentando sobre essas exclusividades hoje, pois foi feito o anúncio oficial do próximo console da sony, o Ps4. Foram várias as novidades em termos de hardware e todo aquele marketing que permeia o anúncio de algum novo produto eletrônico. Mas esse não é nosso foco agora, pois muito ainda falar e alardear sobre esse novo console e até seu lançamento muito água vai rolar, portanto não há pressa para fazer uma análise de algo que ainda nem existe.

Mas logo nos vem a mente como serão tratados os títulos exclusivos. Para além do hardware, qual será o grande atrativo de cada grife para ganhar seus jogadores? Eu gostaria de ver mais títulos exclusivos, que cada console investisse mais em criatividade. Não que eu queira uma segregação, que os jogadores precisem ter todos os videogames em casa nem nada disso. Mas é dessa disputa pelos melhores exclusivos que costumam produzir os jogos mais belos, os mais criativos e as vezes até os mais inovadores.

Todas as franquias citadas possuem jogos excelentes e com um nível muito maior do que os jogos em geral.

Será que um novo console irá dar atenção a isso, ou apenas tentarão melhorar o hardware, bloquear os jogos usados (notícia até agora desmentida) e investir em periféricos e acessórios?

Espero sempre que as novidades venham para alimentar os sonhos e a criatividade das pessoas. Espero que com a nova geração de consoles, uma nova geração de jogos surja e faça valer todo o investimento que recebem. Que haja realmente uma evolução, que os jogos sejam mais maduros e que se tornem um marco na história dos games.

Não custa sonhar, não é mesmo?

Até mais,

Gustavo Nogueira de Paula